Vila Verde

A história de família de Vila Verde a quem a pandemia ‘tirou o luto e deixou o vazio’

(c) LUSA
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O coronavírus está a mudar as nossas vidas de uma maneira que deixará memórias para contar a filhos e netos. Alterou também os rituais com que nos despedimos dos mortos e este é um dos pontos mais sensíveis e uma ferida que pode ‘nunca mais ser curada’ por aqueles que perdem os entes queridos, e que, por imposições da pandemia, não se podem ‘despedir’, e fazer o devido luto que as nossas comunidades têm como tradição e ritual importante para uma despedida digna de um familiar ou amigo.

Padre Sandro: “Neste tempo de pandemia vive-se mal e morre-se mal”

Em conversa com o Semanário V, O padre Sandro Vasconcelos fala nestes tempos difíceis do seio das suas comunidades. “Neste tempo de pandemia vive-se mal e morre-se mal. Não há tempo para chorar, não há tempo para despedidas. São funerais a fugir. Quando presido a um funeral penso sempre naqueles que não estão, que não cabem na despedida e tanta falta fazem aos que estão. Sempre o disse que enquanto sacerdote o que mais me custa são os funerais. Agora doem ainda mais. As celebrações continuam a ser dignas. São dignas por si mesmas, pela presença de Deus e pelas suas palavras. A Fé é maior que a dor. É o que tenho sentido. E que Deus nos ajude a ser instrumentos de esperança e conforto na dor de quem chora”, conta ao V o Padre Sandro Vasconcelos que vive de perto este ‘drama’.

Família ‘enlutada’ nem se despediu do familiar

O Semanário V, esteve à conversa com uma família de Vila Verde, que, desabafou a sua situação, “o pior momento das nossas vidas” contam. Sem rostos ou nomes esta famílias fala num momento arrepiante. Perderam um familiar próximo, vítima de morte súbita, e não tiveram tempo de ‘com dignidade se despedir’. O filho com conta que o dia do funeral foi um ápice. “Recebi mensagens e telefonemas, mas faltou o abraço apertado dos amigos e o conforto daqueles que nos são próximos. Não me deixaram despedir do meu pai, ficará para sempre esta ferida por curar”, desabafa em lágrimas.

O luto em tempo de covid-19 é frio, cruel e impessoal. Não se falaria dele se não estivesse a atingir centenas de famílias em Portugal e milhares pelo mundo. Se não estivesse a deixar feridas profundas que vão demorar a sarar.

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