Vila Verde

Vila Verde. Socialistas abstêm-se na votação de contas

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O executivo municipal aprovou a prestação de contas referentes ao ano 2020, com receita arrecadada na ordem dos 35.58 milhões de euros. Os vereadores da oposição socialista abstiveram-se na votação por considerarem haver “incapacidade crónica” em melhorar as condições de vida para os vila-verdenses

A câmara de Vila Verde aprovou, em sede de reunião do executivo, a prestação de contas de 2020, documento onde se atesta que o “panorama financeiro permitiu que a câmara cumprisse com as suas obrigações pagando aos seus fornecedores em prazos reduzidos”  e que através de “gestão financeira rigorosa e sustentada” se implementaram “importantes projetos”.

No documento da prestação de contas, é referido que “o total da receita arrecadada ascendeu a 35.582421 euros, cerca de 90% face ao total de receita prevista (39.388.521 euros)”.

Na mesma reunião, os eleitos pelo Partido Socialista (José Morais, Luís Castro e Cláudia Pinto) abstiveram-se por considerarem que os números “mais uma vez demonstram uma incapacidade crónica do Executivo de oferecer melhores condições de vida para os vila-verdenses, de colocar o concelho na senda do desenvolvimento, muito diferente da propaganda oficial com que fomos brindados ao longo todos estes anos de liderança social-democrata”.

Em comunicado enviado ao Semanário V, os vereadores socialistas referem que “procuram ser uma oposição responsável e consciente da necessidade de investimento no concelho” e que por isso têm votado “favoravelmente todas as decisões de investimento em infraestruturas de abastecimento de água, saneamento, vias rodoviárias e outras”.

Na mesma missiva, os socialistas lembram que, em anos de “experiência da análise dos diversos documentos de prestação de contas” nunca foram “surpreendidos pelo baixo nível de execução da despesa de capital e da receita de capital”.

“Na votação dos diversos orçamentos fizemos sempre referência para o risco de incapacidade de executar o nível de investimento a que se propunha. Este ano, uma vez mais sem causar surpresa porque alertamos aquando da apresentação do orçamento, o nível de execução da despesa de capital foi de 55 % e da receita de capital foi de 51,97%”, relembram os vereadores da oposição.

No documento de prestação de contas, a autarquia justifica que o desempenho “menos positivo do lado da despesa de capital” se deve “particularmente, aos fortes constrangimentos da atividade em geral e das atividades económicas em particular vividos no ano em apreço como resultado da pandemia”.

A câmara aponta ainda para o setor da construção civil, uma vez que “particularmente as empreitadas para a realização de obras de construção civil sofreram impactos significativos com as empresas a denotar grandes dificuldades para a sua concretização muito por força das medidas sanitárias que tiveram de implementar bem como uma generalizada dificuldade em aceder a materiais necessários para a execução das obras, dadas as manifestas dificuldades no funcionamento dos mercados”.

O PS refuta as justificações do executivo com incredulidade, mencionando o facto de o relatório apontar “como principal motivo para este desempenho que apelida de “menos positivo” uma redução de quase 50% no investimento, os constrangimentos causados pela pandemia”.

Sobre o setor da construção civil, os socialistas referem que “a pandemia de facto afetou o setor” mas “segundo os dados oficiais não provocou abrandamentos de quase 50% nesse setor. Aliás, segundo estudos recentes, grande parte das empresas de construção civil conseguiram manter níveis de atividade muito idênticos aos anos anteriores”.

A vereação do PS indica outra lacuna: “a falta de um projeto de futuro para o concelho. Limitam-se ao longo dos mandatos a gerir as finanças numa ótica de equilíbrio das despesas correntes em função das receitas correntes”.

O comunicado de José Morais, Luís Castro e Cláudia Pinto aponta o dedo ao executivo devido aos processos judiciais que têm pairado por Vila Verde. Referem “os constrangimentos que esta situação provoca na imagem do Município em particular e de uma forma geral em todo o concelho de Vila Verde. Esta situação já provoca graves constrangimentos em termos financeiros, que poderiam ser ainda maiores se numa ótica de prudência fossem constituídas provisões realistas face à gravidade dos processos”.

Para o PS, os processos judiciais são “mais uma marca” do executivo vigente, com “sucessivos mandatos marcados por casos e conflitos que nunca foram resolvidos”. A vereação da oposição relembra ter perguntado a António Vilela se seria a herança que queria deixar mas recorda também ter tido “sempre o silêncio como resposta. Nunca foi capaz de admitir a gravidade da situação e hoje já não voltamos a perguntar, hoje podemos afirmar, este Executivo vai deixar uma herança que terá um forte impacto na estrutura financeira do Município, que vai condicionar fortemente o desenvolvimento do concelho”.

Os socialistas pedem “reflexão” e “autocrítica por parte de quem está na liderança de um concelho” para “evitar que erros do passado não voltem a ser cometidos”, já que “quem tem responsabilidades autárquicas deve ter uma visão mais arrojada na componente investimento, capaz de apresentar projetos para o concelho que envolvam a sociedade civil e investidores privados. Unir todos em torno do desenvolvimento da nossa terra”.

 

Comunicado do PS na íntegra:

Ao longo de todos os mandatos, os eleitos do Partido Socialista procuram ser uma oposição responsável e consciente da necessidade de investimento no concelho, que consideramos devem ser orientados para as necessidades da população, procurando proporcionar a todos os Vilaverdenses melhor qualidade de vida.

Por isso temos votado favoravelmente todas as decisões de investimento em infraestruturas de abastecimento de água, saneamento, vias rodoviárias e outras.

Nos anos que levamos de experiência da análise dos diversos documentos de prestação de contas apresentados pelo Executivo da Câmara Municipal de Vila Verde nunca fomos surpreendidos pelo baixo nível de execução da despesa de capital e da receita de capital.

Na votação dos diversos orçamentos fizemos sempre referência para o risco de incapacidade de executar o nível de investimento a que se propunha. Este ano, uma vez mais sem causar surpresa porque alertamos aquando da apresentação do orçamento, o nível de execução da despesa de capital foi de 55 % e da receita de capital foi de 51,97%.

Os números mais uma vez demonstram uma incapacidade crónica do Executivo de oferecer melhores condições de vida para os Vilaverdenses, de colocar o concelho na senda do desenvolvimento, muito diferente da propaganda oficial com que fomos brindados ao longo todos estes anos de liderança social-democrata.

Este relatório aponta como principal motivo para este desempenho que apelida de “menos positivo” uma redução de quase 50% no investimento, os constrangimentos causados pela pandemia!

A pandemia de facto afetou o setor da construção civil, mas segundo os dados oficiais não provocou abrandamentos de quase 50% nesse setor. Aliás, segundo estudos recentes, grande parte das empresas de construção civil conseguiram manter níveis de atividade muito idênticos aos anos anteriores.

Estas contas reflete ainda outra lacuna: a falta de um projeto de futuro para o concelho. Limitam-se ao longo dos mandatos a gerir as finanças numa ótica de equilíbrio das despesas correntes em função das receitas correntes.

Processos judiciais

Não queríamos ser repetitivos em relação aos anos anteriores mas o problema mantém-se e mais uma vez não podemos deixar de referir os constrangimentos que esta situação provoca na imagem do Município em particular e de uma forma geral em todo o concelho de Vila Verde. Esta situação já provoca graves constrangimentos em termos financeiros, que poderiam ser ainda maiores se numa ótica de prudência fossem constituídas provisões realistas face à gravidade dos processos.

Esta é mais uma marca deste Executivo, sucessivos mandatos marcados por casos e conflitos que nunca foram resolvidos. No passado perguntávamos se era esta a herança que o Dr. António Vilela queria deixar, tivemos sempre o silêncio como resposta, nunca foi capaz de admitir a gravidade da situação e hoje já não voltamos a perguntar, hoje podemos afirmar, este Executivo vai deixar uma herança que terá um forte impacto na estrutura financeira do Município, que vai condicionar fortemente o desenvolvimento do concelho.

Conclusão

Quem tem responsabilidades autárquicas deve ter uma visão mais arrojada na componente investimento, capaz de apresentar projetos para o concelho que envolvam a sociedade civil e investidores privados. Unir todos em torno do desenvolvimento da nossa terra.

Reflitam se é isso que têm feito.

Reflitam.

O fim de ciclo que se aproxima deve ser de reflexão, de autocrítica por parte de quem está na liderança de um concelho no sentido de evitar que erros do passado não voltem a ser cometidos.

Por esse motivo, abstemo-nos na aprovação destas contas.

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