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Nord Stream 2 pede falência. Como afeta Portugal? E a Europa?

Nord Stream © Euronews
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A operadora de gasodutos germano-russa Nord Stream 2, com sede no cantão suíço de Zug, entrou com um pedido de falência e todos os 106 funcionários foram demitidos, disse hoje a responsável de economia do cantão, Silvia Thalmann-Gut.

“Fomos informados hoje que esta empresa não poderia continuar […], teve que declarar falência e os funcionários receberam as suas cartas de demissão”, disse Silvia Thalmann-Gut, em entrevista ao canal público de televisão e rádio SRF.

O chanceler alemão, Olaf Scholz, anunciou, em 22 de fevereiro, que Berlim tomou medidas para interromper o processo de certificação do gasoduto Nord Stream 2, para distribuição de gás natural russo à Alemanha.

Scholz disse aos jornalistas em Berlim que o executivo alemão estava a tomar medidas para responder às ações de Moscovo na Ucrânia.

“Sem essa certificação, o Nord Stream 2 não pode ser colocado em funcionamento”, disse Scholz durante uma conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro irlandês, Micheal Martin, acrescentando que o assunto vai ser “reexaminado” pelo governo alemão.

O processo de certificação da empresa Nord Stream 2 AG como operador de transporte de gás é um requisito alemão que estava ainda por cumprir, apesar de o gasoduto ter entrado em fase de testes de segurança, em outubro.

O gasoduto que liga a Alemanha à Rússia, concluído em setembro do ano passado, tem uma capacidade de transporte de 55 mil milhões de metros cúbicos de gás anualmente, uma extensão de 1.230 quilómetros sob o Mar Báltico, estabelecendo a mesma rota que o Nord Stream 1, a operar desde 2012.

O projeto, detido pela empresa estatal russa de energia Gazprom e financiado por várias empresas de energia, estava projetado para arrancar em 2011 e o funcionamento em 2012, mas só saiu do papel 10 anos depois, devido às ameaças de sanções norte-americanas e às tensões geopolíticas.

O projeto teve um custo total de 9.500 milhões de euros e deveria duplicar a capacidade de exportação de gás da Rússia para a Alemanha.

O ataque da Rússia foi condenado pela generalidade da comunidade internacional e a União Europeia e os Estados Unidos, entre outros, responderam com o envio de armas e munições para a Ucrânia e o reforço de sanções para isolar ainda mais Moscovo.

Como afeta Portugal?

De uma forma direta Portugal não é afetado, uma vez que importa pouco gás russo que é transportado por navio até ao Porto de Sines.

Portugal recebe também, por via marítima, gás dos Estados Unidos da América e da Nigéria, entre outros, e recebe gás de África por via terrestre, através dos gasodutos com Espanha.

Como afeta a Europa?

No caso da União Europeia, esta está fortemente dependente de gás natural. Logo a seguir ao petróleo e derivados, o gás natural é o segundo combustível mais utilizado pelos 27 Estados-membros. A Rússia é o seu maior exportador.

Nord Stream 1 e 2 © Ouest-France

Nord Stream

Nord Stream 1 e 2 (nomes anteriores: North Transgas e Gasoduto Europeu do Norte; também conhecido como Gasoduto Russo-Alemão, Gasoduto do Mar Báltico, em russo: Северный поток (Severnyy potok), em alemão: Nordeuropäische Gasleitung) são dois gasodutos para transporte de gás natural através do Mar Báltico. No entanto, grande parte do gás também é redistribuído pela Alemanha para outros países da Europa. O projeto, desde sempre, está no meio de uma polémica que envolve as relações de dependência da Europa Centro-Ocidental com a Rússia.

O projeto
O projeto do gasoduto inclui dois ramais paralelos, cada um com 1.224 km de comprimento, 1.220 mm de diâmetro, 22 MPa (220 bar) de pressão e 55 mil milhões de metros cúbicos anuais de capacidade.

A DW reportou em fevereiro de 2022 que “as duas instalações enviariam 110 mil milhões de metros cúbicos de gás natural anualmente à Alemanha”.

O consórcio encarregado de construir e operar os Streams é o Nord Stream AG.

Nord Stream 1
Ligando Vyborg, Rússia, e Greifswald, Alemanha, o primeiro ramal começou a ser construído em abril de 2010, tendo ficado pronto em junho de 2011 e sido inaugurado em 8 de novembro de 2011 pela chanceler alemã Angela Merkel e o presidente russo Dmitri Medvedev.

Em 2021, segundo informações no portal do Nord Stream 1, 59,2 mil milhões de metros cúbicos de gás natural tinham sido transportados para consumidores na Europa, o número mais alto desde o início das operações.

Nord Stream 2
Ligado  Ust-Luga, Rússia, a Greifswald, Alemanha, o segundo ramal estava projetado para começar a ser construído em maio de 2011, com o funcionamento previsto para finais de 2012, no entanto, só saiu do papel 10 anos depois, devido à controvérsia sobre a dependência da Europa do gás da Rússia. Assim, a construção só foi iniciada em maio de 2018 e concluída em setembro de 2021 e o funcionamento estava previsto para iniciar em meados de 2022.

A obra, que custou 9,5 mil milhões de euros, pertence à estatal russa Gazprom e foi construída com o apoio de cinco empresas europeias de energia: OMV da Áustria, a anglo-holandesa Shell, Engie, da França, e as alemãs Uniper e Winterhall — esta última uma filial da multinacional Basf.

A 22 de fevereiro, um dia depois de Putin ter anunciado que reconhecia a independência das cidades separatistas Donetsk e Luhansk e de permitir que tropas russas invadissem a região, o chanceler alemão Olaf Scholz cancelou provisoriamente a certificação e inauguração do gasoduto.

Fonte: Lusa, Wikipedia, Euronews, nord-stream.com

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