Vila Verde

Mulher com incapacidade de 94% sem acesso à sua habitação no centro de Vila Verde

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O Largo Professor Eliseu, atrás da capela de Stº António em Vila Verde, desde sempre, tem sido um espaço onde o estacionamento abusivo tem proliferado por funcionários do comércio local, entre outros, que fogem desenfreadamente ao estacionamento pago do centro da Vila, pelo que usam este largo para deixarem as suas viaturas estacionadas durante todo o dia.

Moradores manifestam-se na Câmara contra esta situação

Dado que a situação se tornou insustentável, vários moradores, segundo comunicado, indignados, decidiram manifestar a situação, há dois anos, através de um manifesto que fora assinado por todos e entregue na Câmara Municipal. Diariamente, os moradores deparam-se com inúmeras dificuldades em passar com os seus veículos para as suas habitações, tendo já havido danos nas suas viaturas.

Este caso agrava-se, sobretudo, para uma moradora que, na sequência de um acidente grave há dois anos e meio, ficou a padecer de limitações motoras acentuadas, com graves dificuldades de locomoção, tendo-lhe sido atribuído um grau de incapacidade de 94%. Face a este panorama constrangedor, a vilaverdense precisa, irremediavelmente, de ajuda de terceiros para tarefas básicas do quotidiano, ou seja, necessita da ajuda constante dos seus filhos para lhe fazer as refeições, para a levar à fisioterapia, ajuda no banho, etc.
De referir que a Travessa do Outeirinho é estreita, pelo que os carros dos seus familiares têm de ficar, obrigatoriamente, estacionados por trás da capela para a poder levar a consultas e à fisioterapia quase diária. “Escusado será dizer que necessita de ser transportada até ao carro numa cadeira de rodas que, por sua vez, não desliza naquele pavimento ingrime. O caso fora manifestamente anunciado na autarquia local que ignorou e não demonstrou qualquer sensibilidade por uma pessoa com deficiência. Acresce o facto de que tinha direito a uma ambulância, mas como o caminho não tem espaço suficiente para chegar à sua habitação, os familiares optam por assumir essa canseira”, escreve a denúncia em comunicado.

Família tentou conter construção do edifício da “Apartimo”

“A este propósito, poder-se-ia levantar uma questão gravíssima, já que desde há catorze anos, aquando da construção do Edifício Apartimo, a família insurgiu-se contra esse “monstro”, na medida em que, inacreditavelmente, o mesmo fora construído em cima do caminho público sem ter sido garantido o procedimento legal; quer dizer, a família alertou, na altura, para a eventualidade de haver um incêndio, para a necessidade de uma ambulância ter de ir à habitação, mas fora completamente negligenciada e até mal considerada. Ironia do destino, a mesma família que tinha alertado para esta hipotética situação, vê-se agora confrontada com ela e, pior do que isso, não tem onde estacionar o carro nem do lado da igreja (estacionamento pago), nem do lado da capela (estacionamento abusivo pelos não moradores)”, escreve o denunciante.

Perante tais vicissitudes, os filhos têm, incansavelmente, solicitado junto da Câmara Municipal, um lugar de estacionamento reservado a deficientes, ou como alternativa, proibir o estacionamento no local com exceção dos moradores. Após tanta insistência para que houvesse uma solução para este problema (afinal, trata-se de uma pessoa com deficiência), a família ficou estupefacta e incrédula com a colocação recente de um sinal vertical de proibição de estacionamento (designado C15) à entrada do largo, sem qualquer placa adicional, ou seja, passou a ser proibido estacionar para todos os condutores sem exceção.

Auto aos filhos da moradora com dificuldades

No dia 5 de julho, dois carros dos filhos desta moradora encontravam-se estacionados no largo da capela de Stº António, uma vez que se tinham deslocado à habitação da sua mãe para lhe prestar cuidados inadiáveis. Surpreendentemente, nesse dia, tinham sido ambos autuados, denotando aparentemente um ato de vingança sob o lema “eu quero, eu posso, eu mando”. “Desde então, os filhos dessa moradora passaram a estacionar os veículos na rua Camões e junto ao Centro de Saúde, na medida em que o sinal proíbe a todos o estacionamento. Estranhamente, desde então, continuam a estacionar carros no largo da capela de Stº António e os Senhores Fiscais deixaram de fazer a sua intervenção, caso para dizer: no espaço, procede-se a uma autuação cirúrgica, calculista e vingativa. Onde está a sensibilidade por uma pessoa com deficiência? A moradora não pode viver na sua habitação como pretende? Nas freguesias, alargam-se caminhos, no centro de Vila Verde fecham-nos!
Alerta aos vilaverdenses: se precisares da autarquia para solucionar algum problema, não o manifestes porque vais ficar certamente pior do que estavas”, refere o comunicado, lançando farpa à Câmara Municipal.

Concluindo, VILA VERDE NO SEU PIOR!

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