Braga

“Acho que fizemos uma primeira parte de elevado nível” – Carlos Carvalhal

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Boavista e Sporting de Braga empataram hoje 1-1, no 100.º embate entre os dois históricos clubes na I Liga de futebol, que evoluiu em intensidade e impediu os visitantes de reforçarem a distância para o quinto lugar.

No Estádio do Bessa, no Porto, Ricardo Horta adiantou os minhotos aos 37 minutos, de grande penalidade, isolando-se na vice-liderança da lista de melhores marcadores, com 15 golos, mas o gambiano Yusupha repôs a igualdade para os ‘axadrezados’, aos 53, no jogo da 25.ª jornada.

O Sporting de Braga segue na quarta posição, com 46 pontos, embora tenha cedido o segundo empate seguido e desperdiçado a oportunidade de se distanciar do Gil Vicente, que abrira a ronda com um ‘nulo’ diante do Estoril Praia antes de se deslocar à ‘Pedreira’.

Já o Boavista, que tinha goleado os ‘arsenalistas’ na Taça da Liga (5-1), é 12.º colocado, com 26 pontos, voltando a acentuar o estatuto de ‘rei’ das igualdades da I Liga, com 14, uma semana após ter retomado o caminho das vitórias na casa dos ‘canarinhos’ (3-2).

A cinco dias da receção aos franceses do Mónaco, na primeira mão dos ‘oitavos’ da Liga Europa, Carlos Carvalhal prescindiu de Diogo Leite, Yan Couto, Iuri Medeiros e Abel Ruiz para fazer regressar à titularidade Paulo Oliveira, Tormena, André Horta e Vítor Oliveira.

Essas mudanças denunciaram uma reconfiguração tática de ‘3-4-3’ para ‘3-5-2’, através da qual os minhotos tentaram desde cedo confundir as marcações do Boavista, tendo ameaçado aos 15 minutos, quando Rafael Bracali negou um cabeceamento de Castro.

À pressão crescente do Sporting de Braga, os pupilos de Petit, que tiveram Hamache no lugar de Luís Santos, autor do golo decisivo no Estoril, responderam com uma postura cautelosa, que resvalou numa etapa inaugural quase sempre sedenta de desequilíbrios.

O nó desatou aos 37 minutos, mediante uma grande penalidade convertida por Ricardo Horta, que viu uma tentativa de passe alto na área para Castro esbarrar no braço de Jackson Porozo, numa decisão assinalada apenas com recurso ao videoárbitro (VAR).

Os ‘axadrezados’ entravam a perder pela sétima jornada consecutiva, mas apareceram revigorados depois do intervalo, com Yusupha a errar o alvo, aos 52 minutos, para, na jogada seguinte, ser isolado por Gustavo Sauer e repor o empate à saída de Matheus.

Desorientado pela toada enérgica do Boavista, o Sporting de Braga regressou ao seu habitual figurino tático para serenar os ímpetos alheios e recuperar conforto com bola, expresso aos 79 minutos, numa jogada coletiva culminada com um remate ao poste do suplente Iuri Medeiros e a respetiva recarga de Ricardo Horta bloqueada por Porozo.

Dois minutos depois, Abel Ruiz aproveitou uma saída extemporânea de Bracali e atirou rasteiro na direção da baliza, mas Reggie Cannon ‘limpou’ em cima da linha e Rodrigo Abascal negou nova insistência de Ricardo Horta, ilustrando os contornos de uma reta final emotiva, na qual as ‘panteras’ tiveram pouco discernimento para lograr algo mais.

Carlos Carvalhal (treinador do Sporting de Braga): “Acho que fizemos uma primeira parte de elevado nível. Criámos oportunidades, marcámos e tivemos um domínio muito grande sobre o Boavista, que teve grande dificuldade para chegar perto da baliza do Matheus.

Acho que chegámos ao intervalo como justos vencedores e creio que confundimos um pouco a equipa do Boavista pelo posicionamento dos nossos jogadores. Na segunda parte, o Petit corrigiu aquilo que tinha de corrigir e estávamos à espera da reação do Boavista. A intenção era continuar a pressioná-lo para tentarmos fazer o segundo golo.

O que é certo é que o Boavista teve um mérito muito grande nessa pressão, mas, na realidade, consegue fazer um golo. De resto, houve alguma dificuldade em criar reais oportunidades. Nós também não as criámos e estávamos mais longe da baliza deles.

Com as primeiras substituições, creio que reequilibrámos o jogo. Com as alterações seguintes, fomos mais acutilantes e agressivos na frente. Temos duas situações, que se desdobram em quatro claríssimas oportunidades de golo. Incrivelmente, não marcámos.

No cômputo geral, foi um jogo muito disputado. Sem dúvida, é difícil jogar no Bessa, contra uma equipa boa e intensa. Creio que merecíamos mais deste jogo. Na minha opinião, merecíamos ganhar, mas vamos em frente e na quinta-feira temos um jogo importante [frente aos franceses do Mónaco, nos oitavos de final da Liga Europa].

Mudança de sistema tático? Fizemos o que tínhamos a fazer dentro da nossa forma de jogar. Mudámos um ou outro posicionamento para confundir o Boavista e ter mais bola. Acho que isso foi amplamente conseguido. Na segunda parte, atendendo à retificação posicional do Boavista, buscámos mais uma variação da nossa forma de jogar para tentarmos vencer, mas não conseguimos por manifesta infelicidade nessa ponta final.

Não temos essa intenção [de priorizar a Liga Europa]. A nossa intenção em cada jogo passa por respeitar a camisola do Sporting de Braga e jogar para vencer em todas as competições. Temos feito o melhor e o máximo em cada jogo. Face aos recursos e à densidade de jogos, acho que temos feito um trabalho bom. Não é excelente, mas é bom. O objetivo é alcançar o máximo de vitórias possíveis e no final faremos as contas”.

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