Braga

Braga. Centenário órgão de tubos do Mosteiro de Tibães degradado e ao abandono

Partilhe esta notícia!

O Mosteiro de São Martinho de Tibães, também referido como Mosteiro de Tibães , localiza-se na freguesia de Mire de Tibães, Braga. O conjunto engloba a Igreja de Tibães e o Cruzeiro de Tibães. O mosteiro foi fundado no século XI e a partir do século XII foi mandado reedificar por Paio Guterres da Silva, e ocupado pela congregação Beneditina. No século XVI, tornou-se a casa-mãe da Ordem para Portugal e Brasil. Os edifícios principais atualmente existentes foram erguidos nos séculos XVII e XVIII. Um dos arquitetos que neles trabalhou foi André Soares. Com a extinção das ordens religiosas masculinas ocorrida em 1834, foi vendido em hasta pública, com exceção da igreja, sacristia e claustro do cemitério. Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1944.

Manteve-se nas mãos de privados até 1986, quando foi adquirido pelo Estado Português. Desde então iniciou-se o processo de recuperação do espólio. Pelas suas características singulares, o mosteiro foi o palco escolhido para a XXIII Cimeira Ibérica que se realizou nos dias 18 e 19 de Janeiro de 2008. Após um investimento de 15 milhões de euros, desde novembro de 2009 uma comunidade da família missionária internacional “Donum Dei”, do grupo das Trabalhadoras da Imaculada, pertencente à Ordem Carmelita, está instalada numa ala do mosteiro. Em 11 de fevereiro de 2010, abriu ao público uma hospedaria com 9 quartos, e o restaurante “Eau Vive de Tibães”, com capacidade de 50 pessoas. Em 21 de janeiro de 2015, a Assembleia da República recomendou ao Governo que classifique o Mosteiro de Tibães como monumento nacional.

O museu do mosteiro

Ao longo de sua história, e dada a sua importância no Império Português, o mosteiro reuniu o maior e mais valioso espólio da região. Nele se destacavam desde a pintura, a escultura e a arte sacra, a uma vasta coleção de livros sobre variados temas. Após a alienação do imóvel, em 1834, a maior parte do espólio foi perdido. O atual museu conserva apenas um fragmento desse espólio, ao qual se somam novas peças relacionadas com a história do mosteiro e a congregação Beneditina. É ainda possível percorrer o “Percurso Museológico”, onde se aprecia a área envolvente ao Mosteiro, a sua arquitetura, as ruínas de edifícios anteriores, a mata, os jardins, e diversos campos agrícolas como hortos, pomares, e milheirais.

Órgão de tubos ao abandono

A denúncia partiu de um cidadão de Braga que fez chegar o estado de degradação do órgão de tubos ao Governo, obtendo resposta que o assunto foi remetido para o ministério da Cultura. O cidadão deu conhecimento do sucedido ao Arcebispo Primaz de Braga, D. Jorge Ortiga; Mosteiro de São Martinho de Tibães; Sociedade Portuguesa de Investigação em Música; Coordenador do Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical da Universidade de Évora; Instituto de Etnomusicologia (Centro de Estudos em Música e Dança); Diretor Artístico do Festival Internacional de Órgão de Braga; Professora Doutora Elisa Lessa; Associação de Música Sacra de Braga, Grupo de Amigos do Mosteiro de Tibães; Presidente da UF de Freguesias de Merelim (São Paio), Panóias e Parada de Tibães.

Fotos: Carlos Dobreira

Em comunicado enviado ao Semanário V, o cidadão refere que, “no seguimento do e-mail enviado ao Senhor Primeiro-Ministro a 3 de abril do ano corrente, o mesmo foi remetido ao Chefe do Gabinete da Senhora Ministra da Cultura a 19 de abril do ano corrente. Recorda-se que o órgão de tubos do Mosteiro da Igreja de Tibães está, conforme se pode ler no e-mail enviado ao Senhor Primeiro Ministro, “em estado de degradação e é até com pesar que registo aqui o acondicionamento de peças, como os tubos, encaixotados nas antigas cavalariças do Mosteiro.”

O órgão está inoperacional há quase quatro décadas, tem sido alvo de estudo académico e existem até teses de mestrado e de doutoramento sobre o mesmo. “A atual situação do órgão tem sido um assunto abafado pela classe política bracarense, apesar de esta tecer, de forma hipócrita e cínica, os maiores elogios à monumentalidade do Mosteiro de São Martinho de Tibães”, acusa Carlos Dobreira.

Comentários

topo