Vila Verde

Câmara de Vila Verde gasta mais de 70 mil euros na gala ‘Namorar Portugal’

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A organização da Gala Namorar Portugal está a cargo da empresa Simultâneo de Ideias e Música Produção de Eventos Culturais, Lda, com sede em Bragança e mais de 20 anos de experiência em produção de eventos. A Câmara Municipal de Vila Verde contratou o serviço pelo valor de 57.650,00€ + IVA.

António Vilela, presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, em declarações ao Semanário V na edição de 2015 afirmava que “Vila Verde é, em fevereiro, sem dúvida, a capital do amor e toda esta dinâmica em torno do amor persegue dois objetivos fundamentais e que se complementam: dar visibilidade ao Município de Vila Verde e alavancar a economia local. A Gala Namorar Portugal tem tido um papel muito importante pela visibilidade que confere ao Mês do Romance, aos produtos Namorar Portugal e por atrair todas as atenções para Vila Verde. Este é um evento que não pára de crescer e de se afirmar como um evento único no país, o que lhe permitiu ser distinguido pelo Turismo de Portugal I.P. com a Declaração de ‘Evento de Interesse para o Turismo’. Por todas estas razões seria errado avaliar isoladamente o evento da Gala Namorar Portugal.”

Questionado na altura sobre o impacto na economia local, António Vilela realçava que “devemos avaliar as parcerias realizadas ao longo destes anos com empresas de diferentes ramos, muitas das quais de nomeada na indústria nacional e internacional, para a conceção de produtos criativos e inovadores e que têm levado bem longe o nome de Vila Verde e acrescentado valor à atividade industrial e à economia. Por si só, estes eram exemplos perfeitamente elucidativos dos efeitos muito positivos do Mês do Romance e do Namorar Portugal. Mas o retorno desta programação, que é inestimável, tem ainda maior notoriedade se pensarmos no elevado número de pequenos empreendedores que, com a sua imaginação e criatividade, com o seu espírito de iniciativa e capacidade de arriscar, têm criado excelentes produtos e têm construído, com sucesso, o seu próprio posto de trabalho e gerado até empregos para outros colaboradores.”

MAS… NEM TUDO É AMOR
CONFUSÃO NA EDIÇÃO DE 2016

Na edição de 2016, Miguel Ribeiro, criador de moda vilaverdense e um de muitos criadores que estiveram presentes no “XIII Concurso Internacional de Criadores de Moda” da Gala Namorar Portugal dizia que a Gala tinha “tudo para ser apaixonante”, faltando “respeito” e “retidão”, explicava o criador.

Ao Semanário V, Miguel explicava que viu as criações próprias passar com o nome de outros coordenados. “Quando a minha peça desfilou tinha o nome e o número de outra pessoa. Fui avisar que havia um erro, disseram-me que o meu número passaria a ser o nove e iria desfilar novamente para corrigir”, afirmava Miguel Ribeiro.

O modelo acabou por passar outra vez, mas novamente mal identificado. “Fui avisar outra vez e a aliança comprometeu-se a corrigir até ao fim da gala. A gala acabou, e ninguém corrigiu nada. O meu coordenado nunca passou com o número certo nem com o meu nome”, afirmou Miguel Ribeiro, ainda sem palavras para um erro “deplorável”.

Também Melissa Islivarova, outra criadora, referia que “vestiram um dos modelos com a roupa ao contrário”. “Pedi justificações para o sucedido e falaram em confusão nos bastidores e espaço muito pequeno. Mas isto não justifica tudo”, indicava Melissa em página do facebook.

À redação do Semanário V, e assim como em várias páginas do facebook, chegaram queixas conta à organização do evento. Também os diretos da gala, via youtube, foram removidos por violação de direitos de autor.

José Morais exigia “um pedido de desculpas” aos jovens criadores

José Morais, vereador socialista da Câmara de Vila Verde, afirmava que o produtor de moda José Manuel Duarte devia “um pedido de desculpas” aos jovens criadores da Gala Namorar Portugal e aos vila-verdenses.

José Morais dizia mesmo que o Município de Vila Verde tinha responsabilidades na matéria. “O facto de a gala ser um serviço contratado não retira responsabilidades ao Município de Vila Verde que pela voz da vereadora do pelouro deve quanto antes vir a público censurar a atitude do produtor e apresentar um pedido de desculpas junto do Mi Ribeiro e dos restantes jovens criadores visados”, disse o vereador.

“A câmara não sai bem vista deste lamentável episódio, e deverá publicamente demarcar-se das afirmações proferidas, procurando ainda compensar estes jovens que efetivamente foram lesados por lapsos e erros, seja dando-lhes a oportunidade de desfilarem noutros eventos ao longo deste mês, seja de qualquer outra forma que ajude a dignificar e dar visibilidade às suas criações”, refere José Morais, acrescentando “estar certo” que “as tristes declarações do José Manuel Duarte não merecem a concordância de todos os membros do executivo camarário vilaverdense”.

Júlia Fernandes desmarcava-se de responsabilidades

Júlia Fernandes, vereadora social democrata do executivo e responsável pela gala, disse na altura, ao Semanário V, que “o caos” na altura dos desfiles que levaram a erros sucessivos durante a gala eram da responsabilidade era da empresa contratada – por 74 mil euros – para a produção da gala.

ANTÓNIO VILELA NOS CALABOUÇOS DA POLÍCIA JUDICIÁRIA NA EDIÇÃO DE 2017

Na edição da Gala Namorar Portugal de 17, Júlia Fernandes dizia aos presentes que António Vilela não estaria presente no evento por motivos de “problema de saúde de familiar”. A desculpa foi desmascarada poucas horas depois.

No dia seguinte, Vila Verde acordou com “a bomba”: António Vilela tinha detido pela Polícia Judiciária no âmbito de um processo de corrupção e prevaricação devido ao negócio da alienação dos direitos da EPATV do público para o privado. João Luís Nogueira, diretor da EPATV, também foi detido.

É de conhecimento geral que António Vilela e João Luís Nogueira não são os melhores amigos. Nesse ano, passaram o Dia do Namorados juntos na PJ de Braga, sendo presentes ao Tribunal de Braga apenas no dia seguinte (15).

Gala ‘Namorar Portugal’ volta a realizar-se e bilhetes são de borla

A 18ª edição do Concurso Internacional de moda de Vila Verde, marcada para de 14 de fevereiro, no parque industrial de Gême, vai-se realizar, este ano, em moldes diferentes. A pandemia obriga a que o evento deixe de ter jantar, tenha lugares limitados e por isso, será transmitido on-line. A concurso estarão 83 coordenados, um deles de Espanha e, pela primeira vez, um vindo da Madeira, numa gala apresentada por Maria Cerqueira Gomes.

As modelos Kika Cerqueira Gomes, Cheyenne Feliz, Ana Elisa e Edir são os destaques nas passerelles cuja animação musical vai ficar a cargo da Orquestra Viv’Arte com FF como vocalista e a participação especial de Daniel Fernandes. Cinco estilistas consagrados, Anabela Baldaque, Natália Mil-Homens Pereira, Rafael Freitas, Luís Carvalho e Nuno Gama vão apresentar os seus modelos inspirados no romance e nos lenços dos namorados.

A presidente da câmara de Vila Verde apresentou os pormenores do certame, destacando a participação de 14 instituições de ensino e os oito prémios a concurso. “A gala, este ano, vai obedecer a um conjunto de regras diferentes por causa da situação pandémica. Não vamos ter jantar e a entrada terá que ser feita com o comprovativo de certificação da vacinação e teste negativo”.

“Uma noite de grande glamour”, inserida, nas palavras de Júlia Fernandes, numa programação do mês do Romance com mais de 70 parceiros que “já criam milhares de produtos para a marca conseguindo uma dinamização comercial muito própria”. A autarca reconhece que “a não realização do evento no ano passado afetou os negócios dos vários parceiros e levou, inclusive ao fecho da Aliança Artesanal”.

Uma situação que poderá começar a ser revertida com o regresso do mês do Romance e o retomar da normalidade possível.
A gala Namorar Portugal existe desde 2003, e é uma “iniciativa repleta de glamour” que “traz a Vila Verde várias figuras do meio televisivo, da música e da moda, para viverem a noite de namorados mais romântica do país”.

Depois do interregno provocado pela pandemia, no ano passado, o desfile está de regresso, num modelo novo, com redução do público presencial, mas aberto à transmissão em direto através das redes sociais.

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