Vila Verde

Deolinda Pimenta: “O PS não se impôs às estruturas que prejudicaram o partido [Joaquim Barreto]”

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Deolinda Pimenta, presidente do Departamento Concelhio das Mulheres Socialistas, fala em exclusivo ao Semanário V do panorama político atual em Vila Verde. As próximas eleições autárquicas já mexem em Vila Verde há algum tempo. No Partido Socialista há baixas a serem notadas nos últimos meses, que começaram com a demissão, em janeiro, de Samuel Estrada da liderança da concelhia do partido. Seguiu-se, em fevereiro, o anúncio da não-disponibilidade por parte do [ainda] vereador José Morais, ele que também se demitiu da comissão política e foi o candidato em 2017.

Entretanto, foram surgido alguns nomes que nunca se chegaram a confirmar e foi eleita uma Comissão Administrativa, aprovada pela Federação Distrital de Braga do PS e encabeçada por Aires Fumega, Conceição Alves e Samuel Estrada.

Foi numa reunião dessa mesma comissão que surgiu, na noite de 9 de junho, o nome de António Esquível Gomes, histórico socialista do concelho e que termina a caminhada como presidente da junta de freguesia de Cabanelas, no sul de Vila Verde.

O que se está a passar no PS de Vila Verde? O partido sempre teve uma oposição ativa e forte nos últimos oito anos. José Morais não é candidato, Samuel Estrada afasta-se também, entre outras “trapalhadas” que temos assistido…

O Partido Socialista durante oito anos foi um partido com oposição forte ao poder local e também organizou-se, criou novas estruturas e representantes em todas as freguesias. Foram oito anos de muito trabalho. Nós partimos de umas votações sempre abaixo da média e conseguimos, mesmo a nível nacional, sempre uma excelente votação.

O partido, durante oito anos, esteve motivado, à volta de um projeto forte e ganhador. De repente, as coisas mudaram, não por falta de empenho dos vila-verdenses, mas houve talvez outras estruturas do partido, não a nível local, que prejudicaram Vila Verde. O partido a nível local, não se impôs a essas estruturas que prejudicaram o partido.”

Está a falar da Federação Distrital de Braga, liderada por Joaquim Barreto?

Sim, sim! O Partido Socialista em Vila Verde não reagiu. Deveria sim ter reunido todas as suas tropas e ter dito ‘meus amigos em Vila Verde somos nós que escolhemos o candidato e não admitimos interferências’. Não fizeram isso, não fizemos isso. Eu pessoalmente fiz, mas não chegou, porque já há muito tempo que percebia o que se estava aí a passar. Portanto, nós tínhamos o candidato e nas nossas costas andavam a convidar outras pessoas para serem candidatas à Câmara. Era preciso ter reunido e dizer ‘nós é que escolhemos’, está nos estatutos do partido que quem escolhe o candidato à Câmara é a Concelhia, esse nome é enviado à Distrital, a Distrital normalmente aceita, e o Secretário-Geral pode eventualmente não aceitar, mas nada nos dizia que o nome não iria ser aceite pela Nacional.

Na minha opinião, o candidato natural de Vila Verde, todos sabemos quem era, foi abandonado pela Distrital e pelo PS local.

Está a falar de José Morais?

– Com certeza

Houve consenso na escolha de António Esquível como candidato do PS à Câmara Municipal?

Tinha que se encontrar um candidato e alguém que se dispusesse a ser candidato. O Esquível disponibilizou-se, outras pessoas também foram convidadas… e pronto. Tínhamos de ter alguém.

Nas Assembleias Municipais Esquível “vota sempre contrário” ao PS…

Não é só ele! Temos outros membros do Partido Socialista também a votar contra nas opções de voto. Relativamente a isso, o Esquível é presidente de junta de uma freguesia, e às vezes, não sei, seria a intenção dele de não prejudicar os seus cidadãos nem a sua freguesia, e por isso por vezes votar ao lado do PSD. Mas não sei. Não sei o que faria no lugar do Esquível se eu fosse presidente de junta, talvez às vezes para não prejudicar a minha freguesia… Considero muito mais grave um membro da Assembleia Municipal eleito pelo PS abster-se a votar, a favor ou contra, do que o presidente de junta.

Relativamente à análise à gestão autárquica do PSD, Esquível diz que “não estamos para apontar o dedo a ninguém.” Vai ser esta a luta partidária que vamos ter em Vila Verde? Esquível não vai fazer oposição?

O candidato vai ter de encontrar uma forma de fazer oposição. Na oposição pode dizer o que está mal, mas também pode dizer o que está bem. Se ele não fizer oposição, será muito mau para Vila Verde. Em democracia, há aqueles que estão no poder e há os outros que estão na oposição, que dizem se estão contra ou a favor do que se está a fazer, apresentam propostas… Senão não havia democracia, não era preciso haver eleições, se forem para lá todos concordar uns com os outros. Devemos respeitar, mas também devemos marcar a nossa posição. Aliás, se fossemos nós a governar não seria assim, seria doutra maneira. O PS tem uma determinada ideologia e o PSD tem outra. São dois partidos completamente distintos, na forma de pensar e na forma de agir. Se virmos a oposição que Luís Filipe Silva e José Morais fizeram, era uma oposição que apontavam ideias e não estavam de acordo com certas coisas, e é assim que terá de ser. Quem está no poder não pode de forma nenhuma ficar melindrado com as ideias e com as críticas que a oposição apresenta e a oposição terá sempre de dizer uma palavra: para dizer “amém”, para isso, não vale a pena se candidatar.

Se Júlia Fernandes for eleita presidente da Câmara Municipal, alguma coisa vai mudar, ou avizinha-se muitos anos de “mais do mesmo”?

Não me parece que haja grandes mudanças. Nós já conhecemos todos o trabalho de Júlia Fernandes, já sabemos quais são as áreas que ela privilegia e não sentimos que haja alguma forma diferente de estar na política nesta altura da sua candidatura. Em termos de projetos não são conhecidos grandes projetos, mas eu espero que ela venha com outras ideias. Vila Verde precisa!

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