Vila Verde

Atiães, manifesta-se hoje em frente à câmara de Vila Verde contra parque industrial

(c) Semanário V
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Cidadãos da freguesia de Atiães, no concelho de Vila Verde, distrito de Braga, vão manifestar-se hoje à noite em frente à Câmara Municipal contra a construção de um eventual parque industrial, mas a autarquia nega essa intenção.

Atiães, Vila Verde. “É preciso avisar toda a gente”

Em comunicado, os promotores da concentração, marcada para as 20:30, e liderada pelo presidente da junta, Samuel Estrada, referem que a população da freguesia “decidiu sair à rua para mostrar a sua indignação”, sublinhando que Atiães “também faz parte do concelho” de Vila Verde, mas que se “encontra esquecida pelo executivo municipal”.

“Desde que um grupo de cidadãos eleitores mostrou que também são força política, ganhando as últimas eleições autárquicas a nível de freguesia, são confrontados pela inação e indolência do município, através da falta de clareza e transparência nas informações prestadas acerca de projetos industriais, da falta de apoio material e financeiro à freguesia de Atiães, que constituíram motivo suficiente para erguer todo um povo”, lê-se no comunicado.

Os promotores da iniciativa, que vai decorrer em frente ao edifício da Câmara Municipal de Vila Verde, antes do início da sessão da Assembleia Municipal, defendem que “o povo quer ser sabedor em tudo o que envolva decisões e ações sobre a freguesia de Atiães”.

Em resposta enviada hoje à agência Lusa, o município, liderado por Júlia Fernandes (PSD), esclarece que “não está a construir, nem a promover, nem a prever a construção de parque industrial em Atiães”, acrescentando que o que está em causa “é a classificação de terrenos cuja tipologia de uso já se encontrava como áreas de atividade económica”.

“No que toca aos terrenos em causa na freguesia de Atiães, face à existência de Pedidos de Informação Prévia (PIP) dos proprietários para construção/investimentos empresariais, o município não tem fundamento legal para impedir um direito privado adquirido quanto à utilização do solo nesses terrenos abrangidos pelo PIP aprovado”, explica a autarquia.

Quanto ao impacto da potencial instalação de indústrias ou de outro tipo de investimentos para atividades económicas, a câmara indica que a classificação efetuada em sede de revisão de Plano Diretor Municipal (PDM), em 2014, “havia já conduzido o executivo municipal a reconhecer a necessidade de implementação de acessibilidades adequadas”.

“É nesse enquadramento que o município prevê acessibilidades adequadas com ligação da futura variante de Oleiros até à área de terrenos classificados no PDM como urbanizáveis para atividade económica em Atiães, e, criando assim, acesso específico e adequado ao tipo de tráfego que possa resultar, caso se confirmem os investimentos previstos para aquela zona”, salienta a autarquia.

O município acusa ainda os promotores da manifestação de “campanha de desinformação e disseminação de informações erradas”, num processo que tem, diz, “a participação direta do presidente da Junta de Freguesia, apesar das reuniões de esclarecimento realizadas no município”.

Contactado pela Lusa, o presidente da junta de Atiães refuta as acusações do município, sublinhando que “desde a primeira hora” que tem procurado junto da autarquia vilaverdense um “debate esclarecedor”, acrescentando que a presidente da câmara “se recusa a falar” com a população de Atiães.

“Fazemos perguntas concretas à senhora presidente da câmara e ela não responde. Inexplicavelmente, não assume uma disponibilidade para ceder. A população sabe o que é um parque industrial e não quer um parque industrial. A câmara tem de agir em nome da população e não contra a população”, salientou Samuel Estrada.

O autarca espera cerca de “70 a 80 pessoas” na concentração de logo à noite.

Samuel Estrada foi eleito em 2020 como presidente da concelhia do PS de Vila Verde, mas concorreu como independente nas eleições autárquicas de 2021 à presidência da Junta de Freguesia de Atiães, que contava à data com 478 eleitores.

Com Agência LUSA

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