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Trabalhadores das misericórdias em protesto reivindicam aumento dos salários

(C) LUSA
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Meia centena de trabalhadores das misericórdias de todo o país concentraram-se hoje junto ao Ministério do Trabalho, em Lisboa, para reivindicar aumento de salários, lamentando que os aplausos durante a pandemia tenham dado lugar ao esquecimento dos seus direitos.

Os trabalhadores reivindicam ainda a valorização da carreira profissional e a revisão da Portaria de Regulamentação do Trabalho que não é revista desde 1996 e que em consequência disso, afirmam, a generalidade dos trabalhadores recebe o Salário Mínimo Nacional.

Por outro lado, os trabalhadores denunciaram que a generalidade das misericórdias recusa-se a pagar as diuturnidades, penalizando ainda mais os trabalhadores nos seus rendimentos e na valorização das suas carreiras.

A secretária-geral da CGTP juntou-se ao protesto destes trabalhadores num setor onde, referiu, predomina a mão-de-obra feminina com trabalho pesado e de grande responsabilidade.

“Não existe contratação coletiva neste setor e o que é praticado é uma exploração enorme destes trabalhadores com condições de trabalho péssimas”, disse Isabel Camarinha em declarações aos jornalistas acrescentando que o salário neste setor só foi atualizado porque o salário mínimo nacional tem aumentado.

Com esta iniciativa do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, explicou Isabel Camarinha, os trabalhadores exigem que o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social atualize a portaria e que constitua uma comissão técnica para o efeito.

“Foi um setor muito aplaudido durante a pandemia [de covid-19], foi um trabalho fundamental e foram muitos explorados”, disse.

Anabela Ramos, trabalhadora da misericórdia do Montijo alertou que no seu local de trabalho há trabalhadores com 18, 20 ou mais anos a receber o mesmo que uma colega em início de carreira, ou seja, o salário mínimo nacional.

A deputada do PCP Diana Ferreira, que também participou no protesto, considerou a ação “da mais inteira justiça” alertando para um grupo profissional que tem de organizar a sua vida com baixos salários e obrigados a funções com horários desregulados.

“Foram aplaudidos, mas os aplausos não pagam as contas ao fim do mês e a questão da valorização geral dos salários é justamente central na valorização e no reconhecimento do vosso trabalho”, disse.

Durante o protesto foi aprovada uma moção e entregue ao Ministério do Trabalho na qual os trabalhadores das Misericórdias reclamam a revisão da Portaria de Regulamentação do Trabalho com urgência, assim como o aumento geral dos salários, 35 horas semanais de trabalho e ainda 25 dias úteis de férias.

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