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Pinto da Costa é o dirigente de futebol mais titulado do mundo

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Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa tornou-se no decano e mais titulado dirigente do futebol mundial em atividade ao redimensionar o FC Porto, fruindo dos contributos de diversas figuras célebres nos seus 40 anos de presidência.

Semanas após suceder a Américo de Sá, em 17 de abril de 1982, o 33.º líder da história dos ‘dragões’, então com 44 anos, assistiu ao primeiro título internacional de sempre, a Taça das Taças de hóquei em patins, que seria revalidada na época seguinte, numa modalidade em que foi acompanhado desde o primeiro dia pelo vice-líder Ilídio Pinto.

Nessa equipa de Vladimiro Brandão, rendido a meio da primeira fase hegemónica ‘azul e branca’ nos rinques por Cristiano Pereira, despontavam Vítor Hugo e Vítor Bruno, que lograriam duas Ligas Europeias (1985/86 e 1989/90) e uma Taça Continental (1986/87).

Foi no futebol que o FC Porto, até então com 15 cetros nacionais, mudou de paradigma, através das sementes lançadas por Pinto da Costa e José Maria Pedroto, que conhecera o ex-chefe de departamento na segunda de três passagens pelas Antas como treinador.

Quebrado um ‘jejum’ de 19 anos na I Divisão, graças aos títulos de 1977/78 e 1978/79, a dupla saiu no ‘verão quente’ de 1980, em oposição a Américo de Sá, para se reencontrar dois anos depois, alcançando uma inédita final europeia na Taça das Taças de 1983/84.

Tal como nos primeiros cetros da ‘era’ Pinto da Costa, a Supertaça e a Taça de Portugal, o então adjunto António Morais sentou-se no banco como técnico interino na derrota com a Juventus (1-2), em Basileia, devido à doença prolongada do ‘Zé do Boné’, que morreu em 1985, quando o sucessor Artur Jorge celebrou o primeiro campeonato em seis anos.

Suportado pelos golos de Fernando Gomes, que venceu duas Botas de Ouro (1982/83 e 1984/85), o ‘discípulo’ de Pedroto contou com Zé Beto, Mlynarczyk, Eurico, Celso, Augusto Inácio, Frasco, André, Jaime Magalhães, Paulo Futre e António Sousa rumo ao terceiro ‘bi’ do clube e à decisão da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1986/87.

Em Viena, Rabah Madjer, num calcanhar para a lenda, e Juary ‘selaram’ a reviravolta da equipa capitaneada por João Pinto diante do Bayern Munique (2-1), seguindo-se, já com Tomislav Ivic no banco, sucessos na Taça Intercontinental e na Supertaça europeia, que nunca tinham sido alcançados por equipas lusas e ainda são um exclusivo do FC Porto.

Luís Teles Roxo viveu esta fase ‘dourada’ como líder do departamento de futebol, cargo entregue desde 1988 a Reinado Teles, com quem Pinto da Costa já convivera nos anos 60 na secção de boxe, tendo desfrutado até à sua morte, em 2020, de um fiel escudeiro.

A nova correlação de forças com Benfica e Sporting seria acentuada com o ‘bi’ de Carlos Alberto Silva, em 1991/92 e 1992/93, que se apoiou em Fernando Couto, Timofte e Kostadinov, para além de Rui Filipe, falecido num acidente em 1994, no princípio da série de cinco campeonatos seguidos, outro feito ainda inigualável no futebol português.

Bobby Robson, António Oliveira e o atual selecionador nacional Fernando Santos, então apelidado de ‘Engenheiro do Penta’, guiaram históricos como Vítor Baía, Aloísio, Jorge Costa, Paulinho Santos, Rui Barros, Folha, Drulovic ou Zahovic.

Nesse ciclo, que assinalou o adeus de Domingos Gomes, líder do departamento clínico durante três décadas, sendo rendido pelo ex-voleibolista Nélson Puga, assumiram-se como goleadores Domingos Paciência, ‘artilheiro’ da I Liga em 1995/96, e Mário Jardel, que seguiu esse lastro nas três épocas seguintes e venceu a Bota de Ouro de 1998/99.

Já nos pavilhões, o FC Porto juntou duas Taças CERS de hóquei em patins (1993/94 e 1995/96), reconquistou o campeonato de basquetebol 13 anos depois (1995/96), com Paulo Pinto e Nuno Marçal comandados por Alberto Babo, e rompeu uma ‘seca’ de 31 anos no andebol (1998/99), com Eduardo Filipe a brilhar sob olhar de José Magalhães.

Vulto do atletismo ‘azul e branco’, tal como Aurora Cunha, Fernanda Ribeiro associou o clube a um dos cinco campeões lusos nos Jogos Olímpicos, ao conquistar a medalha de ouro, em Atlanta1996, na prova de 10.000 metros, na qual foi terceira em Sydney2000.

O século XXI deu continuidade à afirmação portista com Pinto da Costa, visível logo no ‘deca’ no hóquei em patins, entre 2001/02 e 2010/11, durante o qual Franklim Pais dirigiu Edo Bosch, Filipe Santos, Tó Neves, Emanuel García, Pedro Gil ou Reinaldo Ventura.

Carlos Resende, Ricardo Costa e Rui Rocha coexistiram no ‘tri’ do andebol, de 2001/02 e 2003/04, fase em que o futebol, face ao advento da SAD e da globalização do mercado, transitou para o Estádio do Dragão com dois campeonatos e êxitos na elite continental.

Comandados por José Mourinho, Ricardo Carvalho, Costinha, Maniche, Deco, Derlei ou Benni McCarthy lograram a Taça UEFA de 2002/03 (3-2 ao Celtic, após prolongamento), em Sevilha, e a Liga dos Campeões de 2003/04 (3-0 ao Mónaco), em Gelsenkirchen, então vencida pela última vez por um clube de fora das cinco principais ligas europeias.

O FC Porto venceu também a Taça Intercontinental de 2004, já com Víctor Fernández, antes de optar por Co Adriaanse, em 2005/06, e Jesualdo Ferreira, nas três temporadas subsequentes, no caminho para o ‘tetra’, construído por influentes como Helton, Pepe, Bruno Alves, Paulo Assunção, Lucho González, Ricardo Quaresma ou Lisandro Lopez.

Falhada a revalidação do ‘penta’, Pinto da Costa apostou para 2010/11 em André Villas-Boas, aspirante à sua sucessão, que, na ‘cadeira de sonho’, venceu quatro competições, incluindo a Liga Europa (1-0 ao Sporting de Braga), em Dublin, e acabou invicto a I Liga.

Imunes à saída de Radamel Falcao, os ‘dragões’, agora de Vítor Pereira, somaram mais duas faixas de campeão nacional, com apenas uma derrota em 60 jogos, usufruindo de Danilo, João Moutinho, James Rodríguez, Hulk, Jackson Martínez e Kelvin, autor do golo tardio ante o Benfica (2-1), que deixou o ‘tri’ no bolso a uma ronda do fim, em 2012/13.

Só que os ‘encarnados’ levantaram-se com um inédito ‘tetra’, causando a maior ‘seca’ de campeonatos de Pinto da Costa, que até viu Ricardo Moreira e Gilberto Duarte, guiados por Ljubomir Obradovic, consumarem o ‘hepta’ no andebol, entre 2008/09 e 2014/15.

Em 2017/18, o ex-futebolista Sérgio Conceição regressou ao clube como treinador para resgatar a mística e reconquistar os adeptos, obtendo o 28.º cetro de campeão nacional, renovado duas épocas depois, com Alex Telles, Sérgio Oliveira, Otávio e Jesús Corona.

Trilhos similares tiveram os técnicos Magnus Andersson no andebol, Moncho López no basquetebol e Guillem Cabestany no hóquei, desporto em que Reinaldo García, Rafa e Gonçalo Alves ajudaram esta temporada o FC Porto a erguer a Taça Intercontinental.

Se Alípio Jorge Fernandes já dirigiu o bilhar a 26 títulos e possui um ‘penta’ em curso, o ciclismo arrebatou cinco das últimas seis Voltas a Portugal desde o seu regresso, em parceira com a W52, em 2016, quatro anos antes de o voleibol feminino, atual campeão nacional, surgir protocolado com a Academia José Moreira, afamado ex-atleta do clube.

Comovida em 2021 pela morte do andebolista Alfredo Quintana, a nação ‘azul e branca’ está grata a Pinto da Costa, hoje com 84 anos, cujo nome é entoado em uníssono pelos adeptos, entre os quais sobressai Fernando Madureira, líder da claque ‘Super Dragões’.

Com Agência LUSA

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