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Que tragédia assistiríamos se uma bomba atómica caísse agora em Kiev?

O QUE ACONTECERIA SE UMA BOMBA ATÓMICA TSAR CAÍSSE EM KIEV? © outrider.org
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Em agosto de 1945 a Humanidade – infelizmente – teve a noção real do potencial trágico de uma arma nuclear. Aas cidades de Hiroshima e Nagasaki sofreram na pele os dois bombardeamentos realizados pelos Estados Unidos da América (EUA) contra o Império do Japão, durante os estágios finais da Segunda Guerra Mundial.

Mas afinal, o que é uma bomba nuclear?

Bomba nuclear é um dispositivo explosivo que deriva sua força destrutiva das reações nucleares, tanto de fissão (conhecida como bomba atómica) ou de uma combinação de fissão e fusão (conhecida como bomba termonuclear). Ambas as reações libertam grandes quantidades de energia a partir de quantidades relativamente pequenas de matéria.

Oficialmente, a mais poderosa bomba de fusão nuclear já testada atingiu o poder de destruição de 57 Megatons – conhecida como bomba Tsar – num teste realizado pela URSS [União Soviética] em outubro de 1961. Esta bomba tinha mais de 5 mil vezes o poder explosivo da bomba de Hiroshima, e maior poder explosivo que todas as bombas usadas na II Guerra Mundial somadas (incluindo as duas bombas nucleares lançadas sobre o Japão) multiplicado por dez.

Putin lembra ao Ocidente que possui armas nucleares

“A Rússia continua a ser um dos estados nucleares mais poderosos”, afirmou o presidente russo, Vladimir Puti, no seu discurso na quinta-feira (24), antes do início da ofensiva militar em território ucraniano.

A ameaça pode ter sido vazia, uma mera exibição de garras pelo presidente russo, mas foi percebida. Isso acendeu visões de um pesadelo em que as ambições de Putin poderiam levar a uma guerra nuclear por acidente ou erro de cálculo.

“Quanto aos assuntos militares, mesmo após a dissolução da URSS e a perda de uma parte considerável das suas capacidades, a Rússia de continua a ser um dos estados nucleares mais poderosos”, disse Putin, no seu discurso pré-invasão na quinta-feira.

Putin adiantou que “não deve haver dúvida para ninguém de que qualquer potencial agressor enfrentará a derrota e consequências nefastas se atacar diretamente” a Rússia.

Ao sugerir uma resposta nuclear, o presidente russo colocou em jogo a possibilidade perturbadora de que os atuais conflitos na Ucrânia possam eventualmente transformar-se num confronto atómico entre a Rússia e os Estados Unidos.

O que aconteceria se uma bomba atómica Tsar caísse agora em Kiev?

Através do site outrider.org – organização sem fins lucrativos que fornece análise e opiniões sobre segurança, política e questões sociais – é-nos possível simular o impacto que teria uma bomba atómica se caísse em qualquer cidade do mundo. Em Kiev, o resultado seria aproximadamente o seguinte:

  • Número de mortos: 1 milhão
  • Feridos: quase 1,5 milhões
  • Bola de fogo: o fogo da explosão alcançaria a área de 67 km2
  • Onde de choque: a região afetada seria superior a 2 mil km2
  • Calor: promovido pela explosão, o calor cobriria uma área de quase 11 mil km2

Estes números são apenas uma estimativa da Organização, que diz usar uma base de dados que contém informação detalhada do número de pessoas que vivem no raio de ação. Essa informação é então utilizada para gerar a previsão do número de vítimas que seriam atingidas, de acordo com dados contidos no manual “The Effects of Nuclear War.”

 

Este cenário apocalíptico é familiar para aqueles que cresceram durante a Guerra Fria, numa época em que as crianças das escolas norte-americanas eram instruídas a esconderem-se debaixo de mesas em caso de sirenes nucleares.

Surpreendentemente, mais nenhum país usou armas nucleares desde 1945, quando o presidente norte-americano Harry Truman lançou bombas no Japão, acreditando que era a maneira mais segura de acabar rapidamente com a Segunda Guerra Mundial. Isso aconteceu, mas com a perda de cerca de 200.000 vidas, a maioria civis em Hiroshima e Nagasaki.

Em todo o mundo, ainda hoje, muitos consideram isso um crime contra a Humanidade e questionam se valeu a pena.

Durante a Guerra Fria as crianças das escolas norte-americanas eram instruídas a esconderem-se debaixo de mesas em caso de sirenes nucleares

Por um breve período após a guerra, os Estados Unidos tiveram o monopólio nuclear. Mas alguns anos depois, a União Soviética anunciou a sua própria bomba nuclear e os dois lados da Guerra Fria envolveram-se numa corrida de armamento para construir e desenvolver armas cada vez mais poderosas nas próximas décadas.

Com o fim da União Soviética em 1991, e a sua transformação numa democracia sob o comando Boris Yeltsin, os Estados Unidos e a Rússia concordaram em limitar os seus armamentos.

Outros países pós-soviéticos, como Ucrânia, Cazaquistão e Bielorrússia, desistiram voluntariamente das armas nucleares no seu território depois da dissolução da União Soviética.

No mundo, são nove os países que possuem armas nucleares: Estados Unidos da América, Rússia, Reino Unido, França, China, Índia, Paquistão, Coreia do Norte e Israel (não declarado).

Países com armas nucleares © Infografia por Paulo Moreira Mesquita / Semanário V

Neste vídeo, feito em parceria com a Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho, é possível ver as consequências da queda de uma bomba atómica numa cidade:

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