Região

Chacina em alcateia de lobos na serra do Gerês com veneno e armadilhas

(c) Associação Animalista Libera
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Um garrano envenenado foi o isco para matar dois lobos, na Serra do Gerês, encontrados domingo, a caminho das antigas Minas dos Carris, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, segundo noticiou o Semanário V<. Foram usados engenhos armadilhados e que poderiam igualmente ser fatais para os seres humanos.

Os militares do Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente (SEPNA), da GNR estão já a investigar a morte dos animais, perto da lagoa do Marinho perto de Cabril.

O Semanário V, falou com ‘O Gerês’ que é uma comunidade com mais de 50 mil seguidores que faz mesmo parte do Parque Nacional. “Estamos e vivemos os dramas do seu interior numa das suas aldeias, protegemos e defendemos convicções que fomos ganhando ao longo destes anos de experiência em Parque Nacional, as imagens divulgadas não são nossas nem estivemos no local, embora tivéssemos contato com as pessoas que estiveram no local e que viram em primeira instância”, refere esta comunidade ao V.

Em entrevista concedida ao Semanário V, esta comunidade falou do problema da Chacina do Lobo.

Quem é o ‘Gerês’?

‘Gerês’ – O Gerês não é apenas uma página de fotografias do Parque Nacional, é uma comunidade com mais de 50 mil seguidores que faz mesmo parte do Parque Nacional, estamos e vivemos os dramas do seu interior numa das suas aldeias, protegemos e defendemos convicções que fomos ganhando ao longo destes anos de experiência em Parque Nacional, as imagens divulgadas não são nossas nem estivemos no local, embora tivéssemos contato com as pessoas que estiveram no local e que viram em primeira instância.

Desde quando há chacina do lobo e quais as motivações?

‘Gerês’ – A chacina ao Lobo já existe desde que o Homem veio para ocupar o seu espaço, e nas aldeias do Parque Nacional era até há pouco tempo prática corrente, por isso existem centenas de Fojos do Lobo, armadilhas usadas pelas comunidades para matarem em massa os lobos que lhes dizimavam o gado, é das guerras mais antigas do País, Homem e o Lobo, e a disputa territorial, que foi felizmente abrandando com o tempo, Não por ser espécie protegida do ICNF mas porque o pastoreio foi diminuindo significativamente nestas comunidades, no entanto o odio ao lobo mantem-se em muitas destas aldeias até pelos mais velhos.

Alguma vez alguém foi acusado por este ‘crime’? Há culpados?

‘Gerês’ – Culpados, há algumas pessoas indiciadas, mas nunca a morte de um lobo levou ou levará alguém atrás das grades, em Portugal vai mais depressa um homem para a cadeia por matar um gato do que por matar dois lobos, é a sociedade que temos. No entanto e enquanto comunidade e conhecimento que temos no terreno sabemos de uma coisa, o ICNF durante o ano de 2019 e 2020 não pagou os animais perdidos na serra à maioria dos pastores, mesmo quando estes cumpriram com todos os requisitos, isto é também uma forma de uma entidade responsável pela espécie fugir aos seus deveres, cabe ao ICNF a minimização e a responsabilidade de ligar as aldeias do parque ao lobo para que odio se dissipe, quer pela espécie quer pelo próprio organismo que está cada vez mais desacreditado nas aldeias, e isto referimos com forte convicção, nas aldeias há pessoas que ainda subsistem à custa dos animais, há uma frustração de quem todos os dias quer faça sol, quer faça chuva, neve tem que acordar às 7h da manhã, percorrer a agreste Serra do Gerês e chegar muitas vezes às 8h da noite e perder o seu ganha pão, e depois as indeminizações não chegarem, como faremos uma pessoa com este decurso de vida diário deixar de ter ódio ao lobo? Se, por outro lado, as indeminizações chegassem, ora claro está que o Pastor não iria estar tão agarrado a esse Ódio.

Segundo fonte no terreno, sabe o Semanário V que o ICNF durante o ano de 2019 e 2020 não pagou os animais perdidos na serra à maioria dos pastores, mesmo quando estes cumpriram com todos os requisitos.

ICNF comunicou ao Ministério Público a morte de dois lobos em Montalegre e Bragança

O Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) disse hoje ter sido informado de dois cadáveres de lobo na região Norte, em Montalegre e em Bragança, e que comunicou as ocorrências ao Ministério Público (MP). O ICNF especificou, em comunicado, que o alerta para os lobos mortos foi dado na segunda-feira e que os cadáveres foram encontrados na zona da freguesia de Cabril, concelho de Montalegre, distrito de Vila Real, e outro na zona de Rio de Onor, concelho de Bragança.

As ocorrências foram comunicadas ao Ministério Público, nas comarcas de Vila Real e Bragança. O lobo-ibérico é uma espécie protegida e possui em Portugal, desde 1990, o estatuto de ameaça de “em perigo”. O ICNF acrescentou que foi, de imediato, ativado o protocolo estabelecido no âmbito do Sistema de Monitorização de Lobos Mortos, protocolo que envolve o ICNF, GNR, Ministério Público e Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV). De acordo com o instituto público, as equipas do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), da GNR, e os vigilantes da natureza presentes no terreno “desencadearam uma série de procedimentos de investigação, bem como a recolha dos cadáveres que foram entregues ao INIAV para necropsia”.

Vigilantes da natureza encontraram várias armadilhas de laços, utilizadas na caça ilegal

Sobre as notícias que referem um segundo lobo morto em Cabril, o ICNF disse que os “vigilantes da natureza encontraram várias armadilhas de laços, utilizadas na caça ilegal, e que a GNR se encontra a recolher os indícios desta prática ilegal não havendo, até ao momento, evidências suficientes que permitam concluir da existência de mais um animal morto”.

Fonte do comando da GNR de Vila Real disse à agência Lusa, na terça-feira, que um lobo-ibérico foi encontrado morto perto da aldeia de Xertelo, freguesia de Cabral (Montalegre), em circunstâncias que estão, agora, a ser investigadas. A GNR atuou depois de ter recebido uma denúncia, feita por um cidadão que encontrou uma carcaça de um cavalo e, nas imediações, também um lobo, num local ermo e de difícil acesso, dentro do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Os elementos do SEPNA procederam à recolha de prova para o processo crime, que está a cargo do Núcleo de Investigação de Crimes e Contraordenações Ambientais (NICCOA).

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