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Vice-Almirante Gouveia e Melo distinguido com o Prémio Nacional de Bioética

(c) LUSA
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O coordenador da extinta ‘task force’ que geriu o processo de vacinação contra a covid-19, Henrique Gouveia e Melo, foi hoje distinguido com o Prémio Nacional de Bioética, que dedicou aos portugueses por não caírem na “tentação fácil da dúvida”.

“Quando me vêm perguntar do estrangeiro qual foi o segredo [do processo de vacinação que coordenou], às vezes dá-me vontade de responder coisas muito esquisitas (…), dá vontade de responder se querem uma transfusão genética do gene português, se querem uma transfusão da cultura portuguesa, porque as pessoas pensam que há um truque qualquer”, observou o Vice-Almirante Henrique Gouveia e Melo.

O coordenador da extinta ‘task force’ afirmou que o sucesso do processo de vacinação se prendeu com o facto de os portugueses não caírem “na tentação fácil da dúvida” face à ética de se defenderem enquanto comunidade.

Perante uma plateia de mais de uma centena de pessoas que, no auditório da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) o aplaudiram de pé, Gouveia e Melo falou “do coração” e emocionou-se ao falar do filho médico e do futuro que se avizinha.

O vice-almirante, que admitiu ainda não se ter habituado ao “reconhecimento público”, disse já só “olhar para o futuro”, no qual considera que os portugueses têm de mostrar “ambição”.

“Acho que temos futuro enquanto povo, uma consciência muito própria, uma língua e cultura muito viva, só temos de ter ambição alta, não ter medo de trabalhar e não nos deixarmos de submeter a nenhuma vergonha que nos querem impor de fora”, disse.

Já em declarações aos jornalistas à margem da sessão, Gouveia e Melo salientou ser fundamental ter confiança no futuro.

“Enquanto comunidade estamos cá há 900 anos, já superamos muitas coisas porque é que não havemos de ter confiança? Temos é de lutar por isso, não podemos acreditar que alguém vai resolver os nossos problemas por nós, como resolvemos a pandemia”, acrescentou.

Na atribuição do Prémio Nacional de Bioética, distinção atribuída desde 2007 pela Associação Nacional de Bioética, o seu presidente, Rui Nunes, destacou a integridade e o espírito de missão e de serviço de Gouveia e Melo.

“Ao longo da campanha [de vacinação] ressaltou o espírito de missão e profundo espírito de serviço (…) Este planeamento não vai deixar o sistema de saúde indiferente. a campanha de vacinação mostrou uma nova dimensão da portugalidade”, assegurou.

Também o diretor da FMUP, Altamiro da Costa Pereira, salientou que a medalha atribuída ao Vice-Almirante deveria ser “em ouro e não prata”, pois “não é sinónimo do real valor” de Gouveia e Melo e do trabalho desenvolvido enquanto coordenador do plano de vacinação contra a covid-19.

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