Saúde

Portugal vai acelerar meios para terceira dose contra a Covid-19

(C) LUSA
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Em declarações aos jornalistas à margem de uma visita ao centro de vacinação em Mafra, António Lacerda Sales reconheceu que “o número de elegíveis mais do que duplicou”, em virtude das novas orientações dadas pela Direção-Geral da Saúde (DGS), e sinalizou que há agora “mais 1,8 milhões de pessoas para vacinar” além das que já estavam inicialmente previstas até 19 de dezembro.
“Vamos ter reforços, como é obvio”, começou por dizer o governante, sublinhando: “Temos de reprogramar e voltar a planear, quer do ponto de vista da logística, quer do ponto de vista dos recursos e do planeamento, porque é mais do dobro dos elegíveis. E é isso que vamos fazer com o Núcleo de Coordenação [do processo de vacinação] e com as autarquias”.

Lacerda Sales vincou que a chegada de mais meios surgirá da “cooperação intensa com o Ministério da Defesa e as Forças Armadas”, além do Ministério da Saúde e dos seus organismos.

“Fruto dessa articulação, conseguiremos alocar mais recursos a este replaneamento que temos de fazer”, notou, sem deixar de esclarecer que este será um “replaneamento integrado” face às “três novas camadas” que entraram para o processo: pessoas que tomaram a segunda dose há pelo menos 150 dias, doentes recuperados e os maiores de 18 anos com a dose única da vacina da Janssen administrada há mais de três meses.

Paralelamente, o secretario de Estado Adjunto e da Saúde lançou um apelo às pessoas para receberem a dose de reforço contra a covid-19 e enalteceu o aumento da adesão que já se verificou hoje, naquele que foi o dia com mais doses de reforço administradas, acima das 42 mil inoculações. Só com uma grande adesão, sustentou o governante, será possível ter um Natal “com mais tranquilidade”.

“Mais importante do que a meta – que com certeza vamos atingir – é proteger as pessoas. Queremos que o Natal das nossas famílias não seja igual ao do ano passado, queremos que as famílias possam estar juntas. Por isso é que estou hoje a fazer aqui um apelo: que as pessoas se antecipem e possamos ganhar durante este mês um grande nível de adesão para que depois as pessoas possam passar o Natal com mais tranquilidade e juntas com as famílias”.

A terminar, Lacerda Sales evitou pronunciar-se sobre a eventual vacinação das crianças entre os cinco e os 11 anos, pedindo que se espere pelas decisões da DGS e dos organismos internacionais sobre essa matéria. Porém, reiterou que Portugal tem “logística, recursos e meios” para fazer face a esse desafio e que “a prova está mais do que dada” pelo país.

Em Portugal, desde março de 2020, morreram 18.310 pessoas e foram contabilizados 1.119.784 casos de infeção, segundo dados da Direção-Geral da Saúde.

As alterações ao processo de vacinação da dose de reforço contra a covid-19 exigem também uma reorganização interna do núcleo de coordenação, além do aumento dos meios no terreno, admitiu o responsável pelo plano.

“Estamos a reprogramar, é também uma reorganização interna para responder aos novos desafios. Estamos confiantes de que isso vai acontecer, estamos já a trabalhar para isso e esperamos que, progressivamente, vamos aumentando a nossa capacidade de vacinação”, afirmou o coronel Carlos Penha Gonçalves aos jornalistas numa visita a um centro de vacinação em Mafra, no distrito de Lisboa.
O responsável por esta etapa do processo lembrou que há “um plano em curso” e que a estrutura está concentrada na sua execução, que prevê a vacinação de 900 mil pessoas até 19 de dezembro. .
“O nosso foco é esse e o ritmo que estamos a atingir agora vai permitir fazer isso. É preciso que as pessoas venham ao processo de vacinação quando forem agendadas. Se não conseguirem, venham à “casa aberta” e serão vacinadas. Neste momento estamos a vacinar as pessoas mais frágeis”, esclareceu, reiterando: “Não vamos chamar as pessoas sem ter capacidade para as vacinar”.
Questionado sobre o redimensionamento da resposta no terreno, Penha Gonçalves disse que a avaliação sobre os pontos de vacinação existentes está a ser feita pelas administrações regionais de saúde e que o ajuste, que “tem sido feito desde o início do processo”, pode passar por um aumento em número ou na dimensão dos centros.

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