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“Ó senhor Guarda? Fala de Entre-os-Rios! Olhe, a ponte caiu”, GNR, 20 anos depois

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“Ó senhor Guarda? Fala de Entre-os-Rios! Olhe, a ponte de ferro caiu. Mande para cá alguém!”
Esta foi a frase que o Cabo José Ramos do Posto Territorial da Guarda Nacional Republicana (GNR) de Penafiel, ouviu pelo telefone, com voz trémula, no fatídico dia 04 de março de 2001, dia em que a Ponte Hintze Ribeiro, que ligava Entre-os-Rios a Castelo de Paiva, caiu e arrastou para o rio Douro três carros e um autocarro, conta a GNR em declaração emocionante a que o Semanário V teve acesso.

Partilhamos aqui alguns momentos, revelados pela GNR, contados na primeira pessoa e vividos pelo Cabo José Ramos, que se encontrava de atendimento no Posto:

“Logo após nova chamada telefónica de outra pessoa a dar a mesma informação, de que a ponte tinha caído, mas acrescentou que tinha visto uns “faróis” a desaparecerem no rio. Provavelmente de algum carro.”
“Decorriam já alguns minutos após a segunda chamada telefónica e surge outra, e mais outra, e depois mais outra. Enfim. Dezenas. Todas a denunciarem aquilo que veio a ser uma enorme tragédia. Não tenho memória de ter atendido tantas chamadas telefónicas, em tão pouco tempo como naquela noite.”
“Aquela hora era difundida as primeiras imagens da tragédia que se resumiam a alguns planos do acesso à ponte, com pouca visibilidade, e de dezenas de pessoas, algumas em lágrimas. Nem estas imagens me faziam crer que a ponte tinha caído. Parecia um filme…”
“O Rio, como nunca antes o tinha visto! O tabuleiro curvado, pedia desculpa às famílias enlutadas enquanto que um dos pilares ainda de pé implorava socorro para não cair. Olhei o horizonte e pensei: Que tragédia meu Deus! A ponte da Pesqueira caiu.”
“Passei a área de segurança para ter a certeza, a certeza daquilo que estava a ver e coloquei o pé direito sobre o que não existia, sobre o local onde outrora era alcatrão. Senti um vazio e recuei. Sobre meu rosto caiu uma lágrima, que eu já segurava desde que chegara à Pesqueira.”
“Lembrei-me dos falecidos: namorados, pessoas mais idosas que viajam naquele autocarro, mas sobretudo das famílias enlutadas.
Limpei a lágrima e pensei naquilo que alguém um dia disse: “DEUS LEVA OS QUE AMA”.
“A Pesqueira já tem ponte, pintada de branco e de noite iluminada. Mas apesar disso, não consegue clarear o dia 04 de março de 2001.”
Cabo José Ramos, recorda com emoção a tragédia da queda da ponte de Entre-os-Rios.
Às famílias enlutadas, apresentamos os nossos sentimentos e expressamos as sinceras condolências pela perda!

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