Vila Verde

Construtores de Vila Verde. Mais 650 mil euros para a família de “Adelino dos Santos Pereira”

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26 de setembro de 2021. Júlia Fernandes é eleita presidente da Câmara Municipal de Vila Verde. A social-democrata fez história ao ser a primeira mulher ao leme deste Município. “Expressiva vitória”, dizia o PSD local. Seis dias antes, domingo de 19 de setembro, desfilava uma “mega-caravana” pelas ruas do concelho a manifestar apoio a esta candidatura.

A candidata social-democrata registou e partilhou o momento nas redes sociais: “Andamos em caravana pela zona norte do nosso concelho. O apoio, os sorrisos e a alegria que me devolvem, confirmam que estamos no caminho certo para continuar a trabalhar por Vila Verde.”

Prodígipadrão

Eram vários os apoiantes que se fizeram deslocar a acompanhar a “caravana” nas suas viaturas particulares, mas também em algumas pertencentes às suas empresas. Uma delas, que merece especial destaque, pertence à empresa Prodígipadrão – Construção Lda, com sede no concelho, em Carreiras Santiago. De acordo com o portal Base.Gov, desde junho de 2020 faturou quase dois milhões de euros à autarquia vila-verdense (1.562.805,03€ + IVA = 1.922.250,19€) em obras públicas.

A Prodígipadrão já executou projetos para o município como a empreitada de redes de abastecimento de água em Prado S. Miguel, Gomide e Barros, requalificação urbanística da Rua Luís Vaz de Camões, a construção da Ecovia do Cávado – troço Mirante-Portocarrero, pavimentação de diversas Estradas e Caminhos Municipais, execução de ramais de abastecimento de água e drenagem de águas residuais, a execução de passeios entre a ER 205 e o Cruzeiro de Cervães e no restabelecimento de ribeiro e pontão no lugar de Passos, em Sande – Vila Verde.

Segundo publicação do Portal da Justiça, a Prodígipadrão pertence a Tiago Daniel Cunha Pereira e a Adelino dos Santos Pereira, de Carreiras S. Tiago.

Remateparcela não sai da “pereira”

A 9 de novembro de 2015, Adelino dos Santos Pereira constituiu uma nova sociedade: Remateparcela Unipessoal Lda. Consultando o portal Base.Gov, constata-se que celebrou apenas um único contrato público… com o Município de Vila Verde, no valor que ascende a 651 mil e 530 euros (529.699,79€ + IVA) para a construção do Centro Interpretativo do artesanato em cerâmica na Vila de Prado. Este contrato, ganho em concurso público, foi acordado a 15 de outubro de 2020, poucos dias após a eleição de Júlia Fernandes, assinado apenas este ano, a 7 de fevereiro.

Mas, atualmente, a empresa já não lhe pertence. Em junho de 2021, Adelino dos Santos Pereira renunciou à gerência e tomou posse Sónia Cunha Pereira. A 27 de junho do ano passado, um dia após Júlia Fernandes ser eleita presidente da autarquia, a sociedade passa para Sónia Cunha Pereira.

Adelino, Tiago e Sónia Pereira, segundo publicação do Portal da Justiça, moram todos em Carreiras Santiago, Vila Verde.

Cronologia dos eventos da empresa:

Família Pereira arrecada 3 milhões de euros ao Município de Vila Verde

Desde 2017, a família Pereira conseguiu contratos públicos com a autarquia vila-verdense em valor próximo de três milhões de euros. A Remateparcela, com contrato único (conforme mencionado acima, 529.699,79€ + IVA = 651.530,74€) e a Prodígipadrão com nove contratos somou mais de dois milhões de euros (1.891.858,27€ + IVA = 2.326.985,67€)

Centro Interpretativo do Artesanato em Cerâmica

A obra pública a cargo da Remateparcela será a requalificação de um edifício que remonta ao século XVIII, na zona dos Carvalhinhos, que foi sede do concelho de Prado, e nele morou, no século passado, o escritor D. João de Castro. O edifício será dotado com as valências necessárias para nele instalar o Centro Interpretativo do Artesanato em Cerâmica na Vila de Prado.

Em declarações à ‘imprensa’ local, Júlia Fernandes disse que “a ideia é criar uma espécie de museu ligado à olaria e ao artesanato em geral, onde haverá um destaque especial ao barro preto, típico da Vila de Prado”.”

A Indústria de Prado era grosseira e limitava-se à fabricação de alguidares, malgas, infusas e vasos para flores. Estes artigos umas vezes apresentavam-se foscos, outras vezes vidrados. As Oficinas eram modestas compreendendo o telheiro, o torno e o forno.

Sabe-se que a argila, depois de adquirida, era disposta num eirado de granito e triturada pela pisa dos bois. Depois o barro passava para um tronco de árvore cavado e chamado masseirão.

Era aí que se procedia à preparação da pasta, reduzindo os fragmentos primeiro com o mascoto e depois à mão, vertendo-se a água necessária para a obtenção da massa que estava pronta para ser aplicada no fabrico.

Era no torno que a uns punhados de massa se dava a forma à louça que, depois de posta a secar ao ar em tabuleiros próprios, era vidrada e ornamentada e em seguida cozida. Além desta louça, fabricava-se também telha e tijolos para a construção.

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