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Opinião. “Revejo no Nuno Melo o melhor que a direita tem para oferecer a Portugal”

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Os portugueses deram a António Costa a tão cobiçada maioria absoluta. António Costa soube sugar até à medula os partidos da esquerda radical e soube cuspi-los, secos e sem credibilidade, quando lhe deu jeito. É uma lição para a extrema esquerda trotskista e bolchevique, que sucumbiu à tentação do poder, dos benefícios e dos lugares, fruto da mentira genética que está no ADN da sua ideologia. Por seu lado, Chega e IL crescem imenso e são o poder ascendente da nova direita. O CDS deixa de ter qualquer representação parlamentar. Uma tragédia anunciada. Por partes:

Quanto à maioria parlamentar socialista

As maiorias trazem sempre riscos de tragédia – como cair em tentações absolutistas e de captura do aparelho do Estado (os socialistas são muito bons nisto) – mas são também uma enorme oportunidade para fazer as coisas bem. António Costa tem hoje todas as condições para mudar o País, para melhor. Tem os milhões do Plano de Recuperação e Resiliência e tem o ambiente político perfeito para reformar e fazer crescer Portugal. A verdade é que estamos perante uma grande oportunidade de sair do destino dos crescimentos medíocres e da falta de coragem de mudar aquilo que todos sabem que é preciso mudar. Por tudo isto, o socialismo em Portugal não terá mais desculpas, tem tudo o que é preciso para fazer aquilo que há muito se tem adiado. A ver vamos! A verdade é que considero António Costa um charlatão, astuto e jogador nato, mas um mero charlatão. A bem dos portugueses, tomara me engane.

Quanto à direita

Rui Rio, político vertical e de contas certas, pecou por não perceber que o povo não quer saber dessas virtudes para nada, que prefere a ilusão e o engano das promessas fáceis, como a subida de ordenados e reformas, mesmo que sejam seguidos de uma enorme carga de impostos, quase todos indiretos que é mais fácil enganar, que resultam numa perda de poder de compra e qualidade de vida. Rui Rio também não percebeu que o centro não existe, não é nada, é retórica confusa. Hoje ao centro o PSD só perde. E perdeu! Curioso também não se verem agora os “Rangel” desta vida e os seus ilustres apoiantes chegarem-se à frente.

Contrapondo, a direita sem ambiguidades como é o caso do Chega e do IL cresceu, e cresceu muito. Disseram ao que vinham, que eram de direita, que queriam uma política de direita e feita pela direita. Quer se goste muito ou pouco são eles o rosto da nova direita, são eles a definir a agenda política à direita daqui para a frente. Adaptemo-nos a isso.

Quanto ao CDS

Zero deputados, pior é impossível. Foi o culminar de anos maus, onde o partido foi perdendo o seu foco, a sua missão e a sua alma. Por culpa das direções que lideraram nos últimos 6 ou 7 anos, foi perdendo ligação com os militantes de base e perdeu o espaço político. Esteve aleado da realidade e como consequência o eleitor do CDS não se revê nas ideias do partido. Algum lobby e uma espécie de elite interna, que no fundo muito poucos votos valem, acabou por fazer o resto. Está hoje numa situação muitíssimo complicada, não há como disfarçar.

Agora, feito o estrago, o CDS precisa de sobreviver, aguentar, voltar à estrada e reconstruir a sua relação com o povo católico. Para isso, precisa de uma liderança experiente, lúcida, convergente e capaz. O Nuno Melo reúne essas condições. Revejo no Nuno Melo o melhor que a direita tem para oferecer a Portugal. Irá ter sucesso a reerguer o CDS e fá-lo-á bem mais rápido do que pensamos. Há homens que têm uma missão maior na vida e o Nuno Melo é um deles. Vejo-o a liderar o CDS e a uma nova direita em Portugal, uma direita de valores e um motor de desenvolvimento para todos. Nós cá estaremos para o ajudar.

Uma última nota sobre a nossa sociedade atual e a sua relação com a política

Dizia o grande Torga sobre povo português: “que povo este! fazem-lhe tudo, tiram-lhe tudo, negam-lhe tudo, e continua a ajoelhar-se quando passa a procissão…”. Era um sábio. Somos uma sociedade pacifica de revoltados, que tudo critica e nada faz para mudar, que com palavras mansas e algum “jeitinho” em tudo acredita, tudo aceita. O engano, a promessa fácil que se sabe não cumprir, o porco no espeto e o copo de vinha continuam a fazer verdadeiros milagres eleitorais. Que os nossos filhos sejam mais exigentes, mais sábios, mais responsáveis e menos instalados. Isto, a bem da nação!

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Paulo Marques

Vice-presidente da Distrital de Braga do CDS-PP

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