Vila Verde

Emanuel Machado. “O executivo pautou-se por uma intransigência insultuosa para com os pradenses”

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Pradense de gema. Nascido, criado e residente na Vila de Prado. Tem um amor incondicional pela Terra, “pelo seu recanto”. Com 30 anos de idade, Emanuel Machado é candidato a presidente da Junta de Freguesia da Vila de Prado pelo Partido Socialista.

Docente de profissão, diz que “a paixão pela nossa identidade, pelas nossas gentes e pela história edificada, levou-me a aceitar este desafio.”

“Embora ainda jovem, desde muito cedo que disponho do meu tempo e trabalho em prol da terra, sempre com um sentido de missão: servir, o melhor que sei, esta Vila que me viu nascer e amo incondicionalmente, contribuindo para uma maior qualidade de vida da população. Todos me conhecem desde criança, e sabem que muito cedo me mostrei disponível e dei o meu contributo na nossa comunidade. O sentido de responsabilidade e compromisso fizeram-me abraçar também desafios cívicos e/ou políticos. Dei o primeiro passo, em 2013, sendo membro da assembleia de freguesia desde esse ano até à atualidade”, diz o candidato socialista.

Ao Semanário V diz ser “um docente apaixonado” pela profissão “procurando contribuir para um mundo instruído e mais humano, com uma pedagogia diferenciada, alicerçada na inovação e focada no desenvolvimento integral do aluno.” Nos dois últimos anos, o seu trabalho foi desenvolvido numa Escola Secundária no distrito de Braga.

“O desafio agora aceite é mais uma etapa nesta predisposição para servir mais e melhor as pessoas”, diz.

Quer escutar as pessoas, e por isso mesmo disponibilizou um formulário online com o mote “Todos os pradenses merecem ser ouvidos”, que de forma anónima as pessoas podem dar a sua opinião e contributo. O formulário está disponível aqui. Convida ainda a população pradense a acompanhar o trabalho da sua equipa nas redes sociais, pelo facebook ou pelo instagram.

Entrevista em exclusivo ao V.

O que motivou a sua candidatura à Junta de Freguesia da Vila de Prado pelo Partido Socialista?

Esta candidatura não é minha. Esta candidatura é de todos aqueles que querem contribuir para um novo dinamismo na Vila de Prado, retirando-a da estagnação a que foi votada nos últimos anos. Embora seja uma candidatura do PS à Junta de Freguesia da Vila de Prado, ela integra todos os cidadãos, independentes e de outras forças partidárias, porque nos assumimos como pradenses para pradenses. Nesta candidatura, o único motivo é a mesma força, a resistência do povo e a energia do trabalho em prol do desenvolvimento efetivo da nossa Vila e do bem-estar dos seus residentes, isto porque assumimos que é tempo de enquadrar o trabalho da Junta de Freguesia da Vila de Prado em voos novos e consistentes, executando projetos exequíveis que respeitem as tradições pradenses e, ao mesmo tempo, sejam reflexo de um futuro sustentável e aprazível para as gerações futuras.

Acreditamos na Vila de Prado, mas confiamos ainda mais nos pradenses. Somos pradenses, somos da Terra e vamos trabalhar com o povo. Dizemos e construímos um “SIM” de transparência e honestidade por um Prado que é uma Vila de todos e para todos. Somos uma equipa aberta ao diálogo e empenhada em fazer mais e melhor, apadrinhando um nível de progresso que seja respeitador da identidade pradense. Faremos a mudança e construiremos o futuro em matérias como a solidariedade e a saúde, a educação e a cultura, a juventude e o desporto, o urbanismo e a mobilidade, o ambiente e a sustentabilidade, o associativismo e as coletividades.

Este é o verdadeiro motivo desta candidatura, o de caminharmos juntos por uma Vila de Prado mais verde, mais digna e mais acolhedora para todos. Este é o projeto de todos e para todos. Esta é a vontade e a emoção que nos move.

Estamos com todos. Contamos com todos! Somos uma equipa de valores e princípios.

O Partido Socialista ‘perdeu’ a junta de freguesia da Vila de Prado para o PSD há quatro anos, com uma lista que não era unânime entre os socialistas após afastamento do Paulo Gomes que se candidatou como independente e dividiu o eleitorado socialista. Ponderou convidar Paulo Gomes para a sua lista?

O Partido Socialista não se resume a pessoas individuais. O Partido Socialista é uma equipa e funciona como um todo. Este ano, ao constituir-se a equipa, tivemos unicamente como propósito a renovação dos quadros, procurando integrar também pessoas de valor e princípios. Todas as etapas têm os seus ciclos. E este ano assim não poderia deixar de ser, a começar desde logo pelas pessoas que integram esta equipa. A Vila de Prado, os pradenses, conhecem-nos e identificam perfeitamente a integridade e a dedicação das pessoas que compõem esta lista que, não raras vezes, no passado também já colaboram e disseram um “SIM” abnegado em prol da comunidade pradense. Por isso, o único propósito da constituição desta equipa foi convidar pessoas dinâmicas, pró-ativas e trabalhadoras, capazes de colocar-se à disposição da população pradense, ouvindo-a, solucionando os problemas e colocando “as mãos à obra”.

Paulo Gomes, em entrevista ao Semanário V, afirma que o Partido Socialista nunca votou contra os orçamentos na Vila de Prado apresentados pelo PSD no último mandato. Acha que isso reflete que a actual junta está a fazer um bom trabalho?

O Partido Socialista não votou contra os orçamentos na Vila de Prado porque na sua globalidade eles eram razoáveis para a Vila. Contudo, o mesmo não significa que a atual Junta tenha feito um bom trabalho. O Partido Socialista apresentou inúmeras propostas e intervenções na assembleia de freguesia que atestam o fraco serviço que o executivo, eleito pelo PSD, levou a cabo. Aliás, nos últimos quatro anos encontramos uma junta impregnada nas suas tarefas burocráticas, acabando por se fechar em si mesma, não sendo capaz de apresentar novos projetos. As periferias da Vila de Prado estão esquecidas e/ou abandonadas. O centro, o único local alvo de requalificação por parte da Câmara Municipal de Vila Verde, com o aval da atual junta, está desenraizado daquilo que é a identidade da Vila de Prado, não dispondo de infraestruturas que permitam aos pradenses usufruir dos espaços, atentando assim o seu bem-estar e qualidade de vida. Acreditamos que é possível mais e melhor. Acreditamos que a Vila de Prado merece projetos integradores da sua identidade, respeitando o património edificado, ao passo que avançando num trabalho inovador e futurista, nos quais os jovens se sintam também incluídos. Este trabalho só poderá ser feito em abertura com a população. Aliás, tudo o que estamos a promover e queremos fazer vai de encontro às verdadeiras necessidades e propostas da população, aquelas que nos últimos anos não foram ouvidas nem tão pouco respeitadas.

 O Chega apresenta um crescimento em Vila Verde. Acha que ameaça o eleitorado do Partido Socialista para a Câmara, Assembleia Municipal e mesmo nas juntas de freguesia?

Trata-se de um partido que concorrerá pela primeira vez em Vila Verde. Não podemos falar de um crescimento por enquanto. Por outro lado, sabemos que muitos dos seus seguidores vêm dos partidos de direita que, inconformados com o rumo desses, acreditam nos ideais deste partido. No entanto, quanto a nós, estamos unicamente focados na Vila de Prado e no trabalho que iremos executar. Nada mais nos interessa. É apenas um partido que respeitamos em democracia somente nos seus propósitos democráticos, mas com o qual não nos identificamos nos restantes.

Aceitaria uma coligação para obter a maioria na Assembleia de Freguesia em detrimento do PSD?

Não construímos cenários hipotéticos. O nosso trabalho está unicamente focado no hoje, apresentando um trabalho sério, exequível e objetivo, que permita o bem-estar efetivo da população. Não temos dúvidas que o caminho se faz dia após dia. Para isso, iremos disponibilizar informação autêntica, escutaremos a população e trabalharemos em conjunto. Contamos com todos. Queremos fazer desta Terra, “uma Vila de todos, para todos”. Nesse contexto, confiamos plenamente nos pradenses e na consolidação de um resultado que espelhe a alma e o coração pradenses, que nesta hora só podem estar unidos em torno de um projeto sólido e consistente.

Como avalia os trabalhos dos últimos quatro anos da junta da Vila de Prado?

O trabalho dos últimos quatro anos da Junta da Vila de Prado foi pautado por um fechamento em si mesma, por uma gestão autárquica de mínimos e por uma adulação aos projetos descontextualizados e desenraizados da dinâmica pradense, apresentados e operacionalizados pela Câmara.

No que se refere ao primeiro aspeto, desde a primeira hora, o atual executivo pautou-se por uma intransigência, não raras vezes insultuosa, para com a população pradense. Na verdade, quando era questionado sobre o seu trabalho, que por si só se limitou a muito pouco, a atual Junta respondia de uma forma austera e inflexível, sem ser capaz de perceber quais eram as verdadeiras inquietações dos pradenses. Aliás, não teriam sido levantadas inúmeras questões se este fosse um trabalho digno e meritório. O problema é que todo o trabalho foi desenvolvido sem se escutar a população e, mesmo quando já o descontentamento era generalizado, fechavam-se portas a muitos pradenses que propunham uma reapreciação das obras, procurando melhores soluções para o bem-estar da população em geral.

Por seu turno, e a outro nível, a gestão foi sempre insuficiente. O atual executivo esqueceu as periferias, abandonando-as e deixando à mercê da sua sorte. Na verdade, durante os últimos quatro anos nada foi feito nos lugares periféricos. Não raras vezes, a população sentiu-se esquecida, unicamente lembrada em períodos eleitorais. E mesmo no que diz respeito às ações da junta da Vila de Prado ela esteve verdadeiramente confinada a pouco mais do que uma gestão burocrática. Aqueles que eram os grandes planos de obras, constantes do Programa Eleitoral de 2017 (últimas eleições) deste executivo, eleito pelo PSD, não foram executados. Aliás, mais de 50% desse programa eleitoral não foi desenvolvido.

Por último, e não menos importante, foi a submissão constante da atual Junta da Vila de Prado à Câmara Municipal de Vila Verde. Veja-se que o trabalho do atual executivo, eleito pelo PSD, dependeu essencialmente do trabalho da Câmara Municipal de Vila Verde (basta ver pelas inúmeras vezes que tínhamos as carrinhas da Câmara na nossa freguesia, unicamente no centro, nunca antes verificado em mandatos transatos). Mais se acrescente, que muitas destas obras foram executadas sem escutar os pradenses nem tão pouco respeitar a identidade da Vila. A maior parte dessas obras continuam por ser concluídas, algumas delas há mais de oito anos, como é o caso do arranjo executado na Praia Fluvial do Faial, que ainda não foi concluído em todas as fases contempladas no projeto.

Bem pelo contrário, propomos um outro modelo de gestão autárquica. Um modelo assente na abertura, na discussão e na força do povo, na força dos pradenses em torno de um único objetivo: o desenvolvimento da Vila de Prado e o aumento significativo da qualidade de vida da população. Para isso, será fundamental revitalizar os diferentes lugares, criar mecanismos de participação cívica e executar projetos inovadores, dinâmicos e futuristas, com consistência e objetividade. Temos a equipa certa para o fazer. Estamos certos que todos os pradenses se reveem neste projeto e estarão connosco de “mangas arregaçadas” para salvar o nosso património e edificar novas infraestruturas de apoio a toda a população, sem exceção.

Em termos práticos, esta equipa pró-ativa, dinâmica e trabalhadora está focada em algumas linhas estruturais, a saber:

1) teremos a humildade de trabalhar todos os lugares, rasgando novas centralidades em Prado, desenvolvendo o centro como também as periferias;

2) escutaremos com atenção as preocupações e inquietações de toda a população, sem exceção, criando uma linha social que seja capaz de incorporar todos;

3) estaremos de “mãos na massa”, onde for necessário, recuperando as nossas tradições e o nosso património edificado;

4) avançaremos com um modelo de administração que superará a simples gestão burocrática, apresentando projetos inovadores e futuristas que respeitem e dignifiquem a Vila de Prado e os seus residentes;

5) criaremos plataformas logísticas de cooperação e promoção de atividades entre as diferentes instituições pradenses, com o objetivo de maximizar as suas funções no apoio à população, aos meus diferentes níveis;

6) tudo faremos de uma forma transparente, aberta e participativa, tendo sempre presente a salvaguarda dos interesses dos pradenses e a defesa do património da Vila de Prado;

Estes são os objetivos gerais da nossa equipa, garantindo um compromisso efetivo para com a prosperidade, a qualidade de vida e a solidariedade entre as gerações pradenses.

Acha possível este ser “um ano de mudança em Vila Verde” e a maioria PSD cair através de uma coligação do Chega com o PS?

O foco do nosso trabalho é unicamente centrado na Vila de Prado. Não abdicaremos dos nossos propósitos, nem tão pouco nos deixaremos amedrontar pelo que se possa passar por Vila Verde. O problema dos últimos anos tem sido a incapacidade e a subserviência dos sucessivos executivos da Vila de Prado à Câmara Municipal de Vila Verde. Nós executaremos de uma forma diferente e pautaremos a nossa ação pela transparência, coercividade e operatividade, defendendo sempre os interesses da Vila de Prado e dos pradenses. Por eles, iremos até ao fim. Não se trata de romper as relações institucionais e de cooperação entre os dois órgãos autárquicos, mas de termos finalmente uma Junta que seja capaz de avançar com projetos inovadores e respeitadores da tradição e cultura pradense, indo de encontro às necessidades e preocupações da população, ouvindo-a e discutindo abertamente as matérias, sem depender nem tão pouco estar à espera do aval da Câmara. A Junta tem autonomia para desenvolver projetos e movimentar entidades locais para dignificar a Vila de Prado, recuperando o orgulho pradense.

 

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