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Dia da Defesa perdeu “o tocar e o mexer” mas quer continuar a aproximar jovens e Forças Armadas

(C) LUSA
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O Dia da Defesa Nacional em pandemia teve de abdicar de algumas atividades que implicavam “o tocar e o mexer” de outros anos, mas os militares continuam a querer aproximar as Forças Armadas dos mais jovens.

É pelas 9:00 da manhã que chegam à Base Aérea N.º5 de Monte Real, em Leiria, 135 jovens recolhidos em diferentes pontos da região por autocarros disponibilizados pela organização, com lotação reduzida.

A covid-19 já fez do distanciamento rotina e o Dia da Defesa Nacional não foge à regra: máscaras, apelos à distância, álcool-gel, medidores de temperatura, são elementos que passaram a fazer parte desta atividade cívica de caráter obrigatório, que visa sensibilizar os jovens que atingem a maioridade sobre a temática da Defesa Nacional e o papel das Forças Armadas, retomada em maio, depois de duas paragens forçadas pelo confinamento.

Feito o ‘check in’, os jovens são separados em grupos de 20 a 30 elementos, prontos para ‘rodar’ entre ‘estações’ nas quais decorrerão as diferentes atividades do dia.

Uma parte fica nos auditórios para as palestras sobre os três ramos das Forças Armadas, já os grupos 4 e 5 seguem para o hangar, onde o Sargento-ajudante Raúl Silva os espera junto a uma aeronave F-16, desafiando-os a ver o ‘cockpit’ um pouco mais de perto, mas sem tocar.

“Abdicámos, com muita pena nossa, mas tivemos que abdicar, daquilo que os jovens por vezes gostam mais: eles gostam de tocar, gostam de mexer, gostam de sentir esse tipo de experiências mas isso não era possível e portanto tivemos aí de cortar algumas dessas atividades e limitar-nos a olhar sem mexer, a ver, em vez de uma experiência, digamos, mais sensorial”, explicou à Lusa o Coronel Vítor Borlinhas.

“Aqui esta parte nem foi a ‘seca’ que eu estava à espera que fosse, até foi mais ou menos interessante”, confessou à porta do hangar Martina Matias, de 18 anos, que, apesar do tom de brincadeira, adiantou que admira o trabalho dos militares “porque não é qualquer um que consegue fazer disto vida”.

Depois de visitar o ‘cockpit’ e apesar de ainda agora ter começado, para o Tiago Teixeira, de 18 anos, o dia “está a ser espetacular” e uma “experiência bastante enriquecedora”, adiantando que “se os estudos não correrem assim tão bem” as Forças Armadas são uma opção.

A mesma ideia é repetida pelo amigo Tiago Pereira, 19 anos, que gostava de ter essa experiência “pelo menos um mesinho” para “ver como é”.

De acordo com dados da Direção-Geral de Recursos da Defesa Nacional, cerca de 40% dos jovens que frequentaram o DDN em 2020 mostraram um “interesse genérico” no ingresso nas Forças Armadas. No entanto, por acharem que nesta instituição não podem continuar os seus estudos, alguns jovens acabam por afastar esta hipótese.

“A prestação de serviço militar é compatível com o prosseguimento de estudos em qualquer área, até porque as profissões exercidas durante o percurso militar poderão não ter paralelismo direto com o mercado de trabalho civil e, portanto, pretende-se que esse apoio ao incremento de qualificações seja uma forma de garantir uma transição/reinserção profissional bem sucedida, após o período nas fileiras”, explicou à Lusa o Coronel Vítor Borlinhas.

Segundo a lei, os militares podem solicitar, por exemplo, a concessão do estatuto de trabalhador-estudante, sendo dispensados até oito horas semanais “se assim o exigir o respetivo horário escolar”, mas com algumas especificidades decorrentes da condição militar: não há lugar à aplicação deste estatuto durante a instrução militar, a frequência de ações de formação de natureza técnico-militar ou no cumprimento de algumas missões.

Ainda à porta do hangar, Margarida Joaquim, 18 anos, diz que os militares “são pessoas que contribuem para o bem-estar do país”, que “estão lá” para ajudar nas situações de necessidade. Para Tomás Catarino, 18 anos, que confessa não ter interesse numa carreira militar, a pandemia ajudou a perceber melhor as funções das Forças Armadas em sociedade.

“Criámos um módulo em termos de palestras que tem essencialmente a ver com isso, tem a ver com o papel que as FA desempenharam nesta pandemia e que foi relevante. Eles próprios dão-nos esse feedback em termos da relevância do papel das FA no apoio à população, em todo o desenrolar da pandemia”, adiantou o Coronel Vítor Borlinhas.

As novas regras, definidas em colaboração com a Direção-Geral da Saúde (DGS), já tinham sido postas em prática entre setembro e novembro de 2020, altura em que as atividades foram retomadas antes de serem de novo suspensas, mas o Coronel aponta para um retorno positivo, apesar das limitações.

“Cerca de 85% dos jovens que estão convocados aparecem no dia da Dia da Defesa Nacional, e desses 85% que comparecem, nós temos tido sempre um número muito substancial, diria que à volta dos 70% dos jovens que gostam ou gostam muito do DDN”, adiantou.

Estes dados são recolhidos no final do dia, altura em que os jovens preenchem um questionário. Também este momento teve que ser adaptado à covid-19: o número de ‘tablets’ para responder às perguntas foi aumentado e criado um ‘QR Code’, que possibilita o preenchimento do questionário no telemóvel.

A 17.ª edição do dia da Defesa Nacional vai contar com 89.584 jovens com mais de 18 anos, de 03 de maio a 17 de dezembro de 2021, em várias unidades militares do território continental e ilhas.

Atualmente decorre em Vendas Novas, Monte Real, Funchal, Gaia e Chaves. Mais de 1,2 milhões de jovens participou nesta iniciativa desde que foi criada, em 2004.

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