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Ministra da Saúde alerta para o agravamento da pandemia na última semana

(c) LUSA
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A ministra da Saúde alertou hoje para “um agravamento” da situação epidemiológica da pandemia de covid-19 na última semana, avançando que este cenário “era de alguma forma esperado” e acompanha a situação europeia.

“A situação epidemiológica no país ao longo da última semana conheceu um agravamento, este agravamento acompanha aquilo que é a situação europeia”, afirmou Marta Temido, na conferência de imprensa realizada após o Conselho de Ministros, onde foi decidido prolongar a situação de alerta devido à pandemia de covid-19 até 30 de novembro.

A governante avançou também que as estimativas e as análises de modelação epidemiológica realizadas pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge apontam para 1.300 casos confirmados no dia 07 de novembro, caso se mantenha o atual risco de transmissão.

A ministra precisou que, na última semana, a incidência cumulativa a 14 dias situava-se nos 94 casos por 100 mil habitantes, apesar de ser “uma incidência que está abaixo daquilo que é a média hoje registada nos países da União Europeia, que é de 235 casos por 100 mil habitantes”.

Segundo Marta Temido, esta incidência tem vindo a aumentar “em linha com o risco de transmissão efetivo que está acima de um há 16 dias e que situa agora em 1,08”.

“Está a confirmar-se aquilo que era de alguma forma o cenário esperado em função da transmissão da doença, embora num contexto em que uma larga maioria da população está vacinada”, disse, acrescentando que 85,9% da população portuguesa tem a vacinação contra a covid-19 completa.

Justificando a manutenção da situação de alerta, a ministra frisou que, apesar deste contexto favorável, “o vírus continua a transmitir-se e a circular e, embora causando doença menos grave e consequências fatais em número menos significativo, a uma maior circulação do vírus tende a corresponder um maior número de casos de doença”.

A ministra sublinhou também que novas medidas de confinamento ou eventuais adaptações das atuais “far-se-ão se for necessário em devido tempo e sempre com a análise” do quadro de referência definido, que neste momento “é apenas de crescimento da transmissão”.

Marta Temido explicou que ficou definido o acompanhamento da situação epidemiológica através de uma análise de risco publicada semanalmente e os últimos indicadores, de 22 de outubro, mostravam que “o risco se mantinha em nível moderado a reduzido”.

“Ao nível da incidência o que definimos como patamar de risco reduzido é abaixo dos 120 e estamos ainda abaixo do 120. Ao nível do risco efetivo de transmissão, o patamar de referência é o valor de 1 e estamos acima desse valor”, disse, referindo que há alguns sinais de preocupação quanto à positividade, que está a subir.

No entanto, frisou que os restantes indicadores estão estáveis, registando-se “uma estabilização da utilização dos cuidados de saúde ao nível da covid-19” na utilização de unidades de internamento e cuidados intensivos, bem como na letalidade.

“Porém temos de ter presente que há vários fatores de contexto preocupantes, como situação europeia, temperaturas frias que se avizinham, circulação de doenças respiratórias associados ao tempo frio, maior tendência de as pessoas se concentrarem em espaços menos arejados”, disse.

Nesse sentido, a ministra apelou para que se mantenha o respeito por um conjunto de regras, nomeadamente a manutenção de utilização de máscaras em espaços e ambientes fechados, a manutenção de não frequentar ou não permanecer por muito tempo em espaços sobrelotados e preocupação de arejamento dos espaços físicos.

Marta Temida indicou ainda que a Direção-Geral da Saúde e o Ministério da Saúde vão promover em breve campanhas de informação para chamar a atenção das pessoas para esta necessidade.

Em Portugal, desde março de 2020, morreram 18.144 pessoas e foram contabilizados 1.087.245 casos de infeção, segundo dados da Direção-Geral da Saúde.

Na quarta-feira, registaram-se mais 965 casos confirmados de infeção com o coronavírus SARS-CoV-2, três mortes associadas à covid-19 e um novo aumento nos internamentos em enfermaria, num total de 316 pessoas.

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