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Bruxelas em alerta para risco de tráfico crianças ucranianas

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A Comissão Europeia diz estar em alerta para o risco de tráfico de crianças na Ucrânia devido à fuga da guerra causada pela Rússia, indicando ter já ativada uma rede antitráfico, apesar de ainda não haver registo de vítimas.

“Todos sabemos, por experiência, que quando há uma guerra e há pessoas em fuga, crianças em fuga, há sempre criminosos que tiram partido da situação. Sabemos que as crianças estão em risco de serem traficadas e é por isso que é tão importante o registo”, declara a comissária europeia dos Assuntos Internos, Ylva Johansson, em entrevista à Lusa e outras agências de notícias europeias em Bruxelas sobre a situação ucraniana.

De acordo com Ylva Johansson, “é por isso que é tão importante que os guardas de fronteira e outros estejam atentos aos sinais”.

“Sabemos que temos órfãos na Ucrânia e alguns deles podem já estar aqui como menores desacompanhados. Poderemos também ter crianças que perderam o contacto com os pais durante a viagem e, depois, as crianças são também, naturalmente, muito vulneráveis de se tornarem vítimas de tráfico, pelo que esta é realmente uma área relativamente à qual estamos agora a ativar a rede” de cooperação, acrescenta a responsável.

A comissária europeia da tutela avança que a União Europeia (UE) tem, por isso, já uma rede antitráfico em alerta sobre esta situação nos Estados-membros, que está a trabalhar com a Agência da UE para a Cooperação Policial, a Europol.

“Estamos a cooperar para nos mantermos vigilantes e para nos assegurarmos de que fazemos tudo o que podemos para proteger as crianças”, vinca Ylva Johansson.

Questionada nesta entrevista às agências europeias, incluindo a Lusa, se já existe registo de vítimas, a comissária europeia indica que não.

“Não temos conhecimento, [mas] não quero esperar até termos relatos de crianças desaparecidas ou vítimas, penso que agora é o momento em que precisamos de estar alerta sobre isto”, insiste Ylva Johansson.

“Penso que isso ainda não aconteceu, mas poderia acontecer, por exemplo, em orfanatos na Ucrânia e é por isso que talvez precisemos que os Estados-membros possam ajudar na retirada de todos os órfãos”, exemplifica.

Ao mesmo tempo, “temos algumas crianças que chegam com necessidades especiais ou deficiências”, assinala, insistindo no “registo adequado”.

“Sabemos por experiência que, quando há fluxos migratórios massivos, também há crianças que desaparecem e iria surpreender-me se não tivermos também esse problema desta vez. É por isso que é importante não esperar até termos crianças desaparecidas para nos mantermos vigilantes, para termos isto realmente no topo do radar, para dizermos como podemos proteger e registar as crianças e para nos certificarmos de que forma as crianças chegam […] para que não caiam vítimas de grupos criminosos”, adianta Ylva Johansson.

A Rússia lançou na madrugada de 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que causou já a fuga de mais de 2,3 milhões de pessoas para os países vizinhos – o êxodo mais rápido na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, de acordo com os mais recentes dados da ONU.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, e muitos países e organizações impuseram sanções à Rússia que atingem praticamente todos os setores, da banca ao desporto.

A guerra na Ucrânia, que entrou hoje no 15.º dia, provocou um número ainda por determinar de mortos e feridos, que poderá ser da ordem dos milhares, segundo várias fontes.

Embora admitindo que “os números reais são consideravelmente mais elevados”, a ONU confirmou hoje a morte de pelo menos 549 civis, entre os quais várias dezenas de crianças, e 957 feridos.

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