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Guterres “em segurança”, mas “chocado” com bombardeamentos em Kiev

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O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que se encontra em visita a Kiev, “está seguro”, mas “chocado” após a capital ucraniana ter sido atingida por bombardeamentos russos no início da noite de hoje, disseram fontes oficiais.

“Estamos seguros”, disse a jornalistas Saviano Andreu, porta-voz do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês).

À agência France-Presse (AFP), Andreu referiu ainda que “é uma zona de guerra, mas é chocante que tenha acontecido perto” de onde a delegação de Guterres está.

Kiev foi hoje alvo de pelo menos dois bombardeamentos por parte das forças russas enquanto decorre a visita do secretário-geral da ONU, deixando cerca de dez feridos, segundo os serviços de emergência.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenksy, mencionou que “cinco mísseis” atingiram a cidade “logo após o fim das discussões” com Guterres.

Os correspondentes da AFP viram no local um edifício em chamas, janelas partidas, uma forte presença policial e socorristas.

“Um incêndio ocorreu após um bombardeamento inimigo num prédio residencial de 25 andares, cujos dois primeiros andares foram parcialmente destruídos”, disseram os serviços de emergência ucranianos.

“De acordo com dados preliminares, cinco pessoas foram resgatadas e dez ficaram feridas”, acrescentaram, na rede social Facebook.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, rapidamente classificou este ataque como um “ato hediondo de barbárie”, indicando que os dispositivos disparados eram mísseis de cruzeiro.

“A Rússia mais uma vez demonstra a sua atitude em relação à Ucrânia, à Europa e ao mundo”, acrescentou.

O ministro da Defesa ucraniano, Oleksiï Reznikov, por sua vez, declarou tratar-se de um “ataque à segurança do secretário-geral (da ONU) e à segurança mundial”.

“Mísseis atingem o centro de Kiev durante a visita oficial de António Guterres”, criticou Mikhaïlo Podoliak, conselheiro do presidente ucraniano.

Podoliak ainda ironizou o facto de esta semana “Guterres se ter sentado numa longa mesa no Kremlin e hoje lançam explosões acima da sua cabeça”.

O secretário-geral da ONU chegou à Ucrânia na quarta-feira, depois de uma visita a Moscovo, onde pediu ao Presidente russo, Vladimir Putin, que coopere com as Nações Unidas para permitir a retirada de civis das áreas bombardeadas, nomeadamente no leste e sul da Ucrânia, onde as forças russas concentram a sua ofensiva.

Esta é a primeira visita do secretário-geral à Ucrânia desde o início do conflito e acontece numa altura em que António Guterres tem sido alvo de críticas pela sua alegada passividade em tomar medidas concretas para travar a guerra.

Em 24 de março, de um total de 140 países que votaram na Assembleia Geral da ONU uma resolução em que era pedido à Rússia a cessação imediata das hostilidades contra a Ucrânia, 20 dos 38 que se abstiveram eram países africanos e entre os cinco que votaram contra, um (Eritreia) era africano.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que já matou mais de dois mil civis, segundo dados da ONU, que alerta para a probabilidade de o número real ser muito maior.

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