Vila Verde

Vila Verde. PSD ‘ataca’ candidatura independente em Atiães mas perde em tribunal

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Samuel Estrada apresentou uma candidatura independente na freguesia de Atiães, da qual é natural, e juntamente com o Chega e PSD vão disputar as eleições autárquicas 2021.
A decisão é do tribunal, após a entrada de uma tentativa de impugnação da lista de Samuel Estrada à freguesia de Atiães, por parte de Manuel Lopes, mandatário da candidatura de Júlia Fernandes e do PSD de Vila Verde às referidas eleições.

Em resposta à tentativa de impugnação do PSD de Vila Verde o tribunal apresentou a sua resposta e o PSD perdeu a causa. “Queriam vencer as eleições na secretaria, já nos habituamos a estas manobras do PSD de Vila Verde, mas desta vez, perderam e vão ter que saber ganhar”, responde um dos membros do movimento independente.

O Semanário V falou em exclusivo com Samuel Estrada acerca da sua candidatura e da sua posição perante esta tentativa de impugnação por parte do PSD de Vila Verde.

Entrevista Samuel Estrada

Semanário V (V) O que motivou a sua candidatura à junta de freguesia de Atiães numa candidatura independente depois de ter estado ligado ao Partido Socialista, até como presidente da concelhia?

Samuel Estrada (SE)– A nossa candidatura em Atiães decorre de um movimento de cidadãos constituído em 2017 e que é representado por pessoas com simpatias politico/partidárias muito diversas mas que querem ajudar a freguesia de Atiães e que acreditam num programa político renovador pensado e desenhado à medida da nossa terra. Esse projeto é o nosso compromisso e a nossa impressão digital política por isso só podia ser uma candidatura independente porque não representamos agendas partidárias ou interesses financeiros de ninguém. O nosso compromisso é apenas com Atiães e as soluções para os seus problemas.

(V) – A candidatura de Júlia Fernandes (PSD), tentou impugnar a sua candidatura, formalizando em tribunal uma impugnação na pessoa do seu mandatário Manuel Lopes. Como vê esta atitude do PSD sabendo que nas últimas eleições o Samuel Estrada esteve “à tangente” para vencer a junta de Atiães?

(SE) – Conhecendo muito bem o contexto político local, confesso-lhe que foi sem espanto mas, ainda assim, com tristeza, que assisti à impugnação. Sem espanto, porque estou consciente do impacto do meu desempenho político ao longo destes 4 anos, que foi sempre dedicado aos assuntos políticos e nunca às politiquices, às causas e nunca aos casos, às ideias e nunca à fulanização, às soluções e nunca às queixas, e isso inquietou as consciências de muitos, até do meu próprio partido, e tudo isso fez de mim um protagonista incómodo para aqueles que mandam no nosso concelho e nas nossas freguesias há muito anos. Com tristeza, porque vejo que os partidos não estão a fazer a melhor leitura do afastamento das pessoas e da sua descrença para com a política. Essa descrença não se combate afastando as pessoas mas sim atraindo-as para a ação política e para o combate das ideias.

(V) Acha que esta é uma pré-derrota para o PSD e principalmente para Júlia Fernandes e o seu mandatário?

(SE) – Penso que é, sobretudo, uma vitória da justiça, da coragem, das convicções e da democracia local.

(V) – Este ano, o Chega Vila Verde apresenta candidato à junta de Atiães. Acha benéfico e seria capaz de uma coligação com o Chega para “governar” Atiães?

(SE) – Eu sou um democrata convicto, aprecio e admiro as diferenças de opinião e acredito que é através da dialética política, do combate respeitoso das ideias e da busca pelas melhores soluções que o mundo avança. Por isso, assisto com entusiasmo ao regresso de várias candidaturas que representam, no fundo, o regresso da democracia à minha terra que durante muitos anos teve candidaturas com um único partido e isso empobreceu a democracia e provocou danos muito grandes na nossa freguesia. Quanto a coligações, as únicas que queremos fazer é com os nossos conterrâneos, que queremos envolver num modelo de governação aberto à participação ativa de todos, sejam eles simpatizantes ou não do nosso projeto, porque não acredito em juntas de amigos mas sim em Juntas de Freguesia.

(V) – É natural da freguesia de Atiães. Quais os maiores problemas da freguesia?

(SE) – A nossa terra tem três tipos de problemas : os novos, os semi-novos e os muito velhos, que posso apresentar de modo muito resumido.

Começo pelos problemas mais antigos, cuja resolução se promete de quatro em quatro anos e que estão relacionados com a rede de abastecimento de água, que é reduzida e muito deficitária; do saneamento básico, que por cá só abastece apenas duas pessoas ; uma rede viária pobre, envelhecida e deteriorada; e a falta de equipamentos e espaços públicos .

Os semi-novos estão relacionados com uma recolha de lixo (que se limita a uma estrada, deixando de fora a maioria da população que tem de usar o carro para colocar o lixo nos pontos de recolha) , a ausência de respostas sociais quer para a população jovem quer para a mais envelhecida, para a qual não há centros de dia ou programas de dinamização social.

Os problemas novos estão relacionados sobretudo com um PDM que não se adequa ao nosso território e à nossa população, o que tem provocado ano após ano o abandono da população mais jovem, que procuram casas e negócios noutras freguesias, porque não temos espaços para construir nem casas para vender, pese embora Atiães apresente condições geográficas privilegiadas para o mercado de habitação.

(V) – Como propõem resolver esses problemas relacionados com o PDM?

(SE) – São as autarquias que têm o poder de definir, onde, como e o que se pode construir. Ora em Atiães há vários anos que as novas gerações ou vivem com os pais ou têm de procurar casa fora da freguesia porque embora tenhamos uma grande área territorial, a área destinada à habitação, comércio e serviços é diminuta, o que acanha a possibilidade dos jovens construírem a sua casa ou desenvolverem o seu negócio. Entendemos que uma Junta de Freguesia moderna e capaz, tem de saber negociar a alterações no PDM mais adequadas aos seus territórios e comunidades mas também tem de saber aproveitar e manobrar os novos instrumentos de gestão territorial, como os planos de pormenor ou as unidades de execução através de negociações com o município, organizando melhor e de modo mais eficaz e sustentável o território, garantindo mais e melhor habitação, mais área destinada ao comércio e serviços. Desta forma conseguiremos construir um futuro, onde cada um de nós terá o seu lugar.

(V) – Se for eleito quais as suas prioridades para a freguesia?

(SE) – A minha prioridade será cumprir o nosso programa e projecto político, que acredito que trará as soluções para estes e muitos outros problemas da nossa terra. Para isso temos desde logo de mudar o nosso modelo de governação. Não podemos governar uma Junta inspirados nas velhas lógicas do regedor ou do administrador de condomínio tapando buracos, limpando valetas , vivendo de chapéu estendido pedido a esmola ao Presidente da Câmara . Esse é um modelo que está descontinuado, ultrapassado, falido… Precisamos de uma Junta moderna, renovada, que envolva a população nas tomadas decisão, com uma política transparente mas capaz de apresentar soluções ambiciosas para o seu território e para a sua comunidade.

(V) – Sendo Deputado Municipal do Partido Socialista, tem sido uma voz ativa contra a governação da junta de freguesia e da Câmara Municipal para com as gentes de Atiães. Acha que Atiães tem sido esquecido pela Câmara Municipal de Vila Verde?

(SE) – Absolutamente, Atiães está esquecida há muitos anos principalmente pelos nossos membros da Junta de Freguesia que não têm encontrado a forma de atrair a atenção e o investimento do município, do Estado e dos privados. Veja a forma como uma freguesia tão carenciada de equipamentos públicos onde as associações culturais, de caça e os movimentos de jovens não têm espaços, permite de braços cruzados, que a escola primária seja transferida para um produtor de gin, de graça e por 20 anos! Repare, só a titulo de exemplo, nos milhões consumidos neste mandato noutras freguesias que foram capazes de atrair o investimento municipal como fez a freguesia de Vila Verde, com a ciclovia e com a reabilitação de estradas, a de Prado onde choveram milhões de euros do município para reabilitar praças e para a aquisição de terrenos, a Lage onde o Município financiou centenas de milhares de euros em saneamento e na aquisição de terrenos, em Cervães a mesma coisa, assim como no Vade e em tantas outras freguesias. Mas para Atiães o que temos: de quatro em quatro anos uns sacos de cimento para reabilitar o adro da igreja e uns materiais de construção para obras de manutenção e com isto damos graças a Deus… ora para nós isto não chega. Temos de ser muito mais ambiciosos, temos de apresentar soluções e ideias capazes de atrair as pessoas e investimento.

(V) – Acha que a candidatura de António Esquível pode vencer a Câmara Municipal de Vila Verde?

(SE) – Acho que esse trabalho está reservado para as mesas de voto, elas é que nos dirão o resultado. Como cidadão o que me preocupa são as propostas de governação das várias forças políticas, é nesse campo que se deve centrar a nossa ação. Nos últimos anos a sede de ganhar transformou a ação politica no fenómeno de caça ao voto que nos faz desviar daquilo que deve ser a política, resvalando para a politiquice, para a discórdia, a mentira e tantas vezes o ódio. Creio que o maior património das freguesias é o sentido de pertença das pessoas às suas terras e às suas comunidades. É isso que nos faz ficar e regressar, por isso temos de estimar esse valor com um combate político mais responsável, verdadeiro, pautado pelo respeito e num espírito de diálogo.

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