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Explicador. Porque quis a Rússia “ocupar” Chernobyl?

Central Nuclear de Chernobyl © 2022 Semanário V
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Militares russos e ucranianos lutaram esta quinta-feira pelo controle de Chernobyl, local ainda radioativo do pior acidente nuclear do mundo e um dos fatores para o colapso da União Soviética.

“O povo ucraniano está a dar as suas vidas para que a tragédia de 1986 não se repita”, disse o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky antes que a extinta central nuclear, cenário de um incêndio e explosão em 1986, fosse capturada pelas forças russas.

Mas qual a razão para tomar uma central nuclear inativa e rodeada de quilómetros de terra radioativa?

A resposta é geografia: Chernobyl fica na rota mais curta da Bielorrússia para Kiev, capital da Ucrânia, e assim segue uma linha lógica de ataque para as forças russas que invadem a Ucrânia.

Ao conquistar Chernobyl, analistas militares ocidentais afirmam que a Rússia estava simplesmente a usar a rota de invasão mais rápida da Bielorrússia, um aliado de Moscovo e uma base para as tropas russas, para Kiev.

“Foi o caminho mais rápido de A para B”, disse James Acton, do ‘Carnegie Endowment for International Peace think tank’.

Jack Keane, ex-chefe do Estado-Maior do Exército dos EUA, disse que Chernobyl “não tem nenhum significado militar”, mas fica na rota mais curta da Bielorrússia a Kiev, alvo de uma estratégia russa de “decapitação” para derrubar o governo ucraniano.

Keane chamou a rota de um dos quatro “eixos” que as forças russas usaram para invadir a Ucrânia, incluindo um segundo vetor da Bielorrússia, um avanço para o sul na cidade ucraniana de Kharkiv e um avanço para o norte da Crimeia controlada pelos russos até a cidade de Kherson.

As ofensivas combinadas representaram o maior ataque a um estado europeu desde a Segunda Guerra Mundial.

O quarto reator em Chernobyl, a 108 quilómetros ao norte da capital ucraniana Kiev, explodiu em abril de 1986 durante um teste de segurança mal feito, espalhando radiação por grande parte da Europa e atingindo o leste dos Estados Unidos.

Na quinta-feira, a Rússia lançou uma ofensiva militar na Ucrânia, com forças terrestres e bombardeamento de alvos em várias cidades, que já provocaram pelo menos 198 mortos, incluindo civis, e mais de 1.100 feridos, em território ucraniano, segundo Kiev. A ONU deu conta de 120.000 deslocados desde o primeiro dia de combates.

O presidente russo, Vladimir Putin, disse que a “operação militar especial” na Ucrânia visa desmilitarizar o país vizinho e que era a única maneira de o país se defender, precisando o Kremlin que a ofensiva durará o tempo necessário.

O ataque foi condenado pela generalidade da comunidade internacional e motivou reuniões de emergência de vários governos, incluindo o português, e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), UE e Conselho de Segurança da ONU, tendo sido aprovadas sanções em massa contra a Rússia.

Foto © 2022 Evren Kalinbacak | Semanário V 2022

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