Braga

GNR julgado por ameaçar magistrados de Vila Verde foi herói no Algarve

Carlos Lima © Semanário V
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Guarda Carlos Lima salvou mulher de afogamento iminente

O guarda da GNR que será sentenciado ainda esta semana pelo Tribunal de Braga, por ter ameaçado, incluindo pelo facebook, três magistrados, da Comarca de Vila Verde, foi um herói, ao arriscar a própria vida, salvando uma mulher de afogamento, no Algarve, quando trabalhava no Subdestacamento Territorial da Quarteira da Guarda Nacional Republicana.

Carlos Pereira Lima teve aquele ato heroico, reportado pela TVI, na madrugada de 2 de abril de 2015, salvando uma mulher que se encontrava em afogamento iminente, na Praia de Quarteira, em frente da Praça do Mar, num momento em que já estava fora de serviço.

Segundo então destacou o Gabinete de Imprensa da GNR, este caso ocorreu cerca da uma hora da madrugada após recebida a comunicação, “de imediato uma patrulha deslocou-se para o local, sendo acompanhada por um outro militar que tinha saído de serviço e que seguiu também em auxílio da vítima”, tratando-se do mesmo guarda, Carlos Pereira Lima.

“Após chegar ao local e depois de avaliar a situação o referido militar [Carlos Lima, agora com 38 anos], que possui conhecimentos na área dos Socorros a Náufragos, lançou-se de imediato à água em socorro da mulher que se encontrava em grandes dificuldades, a cerca de 40 metros de distância da praia” e acabando por a salvar quando tudo parecia perdido.

Carlos Lima © DR

“Apesar da pouca iluminação, o estado do mar e a proximidade com o paredão existente naquela zona, a rápida intervenção, aliada à experiência deste militar, permitiu resgatar a mulher, que se encontrava em pré-afogamento, tendo sido encaminhada para o Centro de Saúde de Loulé, encontrando-se neste momento bem de saúde”, referiu na ocasião a GNR.

“Os militares da GNR de Quarteira assim que tiveram conhecimento da situação enviaram de imediato uma patrulha para o local, tendo acompanhado também a ocorrência, um militar que já havia saído de serviço, mas que possuía conhecimentos na área do socorro a náufragos, o militar, que estava fora de serviço, não se coibiu de salvar a senhora de 40 anos que já se encontrava desgastada e em grandes dificuldades, tendo sido dispensados os cuidados médicos necessários e a senhora ficou bem de saúde, afirmou então o oficial da GNR, Humberto Galego, que era à data comandante do Subdestacamento de Quarteira, ainda segundo o qual “a verdade é que ele não estava de serviço, mas imperou o dever de serviço público, tendo conseguido salvar a vítima e ainda bem que estava com a patrulha”.

“Juntei-me à patrulha, fomos os primeiros autoridades a chegar ao local, vi uma pessoa em aflição, como já tinha o curso de nadador-salvador obtido em 2003, logo eu não hesitei em socorrer a vítima, pois além do mais nós somos também um serviço de socorro”, disse o guarda Carlos Lima, aquando das entrevistas que deu aos órgãos de comunicação social, tendo sido alvo de um louvor, pelo comandante da Guarda Nacional Republicana de Faro.

Militar da GNR pede desculpas

Entretanto, a leitura do acórdão de Carlos Pereira Lima está prevista para esta semana, no Palácio da Justiça de Braga, depois de um julgamento que durou cerca de meio ano, para serem ouvidas todas as testemunhas, incluindo-se as da GNR, segundo as quais “o Guarda Lima é um militar exemplar”, tendo sido elogiado, até pelos seus superiores hierárquicos.

Carlos Lima, com 38 anos, da GNR de Vila Verde, que esteve preso preventivamente na Casa de Reclusão Militar de Tomar e encontra-se agora em prisão domiciliária, com a pulseira eletrónica, em Vila Verde, nas alegações finais, reiterou os pedidos de desculpas, a todos os três magistrados da Comarca de Vila Verde, fazendo chegar o depósito de dez mil euros à ordem do juiz-presidente, para pagar eventuais indemnizações aos ofendidos.

No entanto, como os três magistrados nunca pediram qualquer ressarcimento financeiro, o advogado Amândio Alves, defensor do guarda Carlos Pereira Lima, anunciou que essa quantia poderá ser encaminhada para instituições privadas de solidariedade social, caso o Tribunal Coletivo de Braga assim o entenda, preconizando uma pena suspensa para o seu cliente, por achar “ser a única ajustada” para “reparar o caso e pacificar toda a situação”.

O arguido, Carlos Pereira Lima, voltou a pedir “desculpas”, mostrando-se “arrependido”, pedindo autorização para o fazer pessoalmente, junto dos três magistrados no Palácio da Justiça de Vila Verde perante até o comandante distrital da GNR de Braga, reiterando que “eu nunca tive a intenção de fazer mal à senhora juíza ou aos dois senhores procuradores da República”, prometendo mesmo que “jamais os incomodarei direta ou indiretamente”.

MP pede prisão efetiva

O MP quer prisão efetiva, sem a quantificar, para o guarda da GNR julgado sob acusações de perseguições, injúrias e difamações agravadas, visando uma juíza e dois procuradores de Vila Verde, ao sentir-se injustiçado, pois foi condenado por enfrentar um automobilista a fazer uma manobra de trânsito perigosa, um cadastrado, que então o ameaçou de morte.

Quanto aos advogados dos três magistrados de Vila Verde, o causídico da juíza Alda Sá Faustino concorda com o Ministério Público, que os factos se provaram, “enfermando de grande gravidade, impondo condenação privativa da liberdade”, mas para o advogado dos procuradores, Ana Isabel Peixoto e Nuno Filipe Ferreira, pena suspensa seria o suficiente neste caso, tendo pedido mesmo uma condenação que não implique a saída do arguido da GNR, afirmando que “ninguém ganharia com a demissão” do guarda Carlos Pereira Lima, o que, segundo o mesmo causídico, “ainda causaria nele mais revolta depois de tudo isto”.

Carlos Lima (à esquerda) © Semanário V

Na origem do processo estão os escritos, na sua página de facebook, criticando as decisões e a postura profissional dos três magistrados, já no ano de 2020, por ter sido condenado, com a intervenção da juíza e dos dois procuradores da República, que chegou a abordar pessoalmente quando saíam do carro, nas imediações do Palácio da Justiça de Vila Verde e no restaurante onde costumam almoçar, pedindo-lhes “satisfações” pelas decisões, mas entretanto, agora com outros conhecimentos processuais penais, o guarda Lima diz “não subscrever” as palavras dirigidas direta e indiretamente aos magistrados e pelo facebook.

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