Vila Verde

Vila Verde. Luta por “cadeiras” deixa Esquível perdido num PS à nora

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No mês passado, fez-se fumo branco no conturbado seio dos socialistas em Vila Verde, mas a decisão não é consensual. O atual presidente da junta de freguesia de Cabanelas, António Esquível Gomes, é o eleito para as autárquicas, mas há quem fale em “Cavalo de Tróia”, até porque há relações comerciais entre a empresa de Esquível e o município.

É o culminar de meses conturbados, que começaram com a demissão, em janeiro, de Samuel Estrada da liderança da concelhia do partido. Seguiu-se, em fevereiro, o anúncio da não-disponibilidade por parte do [ainda] vereador José Morais, ele que também se demitiu da comissão política e foi o candidato em 2017.

Entretanto, foram surgido alguns nomes que nunca se chegaram a confirmar e foi eleita uma Comissão Administrativa, aprovada pela Federação Distrital de Braga do PS e encabeçada por Aires Fumega, Conceição Alves e Samuel Estrada.

Foi numa reunião dessa mesma comissão que surgiu, na noite de 9 de junho, o nome de António Esquível Gomes, histórico socialista do concelho e que termina a caminhada como presidente da junta de freguesia de Cabanelas, no sul de Vila Verde.

Jorge (nome fictício) é um militante socialista no concelho de Vila Verde, que mostra-se “incrédulo” com o que se está a passar em Vila Verde. Prefere manter o anonimato, com medo de represálias no próprio partido.

Jorge garante que António Esquível está a ter enormes dificuldades em fechar listas nas freguesias, com vista às eleições autárquicas deste ano. “Esquível está a ter muitas dificuldades em fechar listas nas freguesias. Continua sem candidatos em Vila Verde, Prado, Vade e Ribeira do Neiva”, diz Jorge. Adianta ainda que “está sem cabeça de lista para a assembleia municipal, sendo que se comenta que Alberto Nídio terá recusado encabeçar a lista. Conceição Alves é uma opção”, garante.

Luta por “cadeiras” deixa Esquível perdido num PS à nora

Samuel Estrada queria ocupar o segundo lugar na lista à Câmara Municipal, mas o “Departamento Concelhio das Mulheres Socialistas indicou o nome de Manuela Machado, antiga vereadora.”

“O Secretário geral do PS deu orientações para que houvesse paridade 50/50. Se o primeiro for homem o segundo deve ser mulher, e isso abriu nova polémica. Joaquim Barreto [líder da distrital] não aceita Manuela Machado em número dois e está a forçar Isabel Pinheiro [De Oliveira], atualmente nomeada vice-diretora do IEFP Braga.”

Filipe… where are you?

Filipe Silva, autarca de Soutelo e administrador-executivo nas Águas do Norte, cargo para o qual foi nomeado pelo governo socialista em 2017, parece ter-se afastado definitivamente de um esperado “resultado desastroso”, apesar de no final do ano passado ter formalizado por escrito, via e-mail (que o Semanário V teve acesso) a sua candidatura junto da Comissão Política do PS.

“Manifesto total disponibilidade para encabeçar a lista do Partido Socialista a candidatar à Câmara Municipal de Vila Verde nas eleições autárquicas de 2021”, escreveu o autarca. Relembrou ainda a sua “qualidade de militante do partido socialista e de autarca eleito em três mandatos consecutivos, com maioria absoluta como presidente da Junta de Freguesia de Soutelo, uma das maiores freguesias do concelho de Vila Verde, o que, em toda a sua envolvência me confere a capacitação administrativa e política para desempenhar com eficiência o cargo para que agora me disponibilizo.” Filipe Silva confirmou ao V a autenticidade do e-mail dizendo ainda que “toda a gente estava a apostar que Luís Filipe Silva (LFS) fosse candidato. E isso só cai no momento que LFS cai. Numa reunião LFS tinha de dizer se sim, ou se não. Foi na reunião que o Samuel se demitiu, e depois daí muda tudo.”

Segundo Jorge, Filipe Silva afasta-se mas também ele tenta “impor Isabel Oliveira como número dois. São ambos os protegidos de Barreto.”

Esquível, um candidato fragilizado logo à partida

Esquível surge assim como um candidato à Câmara fragilizado, com várias personalidades socialistas a recusarem integrar na sua lista quer à Câmara quer para a Assembleia Municipal. Mantém, no entanto, o apoio da ala barretista: Alberto Nídio, Tuta e Carmo Faria, Filipe Silva e João Silva, irmão deste.

Segundo o V conseguiu apurar, a lista provável dos socialistas à Câmara Municipal será: António Esquível, Isabel Pinheiro e Samuel Estrada. Para Jorge, “no melhor dos cenários o PS consegue eleger apenas dois vereadores. Resultado muito aquém do obtido por Luís Filipe Silva em 2013 e José Morais em 2017.”

Jorge não tem dúvidas: “a dificuldade de mobilizar a máquina socialista nestas autárquicas prende-se com o facto de Esquível ser visto como um aliado do PSD, incapaz de fazer oposição à gestão social-democrata. Nos últimos anos na Assembleia Municipal, Esquível votou sempre a favor dos Orçamentos e Contas Municipais, quando o PS votou contra.”

Deolinda Pimenta: “Foi Manuela Machado que colheu consenso dentro das Mulheres Socialistas”

Deolinda Pimenta, presidente do Departamento Concelhio das Mulheres Socialistas, em declarações em exclusivo ao Semanário V, diz terem dado indicações a António Esquível para que Manuela Machado fosse a indicada para número dois, na lista à Câmara. “O nome da Manuela Machado foi bem acolhido por todos os elementos da Comissão Administrativa (CA)”, diz. Adianta ainda que enviou um “e-mail para o presidente da CA” e também fez “chegar à reunião da CA a nossa proposta, pela mão da professora Conceição Alves que é a número três da Comissão Política das Mulheres Socialistas.”

Rasgados elogios não faltaram à antiga vereadora: “o feedback que tive foi que o nome da drª Manuela Machado foi bem acolhido, pela experiência como vereadora, pela terra que ela que representa, Prado, que é a freguesia com mais votos e que ela é muito bem vista e aceite por toda a população. A escolha foi pela pessoa em si e o que ela representa. Foi também mandatária na eleição das Mulheres Socialistas a nível distrital, Anabela Real.”

Diz Deolinda que Manuela Machado “é uma pessoa com muita intervenção dentro do partido e na sociedade. Como médica, está sempre muito próxima dos doentes. É uma pessoa que respeitamos muito e colheu consenso dentro das Mulheres Socialistas. Foi o nome dela que colheu consenso!”

“Cabe a ele [António Esquível] aceitar ou não.”, diz Deolinda Pimenta.

Divergências no partido foram ultrapassadas pelo surgimento da candidatura de Esquível. Objetivo é ganhar a Câmara

Em entrevista a um “jornal” local, Esquível é perentório quando fala no objetivo da sua candidatura: “Só pode ser para ganhar.” Diz ainda que o PS é a “alternativa ao poder do PSD instalado há 24 anos” no concelho.

Esquível nega clima conturbado no PS de Vila Verde, dizendo apenas que “houve um momento de decisões e de muito trabalho em prol do concelho” e que as “chamadas divergências foram ultrapassadas pelo surgimento” da sua candidatura.

Ao mesmo “jornal”, curiosamente, o candidato socialista recusa apontar o dedo à gestão autárquica social-democrata, liderada por António Vilela. “Não estamos para apontar defeitos a ninguém!”

País. PS vai concorrer sozinho em 95% dos concelhos e integra seis coligações para as autárquicas

Socialistas vão concorrer em coligação nos municípios de Aveiro, Cascais, Funchal, Maia, Felgueiras e Penafiel.

O PS anunciou esta no início do mês que vai concorrer sozinho nas próximas eleições autárquicas em 95% dos municípios, integrará seis coligações e vai apoiar grupos de cidadãos em oito concelhos, apresentando 51 candidatos independentes a presidências de câmaras.

Segundo o secretário-geral adjunto do PS, José Luís Carneiro, os socialistas vão concorrer em coligação nos municípios de Aveiro, Cascais, Funchal, Maia, Felgueiras e Penafiel, tendo como objetivo eleitoral nacional manter as presidências das associações Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP) e de Freguesias (ANAFRE).

“Queremos continuar a ser o partido maioritário nas câmaras e nas freguesias”, referiu.

Numa sessão em que a direção dos socialistas apresentou as linhas gerais do seu programa político e o perfil dos candidatos que vão concorrer nos diferentes municípios, os dados quantitativos de quem concorre a presidências de câmaras foram primeiro divulgados pela secretária nacional do PS para as autarquias, Maria da Luz Rosinha.

Maria da Luz Rosinha disse que o PS já fechou os processos autárquicos de escolha de candidatos a presidentes em 302 concelhos e ainda não definiu em seis dos 308 municípios – um ponto que o secretário-geral adjunto dos socialistas não quis depois detalhar, alegando razões de estratégia eleitoral.

Nas próximas eleições autárquicas, o PS vai recandidatar 134 dos seus atuais presidentes de câmaras, 44,4% do total.

Em relação ao perfil dos restantes candidatos que não são presidentes de câmaras, 16 são deputados (5,3%), 70 desempenham cargos autárquicos (23,2%), e 82% não têm qualquer atividade política – um dado que foi depois salientado por José Luís Carneiro, defendendo que se trata de um reflexo “da abertura do PS à sociedade civil”.

Em termos de paridade, no que respeita a candidaturas a presidências de câmaras, José Luís Carneiro reconheceu a existência de “obstáculos de ordem económica, social e cultural” no caminho para a plena igualdade de género. Antes, Maria da Luz Rosinha tinha apontado “uma evolução positiva” dos socialistas em relação a esta temática.

De acordo com a secretária nacional do PS para as autarquias, nas eleições de 2013 o seu partido apresentou 29 candidatas, das quais 13 foram eleitas – número que subiu para 42 no ato eleitoral de 2017, com a eleição de 18 mulheres.

Nas próximas eleições autárquicas, o PS vai apresentar 44 candidatas a presidentes de câmara, das quais 16 são recandidatas.

No que concerne às idades dos candidatos a presidentes de câmaras pelo PS, a média é de 52,5 anos, tendo 62,5% até aos 55 anos. Já no que respeita a habilitações literárias, 65,8% têm mais do que a licenciatura, 10,2% possuem mestrado e 3,4% doutoramento.

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