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Missão Ucrânia. Carrinha Humanitária em direção à Polónia (reportagem)

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Francisco Teixeira é o rosto da carrinha humanitária que se dirige à fronteira entre Polónia e Ucrânia desde ontem (22) de manhã. Ao seu lado vai Carlos Queirós. Partiram ainda de madrugada com, no horizonte, mais de três mil quilómetros de estrada por fazer.

Toda a sua equipa da XN Parts arregaçou as mangas, e, nos últimos dias viu transformado o seu armazém num autêntico centro de recolha e triagem de mais de uma tonelada e meia de alimentos e bens essenciais, com destino a Przemyśl.

A autarquia local de Przemyśl já tem um programa específico para a recolha de ajuda humanitária, diz-nos a Daniela Pereira que contactou diretamente os serviços municipais. Francisco adianta ainda que “a entrega terá de ser feita entre as nove horas da manhã e as seis da tarde. É dentro desse horário que temos de lá estar para fazer a descarga organizada do que levamos.”

Posteriormente, os serviços municipais tratarão da logística para encaminhar todos os bens para as pessoas. “Há edifícios lá que foram transformados em centro de acolhimento temporário para estas pessoas”, diz-nos.

Francisco, de 46 anos, diz que “a ideia surgiu há cerca de duas semanas quando se começou a desencadear um número enorme de refugiados” o que originou uma “falta de alimentos e de bens essenciais no momento em que as pessoas atravessavam a fronteira.”

Casado com Carina, também de 46 anos, pais de uma filha de 20, Francisco diz-nos que “a reação da família não foi muito agradável pelo risco que acarreta” mas que com o seu “parceiro Queirós, que se disponibilizou logo a acompanhar, o objetivo estava traçado.”

Como conseguiu juntar, em tão puco tempo, mais de tonelada e meia de ‘mercadoria’ e a ajuda para a deslocação? Francisco explica: “Falei com amigos meus proprietários de empresas que se disponibilizaram logo a ajudar, nomeadamente a publicidade para podermos fazer alguma campanha na recolha de alimentos e bens essenciais, como por exemplo a Stockoff e a própria ajuda da equipa do Semanário V. Contamos gastar cerca de 12 depósitos de combustível, e cinco deles ‘já estão pagos’ por amigos. Mas ainda falta as portagens e tudo o resto…” Tudo o resto, como nos fala Francisco, sai do seu orçamento familiar num momento da sua vida em que o coração fala mais alto.

Questionamos ainda se ao chegar à fronteira se ponderam por lá ficar, mas, por mais que quisessem disponibilizar o seu tempo para ajudar, não será possível. “Atendendo às condições atuais, não temos onde ficar. Regressamos até Cracóvia e passamos lá a noite”, diz.

Será a “aventura” das suas vidas, ao percorrer 7.600 quilómetros para levar a solidariedade – marca tão vincada no povo português – a quem mais precisa neste momento.

Número de refugiados ultrapassa os 3,5 milhões

Mais de 3,5 milhões de pessoas fugiram da Ucrânia desde a invasão da Rússia, cerca de 60% das quais foram recebidas pela vizinha Polónia, anunciou esta terça-feira o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

De acordo com esta agência da ONU, 3,53 milhões de pessoas deixaram a Ucrânia devido ao conflito, tendo 2,1 milhões ido para a Polónia, 540 mil para a Roménia e 367 mil para a Moldávia.

Na segunda-feira, o ACNUR dava conta de 3,38 milhões de refugiados ucranianos e acrescentava ter ainda registado mais de 6,6 milhões de deslocados internos.

Logo após a invasão russa, a 24 de fevereiro, o ACNUR previu que cerca de quatro milhões de refugiados poderiam deixar a Ucrânia, mas reavaliou, entretanto, essa previsão, admitindo já que esta é a pior crise de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Nos últimos dias, as saídas da Ucrânia têm diminuído, depois de atingirem mais de 200.000 por dia em dois dias consecutivos do início de março.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) estima que cerca de 6,5 milhões de pessoas estão deslocadas internamente na Ucrânia, sugerindo que algumas, se não a maioria, podem fugir para o estrangeiro se a guerra continuar.

Já o ACNUR prevê que, entre refugiados e deslocados internos, o número chegue aos 10 milhões, quase um quarto da população total da Ucrânia.

A invasão

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que causou pelo menos 925 mortos e 1.496 feridos entre a população civil, incluindo mais de 170 crianças, e provocou a fuga de mais 10 milhões de pessoas, entre as quais 3,48 milhões para os países vizinhos, indicam os mais recentes dados da ONU.

Segundo as Nações Unidas, cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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