Saúde

Ansiedade, depressão e dependência do álcool maiores problemas decorrentes da pandemia

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As necessidades de saúde que sofrem, ou poderão vir a sofrer, maior agravamento pela pandemia de covid-19 são as decorrentes da ansiedade, depressão e dependência do álcool, estimam os ‘stakeholders’ da Comissão de Acompanhamento do Plano Nacional de Saúde 2021-2030.

A somar a estes problemas, os ‘stakeholders’ apontam as necessidades em saúde que partem das emergências em saúde pública.

Entre as doze necessidades de saúde percecionadas como de “maior vulnerabilidade” aos efeitos negativos da pandemia foram também indicadas necessidades, cujo impacto será menos direto, designadamente as decorrentes de alguns tumores malignos, como do cólon e reto e da mama.

Quanto às necessidades por determinantes de saúde, os ‘stakeholders’ consideram que “são, ou virão a ser as decorrentes de determinantes relacionados com o sistema de saúde e a prestação de cuidados de saúde, mas também por determinantes demográficos e sociais, com destaque, respetivamente, para a cobertura universal de cuidados de saúde, o acesso e a despesa pública com serviços essenciais, e o desemprego, emprego precário e o isolamento social.

Foi ainda incluído nas doze necessidades percecionadas como mais vulneráveis, o grupo dos determinantes comportamentais, sendo especificamente apontado o uso excessivo da internet, lê-se no documento que foi coordenado pela diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, e que tem, pela primeira vez, um horizonte a dez anos.

“Cruzando os resultados de ambas as questões, em relação às necessidades de saúde que partem de problemas de saúde foi possível isolar necessidades simultaneamente percecionadas como de elevada prioridade e altamente agravadas pela pandemia covid-19, destacando-se as decorrentes da depressão, emergências em saúde pública, acidente vascular cerebral, tumor maligno do cólon e reto, tumor maligno da mama feminina”.

Analisando as necessidades de saúde em geral em Portugal, os ‘stakeholders’ atribuíram o “grau máximo de prioridade à redução da morte prematura e evitável e/ou da carga de doença e/ou de incapacidade provocadas por doenças do aparelho circulatório e por tumores malignos”.

A estas seguem-se as necessidades que partem das emergências em saúde pública, transtornos mentais e do comportamento, e doenças neurológicas.

“Especificamente, e para cada grande grupo de patologias, salienta-se a prioridade dada às necessidades decorrentes do enfarte agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral, dos tumores malignos do cólon e reto, da mama feminina e do pulmão, da depressão e das demências”, refere o Plano Nacional de Saúde.

No que respeita às necessidades de saúde que partem dos determinantes de saúde, salientam a prioridade atribuída às decorrentes de determinantes relacionados com o sistema de saúde e a prestação de cuidados de saúde.

“As questões da acessibilidade foram dominantes, especificamente as do acesso a cuidados de saúde (na doença em geral, na saúde mental, paliativos e continuados) e a medicamentos, bem como as relacionadas com a cobertura universal e o financiamento da saúde”, salientam.

Priorizadas nas doze primeiras necessidades identificadas, encontram-se, também, as relacionadas com a qualidade da prestação de cuidados e a governação, refere o PNS, que está desde hoje em consulta pública.

No âmbito de outros grupos de determinantes, as prioridades mais elevadas foram para os demográficos e sociais (pobreza nas crianças) e os comportamentais (excesso de peso e obesidade).

Relativamente às infraestruturas de saúde, o documento refere que os serviços do Serviço Nacional de Saúde deveriam passar a ser referência em termos, por exemplo, de eficiência energética, utilização de energias renováveis, recolha, tratamento e reciclagem de resíduos sólidos, e qualidade do ar interior, entre outros.

Quanto aos recursos humanos, defende que deverá ser garantido “o seu planeamento adequado e atempado”, exigindo “um investimento contínuo na qualidade, formação, capacitação e condições de trabalho dos profissionais de saúde, de modo a obter níveis elevados de satisfação profissional e a diminuir ou prevenir as situações de ‘burnout’ e abandono”.

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