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Qual o papel do “Jogo Responsável” nas apostas desportivas online?

Wpadington/Shutterstock.com
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Desde que em 2016 as apostas online passaram a ter um enquadramento legal, o setor só conheceu um caminho: o do crescimento.

Crescimento no número de apostadores, crescimento nas receitas brutas e, acima de tudo, crescimento no volume de apostas realizadas por cada apostador.

Ainda que pequeno em tamanho e população, Portugal afirma-se como um dos países europeus que, em média, os apostadores mais gastam em apostas.

Isto é facilmente verificável pela análise dos dados publicados no mais recente relatório do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ), entidade que supervisiona e regula a atividade de jogo online em Portugal.

Este diz-nos que, durante os nove primeiros meses de 2021, o volume de apostas online atingiu a estratosférica quantia de 6 mil milhões de euros, qualquer coisa como 926 mil euros por hora, dos quais cerca de 1025,6 milhões de euros são gastos em apostas desportivas.

O Futebol, como não podia deixar de ser, num país apaixonado pelo “desporto rei”, é o principal catalisador das apostas desportivas, em casas de apostas desportivas licenciadas em Portugal como a Betway, Solverde.pt ou ESC Online.

Voltando ao relatório do SRIJ, verifica-se que o Futebol foi a modalidade desportiva onde se verificou o maior volume de apostas, representando, só no 3º trimestre de 2021, 82,1% do total de apostas desportivas efetuadas.

Em termos de competições desportivas, a Primeira Liga portuguesa e a UEFA Champions League repartem as preferências dos apostadores portugueses representando, cada uma, 10,1% do volume total das apostas efetuadas na modalidade, seguidas da La Liga espanhola e da Premier League inglesa com, respetivamente, 5,1% e 4,4%.

Este alto volume de apostas, em particular nas apostas desportivas, acaba por colocar em cima da mesa um importante aspeto: o jogo responsável.

Quando as apostas se começam a sobrepor a todas as outras dimensões da vida de um apostador, tal configura, como sublinha a Organização Mundial de Saúde (OMS), uma adição que merece o olhar atento não só das entidades de saúde, como também dos operadores de jogo online e das entidades responsáveis pela regulação do setor.

Papel do “Jogo Responsável” nas apostas desportivas

Ainda que seja difícil definir um “perfil de risco”, dados publicados pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) revelam que os principais apostadores são, em média, as pessoas com menor rendimento e escolaridade inferior.

A sustentar esta afirmação, o SICAD reporta que, no período entre 2012 e 2017, período em que Portugal enfrentava uma grave crise financeira e estava sob medidas draconianas de austeridade que cortaram radicalmente os rendimentos da maioria dos portugueses, o volume de apostas aumentou à medida que o rendimento dos portugueses diminuía e o número de casos em comportamentos mais críticos como jogo abusivo e jogo patológico quadruplicaram e duplicaram, respetivamente.

Percebendo a necessidade de fazer face a esta problemática, a entidade reguladora, os operadores legalmente habilitados para o efeito como a Betway Portugal, Solverde.pt ou ESC Online, e portais especializados no setor do jogo online colocaram em marcha uma forte campanha de sensibilização dos apostadores para o Jogo Responsável.

O comportamento de um jogador que orienta as suas opções de jogo de forma consciente e racional, exercendo um controlo pleno do tempo e dinheiro que, em consciência, pode despender sem pôr em causa as suas responsabilidades familiares, sociais e profissionais.

Além destas campanhas de sensibilização, o SRIJ enviou, desde 2015, 806 notificações para encerramento, 1008 notificações para bloqueio de sites não certificados e 14 participações ao Ministério Público, bem como diversas “ações de monitorização e sensibilização” que culminaram na remoção de 290 vídeos que efetuavam apelo ao jogo em sites de jogo ilegal.

No âmbito específico da proteção dos jogadores, o SRIJ coloca ao dispor dos apostadores portugueses não só contactos para aconselhamento assim como formulários de autoexclusão, que podem ser preenchidos por quem reconheça incapacidade em jogar de forma equilibrada.

No cômputo geral, estas ações têm-se mostrado extremamente relevantes na promoção do Jogo Responsável junto dos apostadores portugueses.

Jogadores autoexcluídos – evolução 3ºT 2021 (milhares) | Fonte: SRIJ

 

Segundo o mais recente relatório do SRIJ, em 30 de setembro de 2021, e no total das entidades exploradoras legais em Portugal, encontravam-se autoexcluídos da prática de jogos e apostas online 100,8 mil jogadores registados, mais 7,2 mil jogadores do que em 30 de junho de 2021.

O relatório acaba por justificar esta variação trimestral com a “autoexclusão da prática de jogos e apostas online de 18,4 mil jogadores e pelo término da autoexclusão de 11,2 mil jogadores.

Refira-se que os jogadores autoexcluídos representavam cerca de 3,2% dos jogadores registados em todas as entidades exploradoras, valor superior em 0,3 p.p. comparativamente ao período homólogo de 2020.

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