Vila Verde

“Como povo, não somos, hoje, muito diferentes do que éramos em abril de 74”, PSD de Vila Verde

(c) Município de Vila Verde
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O Município de Vila Verde assinalou o dia da liberdade com o hastear das bandeiras numa cerimónia simples e simbólica nos Paços do Concelho. Ao longo do dia, através da página oficial do município são transcritos os discursos dos partidos com assento na Assembleia Municipal de Vila Verde.

Discurso da Bancada Parlamentar do PSD
Assembleia Municipal de Vila Verde na íntegra

Foi há 47 anos que um grupo de militares portugueses desafiou o seu e o nosso destino encetando o golpe de Estado que mudou o país para sempre, pondo término a quase meio século de um Portugal dominado sob o jugo da ditadura e abrindo caminho ao Portugal democrático e livre que hoje conhecemos.

Apesar dos tumultuosos anos que lhe seguiram, esta revolução ficou, surpreendentemente, para a história como uma das mais pacíficas, marcada pela quase completa ausência de circunstâncias trágicas, sem mortos nem derramamento de sangue, cujas imagens de plena comunhão e confraternização entre os militares de abril e o povo, que saiu à rua para os saudar e festejar o triunfo da revolução, tão bem ilustram.

A nossa democracia, durante quase meio século de história, conheceu distintos períodos no seu percurso, bem demarcados uns dos outros e que contribuíram, de forma sequencial, para o Portugal que, hoje, conhecemos: Após o biénio revolucionário (1974-1975) dominado pela agitação social própria de um país em mudança, fortemente marcado pelo turbulento “verão quente de 75” e que culminou na viragem de Portugal ao centro, após o desmantelamento, a 25 de novembro, da “deriva comunista” que se quis impor ao país, seguiu-se uma década de consolidação e estabilização da democracia (1976-1986), período, após o qual, o país se abriu à Europa e nós, portugueses, passamos a ser, orgulhosamente, também, cidadãos europeus.

Como povo, não somos, hoje, muito diferentes do que éramos em abril de 74. Caracterizam-nos a mesma “generosidade, o desleixo… um espírito prático, sempre atento à realidade útil. A viveza… A esperança constante nalgum milagre que sanará todas as dificuldades… a vaidade, o gosto … de luzir, e uma simplicidade tão grande, que dá na rua o braço a um mendigo… Um fundo de melancolia. A desconfiança terrível de si mesmo, que … acobarda, … encolhe, até que um dia se decide, e aparece um herói, que tudo arrasa” (A Ilustre Casa de Ramires, Eça de Queirós). Somos, porém, muito diferentes enquanto país. Abril deu-nos a liberdade e, com isso, abriu caminho para seguirmos um percurso rumo a melhores condições de vida e mais equidade social, no acesso à saúde, à educação, ao emprego, permitindo que todos, independentemente das condições do berço, tivessem oportunidade de lutar por uma vida melhor. Abril trouxe-nos um Estado mais social e equitativo, consolidando o direito a uma pensão e demais apoios sociais importantes na luta contra a pobreza. Abril abriu-nos as portas para “lançar as bases de um verdadeiro Serviço Nacional de Saúde”. O mesmo SNS que, hoje, com as suas virtudes e defeitos, se revelou um instrumento fundamental para combater as ameaças que a pandemia por Covid-19 trouxe à Saúde Pública.

Temos que reconhecer que, atualmente, convivemos com circunstâncias que, potencialmente, comprometem a saúde da nossa democracia. Temos, por isso, que lutar por ela, sarando-lhe as feridas que a ameaçam. Precisamos de direcionar os nossos recursos para aquilo que interessa ao país, sabendo que apostar na Educação e na Saúde deverá ser sempre visto como um investimento, cujos frutos se colhem no dia de amanhã. Precisamos de um setor de Justiça mais célere e mais confiável e de pugnar por uma Justiça que se quer cega, desapegada de interesses e clientelismos. Vivemos num país com um sistema burocrático pesado que tolhe e desincentiva o investimento e atrasa os serviços do Estado que, ainda, carecem de eficiência. Somos um país seguro, mas precisamos de acarinhar e dignificar as nossas forças de segurança, não esquecendo os veteranos de guerra que serviram o país, arriscando a vida. Precisamos de confiar mais na classe política; como em qualquer setor da sociedade, temos os bons e temos os maus, mas precisamos de mais políticos despojados de interesses pessoais e mais apostados em servir a causa pública.

Pergunto-me se, hoje, faz sentido lembrar abril! Faz, sim! São mais de 5 milhões os portugueses que, como eu, nasceram num Portugal democrático, livre e aberto à Europa e ao mundo. São mais de metade os portugueses que não viveram esse período revolucionário, nem conheceram um Portugal sob o jugo da ditadura, da censura, da PIDE, do Tarrafal, da Guerra Colonial. A todos, mas sobretudo, a estes portugueses, faz cada vez mais sentido lembrar a noite em que Portugal desertou das sombras e conheceu o dia, como Sofia de Mello Breyner tão bem eternizou: “Esta é a madrugada que eu esperava / O dia inicial inteiro e limpo / Onde emergimos da noite e do silêncio”.

Há um Portugal antes e depois de abril de 74. Mantenhamos vivo o espírito do 25 de abril. Viva Portugal! Viva a democracia!

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