Braga

Filipe Melo de Braga sem apoio de concelhias do Chega nas legislativas

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Filipe Melo é cabeça de lista por Braga pelo partido Chega, mas está longe de reunir consenso entre as concelhias do distrito.

O Semanário V contactou muitas das concelhias e as respostas à redação foram unânimes: não estão ao lado de Melo, mas sempre ao lado de André Ventura.

A Concelhia de Barcelos do Chega anunciou, esta sexta-feira, a retirada de confiança política à Distrital de Braga e ao seu presidente, Filipe Melo, cabeça de lista do partido pelo distrito às eleições legislativas de domingo.

Distrital de Braga do Chega “desprezou” vereador Fernando Silva de Vila Verde

Numa carta aberta assinada por Agostinho Mota, pode ler-se que “a Comissão Política Concelhia de Barcelos decidiu retirar a Confiança Política à Direção Distrital de Braga”, na sequência de “vários atropelos perpetuados pela Comissão Política Distrital de Braga, nomeadamente o seu Presidente (Filipe Melo)”.

O coordenador da Concelhia de Barcelos considera que a “gota de água” foi o facto de a Distrital ter ido a Barcelos em ações de campanha “por duas vezes, sem antes comunicar e/ou reunir”, com a Concelhia.

Segundo Agostinho Mota, “a relação institucional, entre os dois órgãos do partido, já se tem vindo a degradar ao longo do tempo, principalmente após as eleições autárquicas de setembro de 2021, além de a concelhia de Barcelos não foi ouvida nas escolhas de candidatos a delegados ao IV Congresso do partido, de candidatos às legislativas, nem ter sido consultada para ações de campanha.”

A Concelhia considera que se trata de “atitudes e práticas políticas, que violam os mais elementares princípios éticos e democráticos e atropelos ao regulamento interno do partido”.

Carta enviada por Agostinho Mota na íntegra:

Eu, Agostinho Jorge Marinho Lopes da Mota, militante nº 10821, na qualidade de Presidente da Comissão Política Concelhia de Barcelos (ex-Candidato Autárquico à Câmara Municipal de Barcelos – Autárquicas 2021) e em nome dos membros subscritores da Concelhia venho, por este meio, comunicar a todos os militantes e simpatizantes CHEGA de Barcelos, que a Comissão Política Concelhia de Barcelos decidiu retirar a Confiança Política à Direção Distrital de Braga.

Esta tomada de posição, insere-se num quadro de vários atropelos perpetuados pela Comissão Política Distrital de Braga, nomeadamente o seu Presidente (Filipe Melo).
A “gota de água” surge pelo facto, de a Distrital de Braga ter vindo em ação de campanha eleitoral, à Cidade de Barcelos, por duas vezes, sem antes comunicar e/ou reunir, com esta Comissão Concelhia do Partido CHEGA (Órgão Local do Partido CHEGA, mandatado oficialmente pelo Partido a 13 de março de 2021), por forma a que as estruturas locais do CHEGA Barcelos, seus militantes e simpatizantes participassem ativamente na campanha Eleitoral Legislativas 2022, que se encontra a decorrer.

A relação institucional, entre os dois Órgãos do partido, já se tem vindo a degradar ao longo do tempo, principalmente após as eleições Autárquicas de setembro de 2021. Esta Comissão política colocou o Partido CHEGA na senda do panorama político em Barcelos, sendo um Partido alternativo aos existentes no Concelho.

De referir que a nossa Concelhia de Barcelos (com pouco mais de 7 meses de existência), concorreu a 15 freguesias (foi a Concelhia CHEGA que concorreu a mais freguesias de todo o Distrito de Braga), à Câmara Municipal e à Mesa da Assembleia Municipal de Barcelos (a maior do país). Conseguimos eleger três deputados para Assembleia Municipal, um membro para a Assembleia de Freguesia de Creixomil e Mariz, tornando-se na 3ª força Política no Concelho de Barcelos, contribuindo para a queda da governação socialista que deixou a câmara de Barcelos com má reputação.

A Comissão Política de CHEGA de Barcelos, não pode pactuar com todo o tipo de atitudes e práticas políticas, que violam os mais elementares princípios éticos e democráticos e atropelos ao regulamento interno do Partido, sujeitando os membros desta Concelhia, com percurso público prestigiado e com resultados eleitorais que o provam, a um processo, que se provou ser sectário, antidemocrático e indigno de um atual presidente Distrital e Candidato à Assembleia da República nestas legislativas de janeiro.

Nomeadamente porque:

1. A Comissão Política Distrital de Braga, não convocou nem reuniu com a Comissão Política Concelhia de Barcelos, para a elaboração e sugestão de nomes de Militantes de Barcelos, para figurarem na Lista de candidatos a delegados ao IV Congresso do Partido CHEGA, realizado em novembro 2021. Condicionou e coagiu militantes a não integrarem a lista elaborada pela Concelhia de Barcelos.

2. A Comissão Política Distrital de Braga, não convocou nem reuniu com a Comissão Política Concelhia de Barcelos, para a elaboração e sugestão de nomes de Militantes de Barcelos, para figurarem na lista de candidatos a Deputados às eleições legislativas de janeiro de 2022, pelo círculo eleitoral de Braga.

3. A Comissão Política Distrital de Braga, não convocou nem reuniu com a Comissão Política Concelhia de Barcelos, para preparar as ações de campanha eleitoral, no Concelho de Barcelos (as quais tem tido uma participação pouco expressiva e muito redutora do potencial de Barcelos). Por estes motivos, é retirada a confiança política à Distrital de Braga, nomeadamente ao seu Presidente.

NOTA: Esta decisão política surge após Reunião extraordinária realizada na Concelhia do CHEGA Barcelos. Esta Comissão política Concelhia, nunca pactuara com quem queira implementar neste partido os vícios do sistema ou da 3ª República. O Chega não se identifica com este tipo de atitudes. Enquanto esta Concelhia estiver em funções, as regras fundamentais que criaram este partido serão cumpridas e não hesitaremos em tomar qualquer posição, seja com quem for, para que as mesmas não sejam quebradas. Continuaremos a fazer crescer o partido CHEGA em Barcelos. Viva o Chega! Viva André Ventura! Viva Barcelos!


“A Distrital fez uma lista à imagem do Presidente da Distrital – uma espécie de ‘quero posso e mando'”

O Semanário V, em exclusivo, falou com o presidente da concelhia de Barcelos do Chega e recolheu a opinião sobre o presidente da Distrital (Filipe Melo) ser o cabeça de lista pelo círculo eleitoral de Braga.

Ao V, Agostinho Mota, disse que a resposta à escolha de Filipe Melo como cabeça de lista da distrital do Chega de Braga “só pode ser dada pela Direção nacional do Partido CHEGA e ao seu presidente André Ventura, pois é uma escolha da Direção, tal como o foi o número dois da Lista. Não me vou pronunciar, pois não cabe às Concelhias essa escolha e/ou decisão (aprovado com legitimidade no IV Congresso do Partido CHEGA em Viseu)”.

Sobre se Filipe Melo é a escolha certa, Agostinho Mota disse que os resultados eleitorais, como sempre, é que vão legitimar ou não a referida escolha. “Se a Comissão Política Concelhia Chega de Barcelos, apoia esta Candidatura? Como referi, anteriormente, os Cabeças de Lista são da responsabilidade do Direção Nacional, no entanto, discordamos da forma como foi feita a seleção dos elementos que figuram na lista de candidatos pelo círculo eleitoral de Braga: dos elementos que lá constam (19), nenhum foi proposto por esta Concelhia, para representar Barcelos. A Distrital fez uma lista à imagem do Presidente da Distrital – uma espécie de “quero posso e mando”. Como Presidente de uma Distrital (Filipe Melo) “é mal preparado e irresponsável, não sabe cativar, apenas sabe afastar, quem tem uma opinião diferente da dele. A Cidade de Barcelos, insere-se no famoso quadrilátero urbano de Braga, sendo uma das quatro cidades mais importantes e maiores do distrito, como tal, os nomes propostos por nós, teriam de entrar nos 6 primeiros – tudo é passível de consenso diálogo e acordo. No entanto, a Distrital (alguns elementos), não consegue agregar, conversar, encontra soluções de consenso. O mesmo tem vindo a acontecer ao longo do tempo, desde que a distrital foi eleita. Tem estado afastada e em rota de colisão, com militantes e outras direções concelhias. Barcelos não é a única que esta em desacordo com a direção distrital de Braga, há pelo menos 4 concelhias que estão, igualmente arrestadas ou em desacordo com a atual direção distrital de Braga”, concluiu o presidente da concelhia de Barcelos do Chega.

Em Vila Verde as guerras internas também puseram Fernando Silva e Melo de costas voltadas

Fernando Silva vereador de Vila Verde eleito pelo Chega nas autárquicas de 2021 também mostrou o seu descontentamento perante Filipe Melo, cabeça de lista do Chega por Braga, e a gota de água foi na arruada promovida pelo Chega em Vila Verde que segundo Fernando Silva “não foi convidado”.

Filipe Melo (Chega) fez campanha em Vila Verde ‘sem apoio de Fernando Silva’

Fernando Silva relembre-se que foi um dos candidatos nas autárquicas eleito como vereador e conseguiu um dos melhores resultados do país do Chega em Assembleias Municipais. Foi um dos fundadores da concelhia do Chega de Vila Verde e é um dos rostos mais conhecidos do partido na região e diz-se agora “posto de lado pela distrital de Braga num terrorismo político sem precedentes”. Assume apoio incondicional a André Ventura e ao partido.

Reação da concelhia de Famalicão: “Filipe Melo é dono e senhor da distrital, e das estruturas concelhias do distrito”

Ao Semanário V,  Vítor Meira, presidente da Concelhia do Chega de Famalicão disse que “esta pessoa (Filipe Melo) não reúne nenhuma qualidade como pessoa ou política para assumir uma candidatura por este partido. Sempre falando por mim, quer ele é a aposta errada como todas as decisões posteriormente tomadas por ele só criaram uma maior clivagem entre ele, dono e senhor da distrital, e das estruturas concelhias do distrito. No meu caso específico, não lhe devo vassalagem. Apoiava quando achava a decisão correta e discordava nas mas decisões.”

Vítor Meira diz ainda “quando algum presidente concelhio se começava a destacar, tinha que ser afastado. Fui traído por ele (Filipe Melo) e pelo seu pupilo de Famalicão com a promessa de lugar na lista e na presidência da concelhia.”

Conclui dizendo que, “obviamente tudo o que se passou foi transmitido em reunião concelhia e estamos solidários na decisão tomada, por unanimidade, de condenar esta traição. No Chega não há lugar para pessoas destas“.

O Número 2 de Braga é o lisboeta Rodrigo Alves Taxa

“Esse senhor não conhece a terra. Andamos aqui a trabalhar para Lisboa?” – diz um militante do Chega ao V, referindo-se a Rodrigo Alves Taxa, o número dois de Filipe Melo.

Rodrigo Alves Taxa é o presidente do Conselho de Jurisdição do Chega. Natural de Santarém, é um dos braços direitos de André Ventura, surgindo assim numa posição que poderá ser elegível, face aos resultados nas presidenciais e nas autárquicas no distrito.

O mesmo militante desabafa ao V: “Nem os Bombeiros Voluntários de Vila Verde nem a GNR quiseram receber a comitiva do Chega em Vila Verde.”

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