Vila Verde

“Fernandistas” VS “Vilelistas”. Guerra aberta nos Bombeiros de Vila Verde

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Paulo Renato, presidente da Direção da AHBVV, é acusado pela secretária da Direção, Helena Barros, de tentar coagir a alterar a ata do processo infligido a uma administrativa com 34 anos de casa.

Paulo Renato, presidente da Direção da AHBVV, é acusado pela secretária da Direção, Helena Barros, de tentar coagir a alterar a ata do processo infligido a uma administrativa com 34 anos de casa.

O verniz estalou há já algum tempo na Direção dos Bombeiros Voluntários de Vila Verde mas só agora é que a polémica estalou em público, através de notícia publicada num diário nacional.
De acordo com a edição impressa de hoje do Jornal de Notícias, há um “clima de tensão” entre “os responsáveis da Direção da associação humanitária” que se reuniram anteontem. Em causa está um processo disciplinar que, lembra o matutino, foi “instaurado à funcionária mais antiga dos Bombeiros Voluntários de Vila Verde”. Trata-se de Lurdes Calais, administrativa há 34 anos naquela instituição.

Alegadamente, a secretária da Direção da AHBVV, Helena Barros (atual membro da comissão política concelhia do PSD), acusa o presidente, Paulo Renato (chefe de gabinete António Vilela, presidente da autarquia vila-verdense), de querer “alterar uma ata sobre o procedimento disciplinar” instaurado à referida administrativa. Em declarações ao JN, Helena Barros disse ter sido “convidada a sair de uma reunião, logo no início, por causa de uma ata que o senhor presidente não aceita”. A secretária da Direção revelou àquele jornal que em causa está o facto de a ata ter ido a votação, ter “os nomes de quem votou a favor e contra” e de Paulo Renato não querer o nome envolvido na ata. Ao que tudo indica, o presidente da Direção dos Bombeiros nem poderia participar na votação, uma vez que é testemunha no processo.

Helena Barros, disse ao JN que há “uma perseguição a esta funcionária” e que na origem do processo disciplinar terá estado uma discussão entre a administrativa e outro colega da secretaria e que Paulo Renato terá tomado partido do colega. Referiu ainda que até à tomada de posse, há três anos, desta Direção, Lurdes Calais “nunca entrou em conflito com ninguém”.

A notícia já despoletou várias reações nas redes sociais. Foi amplamente partilhada e houve quem tornasse pública a opinião. Caso do antigo vice-presidente da Direção da AHBVV, José Lago que, numa publicação na rede social Facebook, louvou a atitude da secretária da Direção “perante a prepotência quiçá ditatorial do seu Presidente da Direção”. Disse ainda que “Vila Verde já se está a movimentar e não admite que um qualquer ator” coloque em causa “a honestidade” dos vila-verdenses.

José Lago relembrou que Lurdes Calais “trabalhou em várias direções”, inclusive com o próprio durante “mais de 15 anos em vários cargos diretivos” e que ninguém “tem razão de queixa da funcionária que ele quer penalizada severamente”. Apontou ainda o dedo a Paulo Renato por querer fazer de Helena Barros “pau mandado” e deixou a pergunta no ar: “O que é que o move contra ela?”

A novela política que corre nas esquinas do concelho – “Fernandistas” vs “Vilelistas”

Helena Barros é conhecida pela sua ‘simpatia política’ a José Manuel Fernandes, eurodeputado e marido de Júlia Fernandes, atual candidata à presidência da autarquia para as eleições autárquicas deste ano. Já Paulo Renato anda de braço dado a António Vilela.

Uma fonte ligada aos bombeiros diz que Paulo Renato e Luís Morais – comandante em exercício – andam em rota de colisão já há muito tempo. Outra fonte garante ao Semanário V que está já a ser preparada uma lista com vista às próximas eleições da direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Verde e que esta é já uma estratégia “fernandista.”

AHBVV emite nota de esclarecimento

Entretanto, perante os factos apresentados, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Verde emitiu um esclarecimento em que reforça que se rege “por regras e regulamentos internos que a Direção tem por obrigação fazer cumprir”. “Uma qualquer alteração da ordem e disciplina internas deve ser analisada com a máxima ponderação e equilíbrio” pela Direção, “no respeito integral pelas regras e regulamentos da Instituição”, aponta a nota, reforçando que a abertura de um processo de inquérito ou de uma nota de culpa após incidentes entre colaboradores da instituição é analisada e ponderada “com o máximo rigor e no respeito integral pelas regras em vigor”.

A Direção presidida por Paulo Renato reprime a forma como o “incidente” foi tornado público, uma vez que, considera, “parte de uma base e pressupostos errados, omitindo o que realmente está no cerne da questão, antecipando – erradamente – eventuais tomadas de posição futuras, quando o que está em causa é garantir a estabilidade e disciplina internas fundadas nos seus regulamentos”.

Na mesma nota, a Direção dos Bombeiros destaca que o processo de inquérito e a nota de culpa foram elaborados “por um causídico externo à Instituição, fundamentado em factos e não em (arte)factos, afastado de qualquer pressão e/ou afinidades pessoais” e que os direitos e deveres dos funcionários e colaboradores da AHBVV “devem ser considerados na mesma escala de importância e proporção”. Ressalva que o processo de inquérito e a nota de culpa foram analisados favoravelmente “pela maioria clara dos membros da Direcção e não em função do livre arbítrio do Presidente da Instituição”.

Aquela Direção aponta o dedo a Helena Barros, uma vez que as “questões internas devem ser resolvidas internamente e não levadas à “praça pública” como forma de pressão sobre quem tem a responsabilidade de assegurar a estabilidade geral de uma Instituição muito importante no apoio, defesa e proteção da população do concelho”, mas reforça a convicção de que “a tomada de qualquer decisão terá que respeitar as regras e regulamentos da Instituição”.

Paulo Renato diz que a situação está a “ser pessoalizada” quando em causa “apenas” está “o respeito pelos regulamentos internos e o seu cumprimento” e finaliza: “Sem cenários que não existem, quadros futuros que não importam sequer colocar em consideração e perseguições que não passam de mera imaginação.”

 

Nota de Esclarecimento da Direção dos Bombeiros Voluntários de Vila Verde:

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