Carlos Pedro Castro

Opinião. “O grande aliado do governo de António Costa foi o PSD através do seu presidente Rui Rio”

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Analisar os resultados eleitorais das eleições legislativas 2022, é só por si uma simples constatação da inequívoca e transversal vitória de António Costa e do PS, em todo o País excetuando a Madeira . Apenas em alguns Concelhos ganhou o PSD a norte do rio Tejo, Concelhos estes com pouca influência em termos de votação a nível Distrital, sendo efetivamente um resultado que quer os intervenientes e respetivos staffs, analistas políticos e até as famigeradas sondagens em nenhum momento temporal sequer se aproximaram deste resultado eleitoral.

Mas se fizermos uma analise à governação do PS e ao historial dos 6 anos de governação, podemos afirmar que contrariando o ditado que diz: ”o povo tem a memoria curta” afinal não é assim tão verdade, pois afinal o grande aliado do governo de António Costa e do PS, foi o PSD através do seu presidente Rui Rio. Passo a concretizar, foi o PSD que votou em sintonia com o PS a grande maioria das medidas legislativas, das 10 139 votações relativas a todas as iniciativas parlamentares, efetivamente o PSD votou em sintonia com o PS 57,8 % delas, enquanto o BE 56,8 %, e o PCP 56,1 % e o PEV 52,4 %. Perante estes dados, efetivamente o PSD foi “o aliado em termos governativos do PS e de António Costa” sem fazer parte efetivamente da “geringonça” desde 2015 a 2021.

Mas se analisarmos somente o período de 2019 a 25 de outubro de 2021, as situações de sintonia foram ainda de maior concordância, foi o CHEGA que menos votou de acordo com o PS só 30,1 %, tendo os parceiros de coligação BE passado 65,4 % para 42,2 %, o PCP de 65,1 % para 40,6 % e o PEV de 60,5 % para 38,7 % e até o PAN de 57 % para 42,5 %. Efetivamente o PSD de Rui Rio foi o único Partido que não diminuiu o número de votações em sintonia com o PS tendo inclusive aumentado de 57 % para 59,3 %.

Constatar que o principal Partido da oposição – PSD, votou em termos globais sempre ou quase sempre ao lado do PS, retira em termos políticos a possibilidade de criticar as alternativas governativas de António Costa. O partido que devia ser oposição clara com iniciativas e propostas alternativas, o partido que devia ter sido mais exigente e mais próximo dos Portugueses, exigido mais responsabilidade, onde em 6 anos de Governação tantos “CASOS NEGROS” de governação, exigia-se inequivocamente responsabilidades e consequências Politicas:

– Incêndios de Pedrogão 2017 e todo o processo de reconstrução e reflorestação;

– Roubo em Tancos descoberto em junho de 2017, todo o processo de investigação;

– Golas antifogo, distribuídas á população em julho de 2019 e todo o processo de aquisição;

– O início atribulado da reação á pandemia – COVID e o início da vacinação, tendo sido necessário colocar um militar a dirigir as operações de vacinação;

– E ainda o infeliz atropelamento mortal na Autoestrada e as declarações do ministro…….entre tantos outros !

Estes e outros casos do conhecimento publico, são só por si notórios do modo como o “líder da oposição” Rui Rio foi “macio” para com o governo do PS de António Costa.

Perante o “controlo” total da esquerda (parceiros do PS no acordo parlamentar), partidos estes de “combate anti poder” sobretudo através dos sindicatos e organizações profissionais, perante a apatia do PSD durante 6 anos e mais acentuada nos últimos 2 anos, foi sem surpresa que o CHEGA e o IL, foram os verdadeiros vencedores das legislativas 2022, os derrotados os parceiros de governo do PS, o BE, PCP e PEV e ainda o PAN, durante 6 anos parceiros do PS na governação por acordo parlamentar, pretendiam em 2 meses passarem uma esponja sobre os últimos anos e reativarem a postura anti poder!

O PSD focou-se no seu umbigo, convencidos que tinham um grande líder, líder este Rui Rio que foi efetivamente o parceiro – muleta de António Costa e do governo PS. O povo sabe sempre o que faz e perante inoperância da “extrema esquerda” e sobretudo da direita através do maior partido da oposição, o PSD e do seu presidente Rui Rio, votaram no PS.

Os Portugueses preferiram dar uma maioria ao PS, agregando grande parte do eleitorado do BE e do CDU em detrimento de votar no PSD que se afirmou durante a campanha ser um partido do centro e não da direita, a falta de ambição de Rui Rio e a sua postura de não oposição a António Costa durante os últimos anos, que preferiu afirmar se como Presidente do PSD, em detrimento de fazer uma oposição assertiva ao PS de António Costa através da agregação da Direita, como um verdadeiro opositor ao PS agregando os Portugueses para uma alternativa ao tipo de governação Socialista.

António Costa foi gerindo o período pré e eleitoral e as sondagens a seu favor, focou a campanha em duas franjas do eleitorado, os trabalhadores que usufruem do ordenado mínimo (cerca de 22 % do eleitorado) e os pensionistas (cerca de 30 % dos eleitores), foi suficiente para diminuir a abstenção e ter uma maioria. Abdicou de se focar na classe media e na função pública, ganhou as eleições sem nunca ter demonstrado ser um grande estadista, mas demonstrou mais uma vez ser um hábil político.

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Carlos Pedro Castro

Deputado Municipal pelo PSD de Vila Verde

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