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Refugiados em Braga ouvem sinos apaziguadores e “desligam” sirenes agoirentas

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O silêncio foi de ouro no primeiro dia do resto da vida dos 44 refugiados que na madrugada de hoje chegaram de autocarro a Braga e se instalaram num hotel no monte do Sameiro, longe do bulício da cidade.

Ali, o único som que se fazia ouvir era o do trinar dos sinos da basílica, muito mais apaziguador e reconfortante do que o das sirenes que vão ecoando um pouco por toda a Ucrânia.

Um local ideal para quem foge da guerra à procura de paz.

Depois de uma viagem de perto de 40 horas, os 44 refugiados mantiveram-se, ao longo do dia, dentro do hotel, como que ainda a “acordar” para uma espécie de admirável mundo novo.

Quando um ou outro refugiado ia ao exterior, era pedido expressamente aos jornalistas que não os abordassem, não os filmassem, não os fotografassem.

“É preciso dar-lhes tempo e espaço. Eles agora o que mais precisam é de respirar”, disse o padre Vasil Bunzyak, responsável pela Igreja Ortodoxa Ucraniana de Braga.

Hoje foi também dia de tratar de todo o processo de legalização dos refugiados, bem como a testagem para a covid-19.

Os 44 refugiados são de 16 famílias, 11 das quais vão ficar por Braga, para já no Hotel João Paulo II, no Sameiro, mas posteriormente em alojamentos disponbilizados por particulares e instituições.

O presidente da Câmara, Ricardo Rio, disse que está a ser feito tudo com vista a um “acolhimento pleno”, em termos de alojamento, educação, saúde e emprego.

Há já centenas de ofertas de emprego, em áreas que vão do turismo à construção civil, agricultura, tecnologia e desporto.

As outras famílias irão para diferentes pontos do país, como Chaves, Algarve e Coimbra, onde serão acolhidos ou integrados por familiares.

Do total, em causa estão 10 crianças (entre as quais um bebé), nove adolescentes e 25 mulheres adultas.

No recinto do Hotel João Paulo II, propriedade da Arquidiocese de Braga e onde nesta primeira fase foi montado o “quartel-general” dos refugiados, verifica-se um constante movimento de entidades, como a Cruz Vermelha, bombeiros e Polícia Municipal, além de outras instituições e particulares que ali vão deixar alimentos, agasalhos e outros bens de primeira necessidade.

“Muito obrigado a todos os que têm ajudado, muito obrigado de coração, em nome desta gente”, atira Vasil Bunzyak.

A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que, segundo as autoridades de Kiev, já fez mais de 2.000 mortos entre a população civil.

Os ataques provocaram também a fuga de mais de 1,7 milhões de pessoas para os países vizinhos, de acordo com a ONU.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas a Moscovo.

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