Vila Verde

Vila Verde. EPATV celebrou 28 anos de história, inovação e educação

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A EPATV espera recuperar os investimentos em tecnologias digitais — efetuados durante a pandemia — em sede do Plano de Recuperação e Resiliência, assim como espera que o mesmo Plano contemple incentivos aos estudantes com dificuldades económicas porque os “nossos alunos não são filhos de um deus menor, através de um subsídio especial para concluírem o ensino secundário” — reivindicou João Luís Nogueira.

O Diretor Geral da EPATV falava num seminário sobre a Resiliência na Educação que assinalou os 28 anos da Escola sediada em Vila Verde e pediu equidade que “não é tudo para todos, mas para aqueles que precisam e não têm”.

A EPATV (Escola Profissional Amar Terra Verde) não esqueceu os seus progenitores autárquicos ao celebrar “28 anos a transformar vidas de mais de cinco mil jovens” de Vila Verde, Amares, Terras de Bouro, Braga e concelhos vizinhos.

João Luís Nogueira falava na presença da Vereadora da Educação da Câmara Municipal de Vila Verde, Júlia Fernandes, de João Gonçalves, Diretor Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGESTE), Beatriz Santos, da Comissão de Proteção de Crianças e JOVENS, Odete Dantas, da APPACDM, e Ilídio Nunes, da Academia de Música de Vila Verde, cujos alunos animaram a sessão com a interpretação de vários temas musicais.

Numa sessão aberta e conduzida por Sandra Monteiro, Diretora Pedagógica da EPATV, intervieram também Sara Leite, docente da escola, Luísa Orvalho (Universidade Católica – Porto), Ricardo Costa (Fundação Bernardo da Costa) e Paulo Coelho (Psicólogo Clínico).

O Diretor Geral da EPATV recordou alguns números para mostrar que “somos do tamanho dos nossos parceiros”, como os 70% de taxa de empregabilidade dos alunos da Escola, mais os dez por cento que prosseguem estudos superiores e apenas manifestou alguma tristeza com os cinco por cento de abandono escolar “porque vão trabalhar mais cedo” para apoiar as suas famílias.

“Tudo tentamos fazer, mas os recursos económicos das suas famílias ultrapassam os nossos objetivos que passam por levá-los a concluir o ensino secundário” — alertou João Luís Nogueira, defensor de um ainda maior diálogo entre os professores e as famílias.

O Diretor Geral da EPATV sabe que “não aprendemos com as vitórias” — como a “avaliação positiva crescente dos nossos professores” — lembrando que, na fase de pandemia, “descobrimos alunos que não têm internet em casa, o que não lhes permitiu usar os equipamentos — um iPAD oferecido a cada um — para que a nossa escola continue a ser inclusiva”.

A maior parte dos oradores do debate sustentou a necessidade de aliar às sabedorias profissionais as competências humanas. Com destaque para as intervenções de Ricardo Costa, Paulo Coelho e João Gonçalves. Paulo Coelho destacou a necessidade de a Escola ouvir os pais, quando algum aluno apresenta problemas. A comunicação entre a escola e as famílias é “essencial para antecipar problemas e os prevenir”.

Ricardo Costa destacou qualidades humanas como a solidariedade, o respeito pelos outros, a tolerância e a cooperação como valores tão importantes quanto a competência profissional.

Acrescentou que “90% dos problemas numa empresa resultam das falhas de comunicação” e alertou para um certo adormecimento empresarial face às transições energéticas e digitais, porque “continuamos a lançar no mercado de trabalho profissionais que não respondem a estes desafios para os quais a escolas têm de preparar os seus alunos”.

O administrador da Fundação Bernardo da Costa reconheceu que a “EPATV faz isto tão bem há mais de 25 anos” enquanto Paulo Coelho reconheceu a “reduzida capacidade dos pais para acompanhar os filhos na escola”.

Citando Almada Negreiros, Ricardo Costa destacou a ética no trabalho, porque “quando eu nasci, todas as frases sobre salvar o mundo estavam escritas. Faltava salvar o mundo”.

Este orador alertou também para o eco das redes sociais: “elas mostram apenas o lado bom da vida, criando uma ilusão. Temos dificuldades em lidar com a derrota inesperada. Não há negócios, dias ou empresas perfeitas. A capacidade de se adaptar às adversidades e a reinvenção são essenciais. Faço isto porque sempre se fez assim. Esqueçam essa postura de vida”.

Paulo Coelho sugeriu uma “escola aberta às famílias, especialmente as que ainda não têm competências para educar os seus filhos para a autonomia. Os professores não podem focar-se apenas no sucesso académico mas devem estar atentos aos sinais de desânimo dos seus alunos. Os professores têm de ouvir mais os alunos e depois chegar às famílias, mesmo sabendo que é difícil trazer as famílias às escolas”.

Este psicólogo lamentou que “o desenvolvimento humano tenha passado para o segundo plano em nome da competitividade” e se esteja a perder a empatia/compaixão para compreender os “pais que não tiveram as oportunidades que nós e os filhos vivenciam”.

A tarde encerrou com a entrega de diplomas de mérito, tendo Inês Macedo, de Mire de Tibães, Braga, do Curso de Esteticista, recebido o prémio de melhor aluna dos Cursos Técnicos Profissionais, enquanto Margarida Osório, de Real, Braga, recebeu o seu diploma em representação de todos os diplomados pelo Centro Qualifica.

Seguiu-se, depois, a entrega dos diplomas de conclusão do ensino Secundário e Profissional a todos os finalistas.

A jornada festiva tinha começado de manhã com o apagar das vinte e oito velas do bolo de aniversário, saboreado por todos os professores, funcionários e alunos presentes, antes da abertura da Expotécnica, uma mostra de projetos e trabalhos dos alunos finalistas, em contexto de Provas de Aptidão Profissional, na presença de João Luís Nogueira, Diretor Geral da EPATV, e Sandra Monteiro, Diretora Pedagógica.

Um grupo de dez alunos do programa Erasmus, oriundos da República Checa, Eslovénia e Grécia, puderam testemunhar este dia grande para a EPATV, num intervalo da sua visita às instalações da Escola.

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