Viana do Castelo

População em Viana do Castelo exige fim de descargas de ETAR no rio Neiva

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A União de Freguesias de Barroselas e Carvoeiro pediu ajuda à Assembleia Municipal de Viana do Castelo na resolução das descargas “frequentes” de uma Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) num afluente do rio Neiva, foi hoje divulgado.

“Uma vez que as reclamações apresentadas até agora não tiveram resultado, fizemos chegar ao órgão máximo do concelho, que é a assembleia municipal, um pedido de ajuda para a resolução, de uma vez por todas, desta situação”, afirmou hoje o presidente Rui Sousa.

Em declarações à agência Lusa, a propósito do pedido feito pela União de Freguesias na última reunião da assembleia municipal, Rui Sousa, garantiu que as descargas da ETAR de Barroselas, situada no lugar de Alvas, gerida pela Águas do Norte, “acontecem há muitos tempo”.

“Várias pessoas que vivem próximo do afluente do rio Neiva podem testemunhar que as descargas acontecem sistematicamente”, sublinhou o autarca socialista.

Álvaro Queirós, que vive junto ao ribeiro que desagua no rio Neiva, referiu que vem alertando para aquelas descargas desde 2017, com participações à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) à união de freguesias, à câmara municipal, às juntas de freguesia que se encontram a jusante da ETAR, mas sem sucesso.

O professor de manutenção industrial, que tem o registo fotográfico das descargas “mais ou menos constantes”, adiantou que a última ocorreu no dia 01 de março e criticou a “falta de vontade em resolver o problema”.

Segundo Álvaro Queirós, “as descargas acontecem para o ribeiro dos regos, que passa junto à ETAR e que desagua no rio de Teixe que, por sua vez, percorre cerca de 800 metros até chegar ao rio Neiva”, entre Castelo do Neiva, Viana do Castelo e, Antas, no concelho de Esposende, distrito de Braga.

A empresa Águas do Norte, afirmou, em resposta por escrito a um pedido de esclarecimento enviado pela agência Lusa, que, “nos últimos seis meses, a ETAR de Barroselas registou apenas três anomalias no seu funcionamento, pontuais e imprevistas”.

Segundo a empresa, aquelas descargas “foram provocadas por excesso do caudal afluente àquela infraestrutura de tratamento de águas residuais”.

“A ETAR de Barroselas cumpre de forma escrupulosa o Título de Utilização de Recursos Hídricos emitido pela Agência Portuguesa do Ambiente. É uma instalação que recorre às tecnologias mais atuais de tratamento de águas residuais, o que lhe permite devolver ao meio ambiente as águas tratadas de elevada qualidade”, sustentou.

A Águas do Norte admitiu que “poderão existir situações pontuais de sobrecarga hidráulica, que resultam da afluência excessiva de águas pluviais provenientes das redes de saneamento que a ela se encontram ligadas, e que normalmente acontecem em dias de maior pluviosidade”.

“Não obstante, todas as pequenas perturbações que eventualmente se verifiquem são imediatamente comunicadas às entidades competentes, nomeadamente à Agência Portuguesa do Ambiente e ao Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), o que, neste caso, se verificou”, apontou.

A Águas do Norte disse estar “ciente da importância e impacto do funcionamento desta instalação, instalou um equipamento inovador que permite a monitorização da qualidade da água descarregada que avalia de forma contínua a qualidade da mesma”.

A Águas do Norte é a concessionária do sistema multimunicipal de abastecimento de água e saneamento do Norte de Portugal e é responsável “pela captação, tratamento e abastecimento de água para consumo público e pela recolha, tratamento e rejeição de efluentes domésticos, urbanos e industriais e de efluentes provenientes de fossas séticas” de 63 municípios.

Tem também a exploração e gestão do sistema de águas da região do Noroeste, sendo responsável pela gestão em alta (prestada aos municípios) e em baixa (prestada aos utilizadores finais).

A empresa, que iniciou atividade em 2015, resultou da agregação das empresas Águas do Douro e Paiva, Águas do Noroeste, Águas de Trás-os-Montes e Alto Douro, e Simdouro – Saneamento do Grande Porto, integradas no grupo Águas de Portugal (AdP), detendo “a concessão por 30 anos da exploração e gestão do sistema multimunicipal de abastecimento de água e de saneamento do Norte de Portugal”.

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