Vila Verde

Carlos Pedro: “Estou desde os 5 anos ao serviço da freguesia da Lage”

(c) Semanário V
Partilhe esta notícia!

Carlos Pedro, enfermeiro, antigo presidente da junta da freguesia da Lage esteve à conversa com o Semanário V e falou sobre o seu percurso durante os últimos 12 anos no executivo da Lage, da política do concelho e da sua atual posição política no concelho.

Semanário V – Quantos anos esteve ao serviço da Lage? Desde a assembleia até à presidência da junta?

Carlos Pedro – “Ao serviço da Lage” estou desde os cinco anos quando iniciei a participação no grupo de teatro da Congregação Mariana da Lage, fiz parte da direção em várias associações, tais como o Núcleo Desportivo e Cultural da Lage, Biblioteca da Lage, Teatro da Lage, 22 anos no grupo desportivo da Lage e 11 anos no grupo coral da Lage i ainda 10 anos foram dedicados à Confraria da Sta. Helena. Ingressei na política ativa aos 17 anos, na fundação da JSD da Lage, e fiz parte de várias comissões políticas da JSD e PSD. Durante todo este caminho como cidadão fui membro da Assembleia de freguesia durante 2 mandatos e posteriormente em 2009 assumi a presidência da junta de freguesia da Lage até ao ano atual, quando saí pelo limite de mandatos legais. Só para terminar, durante os 12 anos como presidente da junta e com a colaboração dos outros membros que me acompanharam e Assembleia, e sem quase nunca nos envergar-nos para inaugurações, realizamos obras imprescindíveis à Lage e que são hoje a demonstração do espírito empreendedor e concretizado e da autarquia que liderei.
4 parques infantis, 3 parques fitness, 2 espaços (ringues) desportivos, reabilitação da escola do Penedo, construção da escola nova, construção da casa mortuária, conclusão da sede da junta, construção e reabilitação da avenida da igreja, e rua da igreja, reabilitação de diversas vias de comunicação, estrada de Bouços, Corga, espaços verdes, cruzeiro de São Miguel, jardins, reabilitação do caminho de Santiago, trilho das fontes, e tanques e poças da freguesia. Ainda de referir a aquisição do terreno para o complexo de lazer da Lage. Obras sempre feitas e pensadas pela junta da Lage com o apoio da Câmara Municipal de Vila Verde que hoje orgulham a freguesia.

Semanário V – Este é o momento de deixar a presidência da Lage. Como avalia a sua missão durante estes anos ‘ao leme’ da freguesia da Lage?

Carlos Pedro – Durante os 3 mandatos muito se passou e muito passaram os cidadãos. Eleito em 2009 deparei-me com várias contingências financeiras, com o resgate financeiro de Portugal que impediu, por um lado, o investimento previsto para a freguesia sobretudo a execução da construção de raiz da escola nova da Lage.
Não sendo possível concluir o projeto inicial do Parque Escolar do concelho com esta situação política e financeira, também impediu outros investimentos como por exemplo a conclusão das obras da sede da junta da freguesia. Neste último mandato o “drama” da pandemia Covid-19 que nos fez focar nas pessoas, sobretudo nos mais frágeis e vulneráveis que são os idosos. Foram praticamente dois anos em que o investimento em obras praticamente parou. Em suma, dos 12 anos de mandato praticamente metade foram anos de “crise” primeiro politica e financeira e nestes últimos dois anos saúde pública.

Semanário V – A oposição do PS da Lage alguma vez pôs entrave a obras importantes para a freguesia ou havia entendimento nos momentos cruciais?

Carlos Pedro – Em 2009 não concorreu o PS à Assembleia de freguesia ,as sim uma lista independente apoiada pelo PS ao nível do concelho. Nos mandatos de 2013/2017 e 2017/2021, sim houve oposição por parte do PS na Lage.
Não posso falar em “entrave a obras importantes” mas sim não concordância, felizmente, sempre tive maioria na assembleia de freguesia e apesar das votações na Assembleia de freguesia que são públicas, ninguém as pode negar, e apesar de muitas vezes não serem positivas, “as obras” sempre foram executadas mesmo com pequenos atrasos.
Tenho que referir que as obras realizadas foram sufragadas nas urnas e o povo é soberano quando escolheram quem queriam no destino da Autarquia.
No entanto quero referir duas situações que não recolheram consenso não ao nível da freguesia mas sobretudo np executivo municipal, e referindo a revisão orçamental em início de 2013 que teve os votos contra por parte dos vereadores do PS e que permitia a construção da Escola da Lage, e tal como em Cervães e Soutelo esta obra fazia parte do Centro Escolar Concelhio, que foi suspensa a sua execução devido ao PS nacional a quando do resgate do país e da entrada da “troika” em Portugal, situação provocada pelo governo liderado pelo Eng. José Sócrates.
Na altura, o presidente da Câmara de Vila Verde conseguiu por mérito próprio, após boa execução orçamental, candidatar-se a verbas ainda executantes para fazer obras, as 3 escolas que faziam parte da Carta Escolar Concelhia e não haviam sido executadas.
Ao conseguir financiamento de cerca 3 milhões de euros, era preciso alocar a percentagem da responsabilidade do Município e os vereadores nessa reunião votaram contra.
Outra situação foi no passado recente a quando da aquisição de um terreno de 20.000 m2 no centro da freguesia que permitiria a construção de um parque de lazer na freguesia da Lage. Na altura na reunião de Câmara os vereadores do PS puseram em causa a avaliação do m2 do terreno efetuada pelos técnicos do Município e após avaliação externa paga pelo município chegou-se a um valor maior por m2 em relação ao valor proposto pela junta e Câmara. Esta situação foi ainda mais complexa pois tratando-se de um projeto apresentado em manifesto eleitoral do PSD e do PS da autarquia da Lage, veio criar um mal estar entre os membros da Assembleia de freguesia e atrasou todo o processo. As votações são públicas e é isso que fica em ata.

Semanário V – Em termos municipais, como avalia o crescimento do Chega no concelho com a eleição de um vereador?

Carlos Pedro – Os resultados eleitorais foram o exato que previa e em nada me surpreendeu. “Acompanho diariamente as pessoas” e ouço todos os dias o que dizem. Se analisarmos os resultados e juntarmos os votos do Chega e do PS é praticamente o resultado alcançado pelo PS em 2017, por isso não me espanta a eleição de um vereador por parte do Chega. Fico muito intrigado e preocupado por pensar que eleitorado PS de Vila Verde votaram no Chega só para não votar PSD ou mesmo CDU ou Bloco de Esquerda. Posso referir que em junho de 2021 num restaurante no Pico de Regalados, fiz uma previsão dos resultados eleitorais em Vila Verde, PSD 15000, PS 6000 e Chega 4000, tenho fotos a comprovar.

Semanário V – O PS de Vila Verde teve uma pesada derrota em Vila Verde e perdeu 2 vereadores. Agora que é deputado municipal acha que o PS vai ser uma oposição com força para pressionar o executivo maioritário de Júlia Fernandes?

Carlos Pedro – O PS de Vila Verde sofreu uma derrota e atualmente só tem um vereador eleito que considero uma excelente pessoa e deu provas como ex-presidente da junta de Cabanelas, tenho a certeza que a postura de António Esquível vai ser uma postura positiva e construtiva. Após as eleições os interesses do concelho devem ser postos em primeiro lugar. A nova presidente da Câmara no seu discurso criou uma onda de união e agregador de todos para um concelho melhor e mais unido. A oposição deve ser uma oposição forte, exigente mas também construtiva.

Semanário V – António Vilela deixa a presidência da Câmara de Vila Verde. Como é público, esteve envolvido em vários processos judiciais, chegando a ser condenado à perda do mandato. Acredita na sua inocência?

Carlos Pedro – Acredito acima de tudo na justiça e também acredito na inocência do ex-presidente António Vilela. Sei que nem sempre é fácil provar a inocência, mas quem tem que julgar é o tribunal, não posso esquecer a que deu origem a condenação de António Cerqueira e como todos sabemos por vezes, os processos parecem tão simples e os arguidos nem se preocupam com a sua defesa e depois acabam condenados e julgados. Mas já agora, permita-me que refira que a justiça em Portugal está um pouco à deriva, quando condenados por crimes menores são logo presentes ao juiz e detidos por outro lado, a conseguirem sair do país a verem as suas penas revestidas e alegações furtuitas (como a Covid).

Semanário V – Como deputado municipal vai votar sempre a favor das decisões do partido? Ou vai votar pelos vila-verdenses que o elegeram?

Carlos Pedro – Sempre soube manter a minha opinião e os meus princípios, nunca vi a política a não ser como uma missão de ajudar os outros, sempre soube defender os cidadãos por quem fui eleito, e a população em geral de modo a concretizar projetos sufragados nas urnas, provei que não sou “seguidista” do partido defendendo os cidadãos em geral, já provei e foi nesse princípio de integridade que não votei favoravelmente ao orçamento de 2017/2021. Felizmente vou representar os vila-verdenses e posso dizer que praticamente os votos dos Lagenses me elegeram para a assembleia Municipal. Votarei sempre em consciência, sempre a pensar no bem estar comum de modo especial a defender o interesse público. Apesar de ter sido eleito pela lista do PSD sempre fui muito independente em relação ao que penso. Tenho ligação política ao PSD mas analisarei caso a caso todos os processos de debate. Terei sempre atitude proativa em defesa sempre dos mais desfavorecidos.

Semanário V – Qual a previsão política para estes próximos 4 anos? Acredita em maior entendimento entre as forças políticas de Vila Verde em prol do concelho e obras importantes como a variante?

Carlos Pedro – Infelizmente previsões são sempre previsões e como tal espero que as ideologias e quezílias partidárias sejam colocadas de lado em prol do bem de todos os vila-verdenses sem exceção, que as disparidades nas diversas freguesias sejam minimizadas e que as “ditas’ zonas urbanas não continuem a beneficiar constantemente de protejos de investimento específicos com comparticipação financeiras aliciadoras tentando o elenco Municipal “compensar” as freguesias também muito povoadas, ou seja, com índices de população semelhantes às ditas áreas urbanas.
Por assim dizer maior equidade no investimento em obras transversais como no caso da variante de Vila Verde, um acesso direto na zona de Lama, Bacelos que beneficiarão todo o concelho e sobretudo as zonas menos povoadas e com menor tecido empresarial. A requalificação da EN201 e com a consequente requalificação da rotunda do canoísta na Vila de Prado devem ser sempre pensadas em prol do concelho.

Comentários

topo