Vila Verde

PS de Vila Verde. Para que lado se vai virar Filipe Silva?

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Uma clara divisão interna, que já se alastra há muito tempo, culminou nas últimas semanas numa série de demissões na Comissão Política do Partido Socialista de Vila Verde. Samuel Estrada, o na altura presidente, foi o primeiro: renunciou ao cargo a 22 de janeiro deste ano. Reconheceu não ter conseguido “unir e pacificar as diversas fações do partido.”

No seguimento, José Morais, atual vereador, também renunciou ao cargo que tinha na Comissão Política e disse mesmo que não seria candidato nas próximas Eleições Autárquicas. Seguiram-lhe os passos Luís Castro (também vereador), Júlio Zamith, Costa Pereira, Ricardo Arantes e Miguel Fernandes (responsável pela tesouraria do partido).

A Comissão Política do Partido Socialista de Vila Verde, atualmente com Conceição Alves no leme, reúne hoje para análise e definição do caminho a seguir para a preparação do partido às Eleições Autárquicas deste ano.

Onde se encaixa Filipe Silva?

Filipe Silva é presidente da Junta de Freguesia de Soutelo, em Vila Verde, e administrador-executivo nas Águas do Norte, cargo para o qual foi nomeado pelo governo socialista em 2017. Antes da nomeação era o responsável de Marketing e Gestor de Projetos na agora insolvente IEMinho- Instituto Empresarial do Minho, desde 2007. É público a boa relação que existe entre este e Joaquim Barreto, presidente da Federação Distrital de Braga do PS.

Nas últimas eleições internas para a Comissão Política da Federação Distrital de Braga (2020), Joaquim Barreto foi a votos com Ricardo Costa, e aqui foi notória a divisão socialista que pairava em Vila Verde. Filipe Silva ao apoiar publicamente Barreto, saiu reforçado com a sua reeleição.

O Semanário V teve acesso a um e-mail enviado em dezembro passado por Filipe Silva ao, na altura, presidente da Comissão Política Samuel Estrada onde manifestava apoio a uma eventual candidatura protagonizada por Luís Filipe Silva (LFS), argumentando a escolha pelos resultados obtidos por este nas eleições de 2013 e “consequentes perspetivas de êxito que tal candidatura configurará à partida.”

No mesmo e-mail, Filipe Silva adianta que caso LFS não seja candidato, que ele mesmo manifesta “total disponibilidade para encabeçar a lista do Partido Socialista a candidatar à Câmara Municipal de Vila Verde nas eleições autárquicas de 2021.”

Luís Filipe Silva

O autarca de Soutelo relembra a sua “qualidade de militante do partido socialista e de autarca eleito em três mandatos consecutivos, com maioria absoluta como presidente da Junta de Freguesia de Soutelo, uma das maiores freguesias do concelho de Vila Verde, o que, em toda a sua envolvência me confere a capacitação administrativa e política para desempenhar com eficiência o cargo para que agora me disponibilizo.”

Em declarações em exclusivo ao V, Filipe Silva confirma o conteúdo do e-mail. Questionado se nesta altura mantém a vontade de ser o candidato, caso LFS não o seja, Filipe Silva diz que “tinha de ver, porque ninguém se quer meter em problemas. Toda a gente gosta de ter o seu tempo para planificar e preparar o caminho. Assim não sei, estamos a poucos dias das eleições, num concelho que se chama Vila Verde.” Contudo, diz que após esse e-mail “mudou muita coisa. Caiu o Samuel, caiu o Zé (José Morais), caiu o Luís Filipe… caiu muita coisa.”

Diz ainda que “toda a gente estava a apostar que Luís Filipe Silva fosse candidato. E isso só cai no momento que LFS cai. Numa reunião LFS tinha de dizer se sim, ou se não. Foi na reunião que o Samuel se demitiu, e depois daí muda tudo. ”

“Neste momento dizer a alguém se quer ser candidato à Câmara de Vila Verde, isso não é um presente. É um calvário”, remata.

José Morais “bateu a porta” ao PS mas também aponta o caminho para Luís Filipe Silva

José Morais

Em declarações exclusivas ao Semanário V no início do mês, José Morais dizia que o antigo vereador socialista Luís Filipe Silva “é um dos melhores quadros políticos de Vila Verde” e que “se essa for a escolha do partido, a candidatura do PS estará muito bem entregue.”

Para Morais “o PS tem muitos quadros capazes de liderar um projeto autárquico. Os órgãos competentes tomarão a seu tempo a decisão.” O vereador descarta a ideia do partido não apresentar nenhum candidato às próximas Autárquicas: “Não me parece que esse seja o melhor cenário. Defendo que o PS deve ter um candidato próprio.”

José Morais confessa ao Semanário V que no plano pessoal, nestes oito anos, ele e a sua família, foram “várias vezes alvo de mentiras, insultos e ameaças”, dizendo que apesar de magoado nunca se deixou intimidar e sempre deu “o corpo às balas.”

Para Morais, este é o tempo de dar sossego à família: “Ao fim de oito anos, com muito tempo ausente por causa da atividade política, entendo que é hora de tentar recuperar algum desse tempo também. E, mais importante, é tempo de dar algum sossego aos ataques maldosos e infundados de que a minha família tem sido alvo.”

 

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