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Chega considera programa eleitoral do PSD “muito pouco ambicioso”

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Falando aos jornalistas em Lisboa, antes de um jantar comício com a juventude do Chega, André Ventura reagiu ao programa eleitoral do PSD, hoje apresentado, defendendo que os sociais-democratas já o deviam ter apresentado “antes dos debates”, para serem confrontados, e considerando-o “muito pouco ambicioso”.

“É um programa que tem algum espírito reformista, mas no essencial vai manter o país tal como ele está. Não é corajoso nos cortes da subsidiodependência e, sobretudo, o que mais me estranhou, não é corajoso numa área em que Rui Rio tinha dito que ia fazer reformas estruturantes: a área da justiça”, afirmou.

Segundo André Ventura, apesar de Rui Rio ter prometido “fazer uma grande reforma da justiça”, o PSD não apresentou “reforma nenhuma”, mantendo “a mesma justiça com uns retoques aqui e ali”.

O líder do Chega criticou também o que disse ser uma “falha na reforma do sistema político”, afirmando que o PSD “se tinha comprometido em cortar as despesas políticas”, mas “volta a não querer fazer nada disso, nem na redução do número dos deputados, nem na redução de cargos políticos, nem na eventual criação de novos cargos políticos com a regionalização”.

“E, portanto, é mais do mesmo: honestamente é um programa muito dececionante e esperamos que se consiga agora, com uma maioria de direita, fazer as alterações de que o país precisa”, indicou.

Ventura frisou ainda que o programa mostra “que o PSD não é alternativa e é basicamente uma repetição do PS”, afirmando assim que o Chega irá “continuar a fazer firme oposição, quer ao PSD, quer ao PS”.

Questionado se o programa social-democrata poderá dificultar um entendimento pós-eleitoral com o PSD, André Ventura considerou que “essa é importância” de o Chega sair reforçado das legislativas, para “ter a capacidade de impor essas mudanças”.

“Onde o Chega quer muito impor essa mudança ao PSD, ao CDS, eventualmente à IL, é na área da justiça. É na área da justiça que queremos trabalhar mais forte, é na área da justiça que queremos fazer reformas a sério e, infelizmente, o PSD aqui não deu abertura para isso”, indicou.

O PSD apresentou hoje o seu programa eleitoral, com Rui Rio a prometer que, caso ganhe as eleições de 30 de janeiro,
irá estabelecer uma “governação reformista”.

“Quando temos um Governo do PS com aversão a reformar, isto também é rigor versus facilitismo, quem é rigoroso percebe o que tem de ser feito e faz”, afirmou.

“Cada vez que se faz uma reforma é uma carga de trabalhos, mas como diz o povo, quando tem de ser tem muita força”, afirmou, apontando como áreas essenciais a necessitar de reforma a justiça, a segurança social ou a descentralização, e outras menos profundas em setores como a saúde ou educação.

Entre as reformas apresentadas, consta designadamente uma reforma do sistema eleitoral que o partido considera “equilibrada e aberta a um compromisso alargado” e que inclui a redução do número de deputados de 230 para 215, e a reconfiguração da dimensão dos círculos eleitorais “que elegem um máximo de nove e um mínimo de três deputados”, assegurando que se garante a proporcionalidade a representação de pequenos partidos.

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