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Jovem de 13 anos trouxe dos relvados da Ucrânia para Portugal o amor ao futebol

(c) br.freepik
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Há cerca de um mês em Portugal, o dia-a-dia do pequeno Danilo Palamarchuk encontrou alguma normalidade nos relvados de Anadia, para onde transportou o amor pelo futebol e onde demonstra que as barreiras linguísticas não existem.

A melhor hora do dia de Danilo, que completou o seu 13.º aniversário já em Portugal, chega ao entardecer, quando calça as chuteiras para mais um treino.

“O futebol é a minha vida. O objetivo da minha vida é ser futebolista”, disse à agência Lusa, sem hesitar.

A tia, Olena Pohomiy, que vive em Anadia desde 2007, é quem ajuda na tradução. É também quem o acolhe em casa, bem como aos seus dois irmãos: Olena, de 16 anos, e Juliia, de quatro.

“O futebol é a melhor forma de ele esquecer os problemas e todo este drama que se vive na Ucrânia. É o melhor momento do dia dele: espera por isso o dia todo”, apontou.

O futebol distrai o pequeno Danilo, que tem a mãe, que é comandante da polícia, em Odessa, bem como o pai, que é bombeiro sapador.

“Fala com os pais todos os dias e também com os amigos da escola e com quem jogava futebol. Alguns ainda estão na Ucrânia, mas muitos outros já se encontram espalhados por vários países”, descreveu.

A paixão pelo futebol traz-lhe alguma normalidade, bem como a cor dos equipamentos com que treina três vezes por semana, no Anadia Futebol Clube.

O listado azul e branco é o mesmo que envergava em Odessa, onde jogava desde os cinco anos e revelava aptidão por “marcar golos”.

“Não trouxe muita coisa de Odessa, mas veio carregado com as chuteiras e um saco com cinco quilos de medalhas que ganhou desde que joga futebol”, sublinhou a tia.

À medida que a hora do treino se aproxima, o frenesim aumenta e o número 11 começa a concentrar-se no relvado que conhece há três semanas.

É aqui que continua a sonhar com o ídolo Cristiano Ronaldo, com o Benfica do compatriota Roman Yaremchuk ou até com o Real Madrid.

Apesar dos 13 anos completados recentemente, Danilo integra os sub-14 do Anadia Futebol Clube, onde treina, mas ainda não pode jogar oficialmente.

De acordo com o seu treinador, Bruno Cruz, a inscrição nas competições está a ser tratada, sendo aguardada ansiosamente pelo atleta que “está completamente integrado”.

“É tímido e tem a barreira linguística, mas a linguagem do futebol é universal. Em termos técnicos é muito bom, exercita muito rápido, joga com os dois pés e gosta de jogar a avançado”, descreveu.

Bruno Cruz, que é também professor de Biologia, destacou ainda que Danilo “tem grande paixão pelo futebol” e já só pensa em jogar oficialmente na equipa que o recebeu de braços abertos.

“Este é um grupo muito acolhedor, que joga junto há muitos anos e com um suporte enorme por parte dos pais que são fantásticos. Este suporte estendeu-se à família do Danilo, a quem ajudam com alimentação ou até equipamentos e chuteiras”, apontou.

O sorriso de Danilo Palamarchuk é tímido, mas agora mais tranquilo, um mês depois de chegar a Portugal e constatar que jogar futebol é igual em qualquer parte do mundo.

O sonho de ser futebolista profissional passou a ser perseguido a partir de Portugal, o país de onde é natural “o melhor do mundo: Cristiano Ronaldo”.

Com Agência LUSA

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