Vila Verde

Falência do IEMinho: Câmara de Vila Verde despeja 41 empresas

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As 41 empresas que laboram no Instituto Empresarial do Minho (IEMinho) estão a ser intimadas a abandonar o espaço, uma vez que a Câmara de Vila Verde adquiriu o prédio e terrenos adjacentes e não o centro de incubação, declarado insolvente em 2018.

Foram intimadas a 14 de maio para sair do IEMinho as 41 empresas cuja atividade reside naquele espaço de incubação, situado na Rua do Conhecimento, nº 10, da freguesia de Soutelo, em Vila Verde.

De acordo com uma carta enviada aos empresários, a que o Semanário V teve acesso, o administrador da insolvência comunicou “a cessação do contrato de incubação que vigorava com a insolvente”, com efeitos a partir de 17 de junho, sendo que devem “proceder à entrega das chaves do espaço até à referida data”.

O documento, assinado pelo administrador da insolvência, Nuno Albuquerque, esclarece que a resolução se deve “à necessidade de desocupação do imóvel para efeitos de transmissão para o respetivo adquirente no âmbito da liquidação do ativo do processo”.

Tribunal de Contas autorizou “apenas a compra do edifício”

Em declarações ao Jornal de Notícias, citadas na edição impressa de 16 de maio, o presidente da Câmara de Vila Verde, António Vilela, que aprovou a compra do edifício e terrenos adjacentes por 851 mil euros, referiu que a autarquia não comprou o IEMinho, “até porque aquele organismo foi à falência”.

Vila Verde. Câmara gasta mais de 850 mil euros na compra do edifício da IEMinho

À mesma fonte, António Vilela especificou que o Tribunal de Contas exigia que a “aquisição seja feita sem quaisquer encargos para o Município, ou seja, autorizou a compra apenas do edifício” e disse também que após a escritura, marcada para 18 de junho, a autarquia vai nomear “uma equipa de gestão” para “elaborar os respetivos regulamentos de funcionamento e decidir qual o futuro a dar à infraestrutura”.

Reunião entre empresários e câmara de Vila Verde

Fonte próxima deste processo referiu ao Semanário V que iria decorrer esta tarde em Vila Verde uma reunião entre os empresários com espaços sediados naquele centro de incubação e a autarquia para que fossem prestados esclarecimentos e, possivelmente, encontrada uma solução para o imbróglio.

“Se é de bradar aos céus, também é criminoso”

Paulo Marques @ Semanário V

Em declarações ao V, Paulo Marques, vice-presidente da distrital de Braga do CDS-PP (e ex-líder do CDS-PP Vila Verde), mostrou indignação com a forma como o processo IEMinho está a ser conduzido pela autarquia: “Numa altura em que grande parte dos portugueses andam preocupados com o futuro e desesperadas por trabalho e emprego, o município de Vila Verde dá-se ao “luxo” de correr com 41 empresas do concelho. Se é de bradar aos céus, também é criminoso”. O também empresário considerou ser de “uma completa incompetência e irresponsabilidade, própria de quem não faz a mais pálida ideia do que é acordar todos os dias e criar riqueza, emprego, de ter de “inventar” formas de fazer dinheiro para ter uma vida digna. Se isto não é incompetência pura, não sei o que será”.

No que diz respeito ao IEMinho, Paulo Marques reafirmou que este é um dano colateral, “alvo e vítima de criminosos, numa vigarice de milhões com fundos europeus, que fez o Departamento Central de Investigação e Ação Penal acusar a instituição na rede de corrupção da AI Minho.”

AIMinho usava de influência junto de políticos para ganhar milhões de forma ilícita

O centrista apontou o dedo a António Vilela, edil de Vila Verde e a José Manuel Fernandes, eurodeputado e ex-autarca do mesmo concelho. “Vilela dizia pérolas como “Estamos em presença de um projeto de grande relevância para o concelho” ou “É um projeto que está a correr muito bem… Isso é o que mais nos motiva”. No fim, não sabia de nada, não viu nada, ninguém lhe disse nada, não quer saber de nada, isto, embora fosse um dos acionistas maioritários.” Sobre JMF, Paulo Marques disse ser “uma espécie de “guru” da gestão ruinosa de dinheiro públicos, em 2017 com o IE Minho a ser visitado pela PJ e elevadíssimos prejuízos consecutivos”. Em relação à AI Minho e o presidente desta extinta associação, António Marques, Paulo Marques relembrou que o eurodeputado de Vila Verde dava “os parabéns pelo trabalho realizado nestes 14 anos, que é um trabalho excelente” ou “aquilo que eu noto é que a Associação Industrial do Minho tem andado à frente de outras instituições, tem acompanhado o mundo”. “Meses depois a AI Minho faliu, num processo de fraude e roubo de 10 milhões.”, lamentou o antigo líder da concelhia do CDS-PP.

Ainda segundo esta matéria, e quanto à utilização do espaço, Paulo Marques deixa a sugestão, mas não se mostra confiante: “defendo, desde 2015, a criação de uma instituição de ensino superior agrário em Vila Verde. Ensino superior especializado (pequenos frutos, floresta autóctone, produção agrícola locais, etc) que permitam aos nossos jovens terem um futuro no seu território, aproveitando as suas potencialidades e conseguindo ter uma vida digna e de sucesso no seu concelho. O que acho que vai acontecer? Temo que venha aí mais uma empresa municipal, associação, cooperativa, ou algo do género, para meter uns “amigos submissos” e para acabar daqui a uns anos como a falida Proviver, que tanto prejuízo deu aos bolsos dos vila-verdenses. Isto é, antevejo mais um sorvedouro do dinheiro dos vila-verdenses, das mesas das famílias vila-verdenses. A ver vamos o que vai acontecer…”

SOBRE A DISSOLUÇÃO DA PROVIVER E.M.

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