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Ucrânia festeja “dia da morte de Estaline.” Sabe o que foi a Grande Fome?

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Josef Vissarionovich Stalin (Estaline) morreu a 5 de março de 1953. Há precisamente 69 anos.

O Governo ucraniano decidiu “festejar” o dia com uma mensagem nas redes sociais com um “Happy Stalin’s Death Day!”, que traduzido será algo como “Feliz dia da morte de Estaline!”

Estaline foi um revolucionário comunista e político soviético de origem georgiana. Governou a União Soviética (URSS) de meados da década de 1920 até sua morte, servindo como Secretário-Geral do Partido Comunista de 1922 a 1952, e como primeiro-ministro de seu país de 1941 a 1953.

Inicialmente presidindo um estado unipartidário que governava por um sistema de liderança coletiva, consolidou o poder tornando-se o ditador ou autocrata da União Soviética já na década de 1930. Ideologicamente ligado à interpretação leninista do marxismo, ajudou a formalizar essas ideias como marxismo-leninismo, enquanto suas próprias políticas ficaram conhecidas como estalinismo.

Holodomor – A grande fome da Ucrânia -© DIÖZESANARCHIV WIEN/BA INNITZER

Holodomor?

O nome vem das palavras em ucraniano “holod” (fome) e “mor” (praga ou morte).

Classificada como genocídio, o período do Holodomor (Grande Fome/Fome-Terror) – entre 1932 e 1933 – estima-se que mais de 3 milhões de ucranianos morreram às mãos da política de coletivização de Estaline. Há quem aponte este número para quase 10 milhões. Independentemente do número real, não deixa de ser um trauma que deixou profundas feridas para a vida da nação.

Foi um período de fome na Ucrânia Soviética de 1932 a 1933 que causou a morte de milhões de ucranianos. Como parte da mais vasta fome soviética de 1932-33 que afetou as principais áreas produtoras de cereais do país, milhões de habitantes da Ucrânia, a maioria dos quais eram ucranianos de etnia ucraniana, morreram de fome numa catástrofe sem precedentes na história da Ucrânia em tempo de paz.

Foram dizimadas aldeias inteiras. A taxa de mortalidade atingiu os 30% em algumas regiões. Eram visíveis cadáveres pelas estradas fora, de ucranianos que deixaram as suas aldeias em busca de comida. Há também relatos de canibalismo.

Muitos acusam o então líder soviético, Estaline de querer submeter ucranianos do movimento de independência à fome e forçá-lo a integrar suas propriedades para exploração coletiva.

Com o objetivo de ter o controle direto sobre os recursos agrícolas da Ucrânia, a coletivização era o caminho. Permitia assim ao Estado de controlar o fornecimento de grãos para exportação. As exportações de grãos seriam, então, usadas para financiar a transformação da URSS em uma potência industrial.

Dessa forma, a atividade agrícola seria administrada pela Estado, e não pelos proprietários das terras agrícolas. Além disso, Estaline ordenou a desapropriação das terras agrícolas, que seriam coletivizadas, isto é, passariam também ao domínio do Estado soviético.

A Ucrânia estava entre os principais produtores de cereais da URSS.

Porém, o povo ucraniano não se subordinava aos russos e não obedeciam às indicações de Estaline. Como resposta à desobediência ucraniana, Estaline ordenou que a requisição de alimentos na Ucrânia fosse “exemplar”, ou seja, a Ucrânia teria de entregar, em percentagem, muito mais alimentos que outras regiões. A polícia soviética, por suas vez, eliminava qualquer resistência e tentativa de uma qualquer liderança política ou intelectual que pudesse resultar numa revolta ucraniana.

No ano de 1929, Estaline fez imposições com metas definidas no fornecimento de cereais ao poder central. As entregas obrigatórias eram tão elevadas, que grande parte dos ucranianos não ficava com nada para se alimentar, e começava aí a luta pela sua própria sobrevivência. Praticamente tudo que era produzido, era entregue ao Estado. Quem tentasse ocultar alimentos ou que não entregasse o pedido ao Estado, era enviado para campos de concentração na Sibéria, condenado a trabalhos forçados.

Holodomor – A grande fome da Ucrânia -© DIÖZESANARCHIV WIEN/BA INNITZER

O negacionismo

A fome na União Soviética e na Ucrânia constituiu desde o início um segredo de Estado, permanecendo durante meio século como uma “página em branco” da sua história.

Em janeiro de 1933, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Maksim Litvinov – contrariando as informações veiculadas por alguns jornais e norte-americanos – negou a existência de qualquer problema, e em fevereiro, o Politburo emitiu uma resolução, no sentido de restringir as deslocações dos correspondentes estrangeiros.

Também foram rejeitadas as ofertas de auxílio humanitário de várias entidades, tais como o Comité Central de Salvamento da Ucrânia, o cardeal de Viena Theodor Innitzer, o metropolita greco-católico de Lviv Andrii Szeptycki e o Comité Internacional da Cruz Vermelha.

Reagindo às diversas iniciativas humanitárias, o Chefe de Estado soviético, Mikhail Kalinin, acusou os que pediam “contribuições para a «esfomeada» Ucrânia” de serem “impostores políticos” e declarou: “Só classes degradadas e em desintegração podem produzir elementos tão cínicos.”

A comunidade internacional tem, de forma gradual, vindo a assumir posições favoráveis ao reconhecimento do Holodomor como genocídio, ou mais genericamente, como um crime contra a Humanidade.

Atualmente, ainda persiste a tese negacionista do Holodomor.

Fontes: Mundo e Educação / BBC / Britannica / Euronews / Wikipedia

 

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