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PS acusado de “fazer tudo” para impedir eleição de deputado cigano

(c) LUSA
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O presidente do Partido Trabalhista Português (PTP) acusou hoje o PS de “fazer tudo” para impedir a eleição de um cidadão de etnia cigana para a Assembleia da República, ao afirmar que o único voto útil é nos socialistas.

Amândio Madaleno falava aos jornalistas em Belém, Lisboa, à margem de uma ação do PTP que pretendia hoje ser recebido pelo Presidente da República a propósito da morte de um recluso, a 10 de janeiro, na prisão de Alcoentre.

Segundo o líder do PTP, trata-se de um cidadão de etnia cigana, que alegadamente teve morte natural, mas que, segundo disse, “existem indícios de que se tratou de um homicídio”.

Na ação de hoje, que contou com a participação de quatro elementos do PTP, o partido contava que o filho e o pai do malogrado recluso estivessem presentes, o que não se concretizou.

O pedido endereçado ao Presidente da República, para que esta representação do PTP e os familiares do recluso fossem recebidos, não foi aceite e a ação limitou-se a esclarecer à comunicação social a importância de o assunto não ser esquecido, mas também a oportunidade de ser eleito um deputado de etnia cigana.

Recordando que o partido tem vários candidatos ciganos, como Horácio Carapinha, em Setúbal, e Alfredo Maia, em Lisboa, Amândio Madaleno considera que esta é “a primeira vez que, efetivamente, os ciganos têm possibilidade de entrar na Assembleia da República”.

“Temos assistido a uma campanha um bocadinho hedionda da parte do PS que diz que o único voto útil é no PS. Parece que não há outros partidos. Mas há pessoas que estão desgostosas com o António Costa, que não aceitam o facto de se ter demitido – porque ele é que provocou a demissão -, abandonou o barco e quem abandona o barco tem de ser castigado” disse.

O candidato considera que Costa tem uma postura muito diferente da assumida por António Guterres e Mário Soares, que “atendiam muito às pretensões da etnia cigana, representavam-nos, defendiam-nos”.

“Este senhor [o primeiro-ministro] nomeou um secretário de Estado, mas ninguém viu nenhuma medida sobre a etnia cigana” que continua todos os dias a ser discriminada, até por “deputados que não aceitam as diferenças, que deviam ser punidos por racismo e que o PS e o PSD não enfrentam essa situação. Deixam o senhor, de quem não se pode falar, falar à vontade e ofender toda a gente”, prosseguiu.

Questionado de que forma é que o PS está a impedir a eleição de um cidadão cigano, Amândio Madaleno explicou: “Fomenta nas redes sociais vários cidadãos de etnia cigana a dizer que têm de votar no PS”.

“Parece que não podem votam em mais lado nenhum, como se o cigano não tivesse direito a defender-se a ele próprio. Menosprezar e desconsiderar a população cigana, que não pode ter representantes na Assembleia da República é ofensivo”, disse.

O líder do PTP tem esperança na eleição de um deputado e lembra que, se isso acontecer, será um cidadão de etnia cigana.

“Eu gostava de ver na Assembleia da República entrar um cidadão de etnia cigana como deputado – todos eles sabem falar e os dois primeiros e que têm mais possibilidade são pessoas educadíssimas, chefes de família, trabalhadores, sem antecedentes criminais, pessoas respeitáveis – era bom para a nossa convivência. Pelo menos podia ser que o tal cidadão que diz mal deles não tivesse coragem de o fazer”.

O PTP concorre a 17 dos 22 círculos eleitorais. Em 2019 obteve 8.299 votos (0,16%).

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