Vila Verde

PJ segue o rasto de 2,5 milhões de euros nas contas bancárias de João Luís Nogueira

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Porto Canal revela “lavagem” de sete milhões da Guiné Equatorial na EPATV

A Polícia Judiciária de Braga investiga a alegada “lavagem” de sete milhões de euros, oriundos da Guiné Equatorial, que terão sido “branqueados” na Escola Profissional Amar Terra Verde (EPATV), segundo revelou o programa “Justiça às Claras”, do Porto Canal, de acordo com o qual, só pelas contas de João Luís Nogueira e de um cidadão anónimo, passaram € 2.500.000,00 (dois milhões e meio de euros) através daquele estabelecimento de ensino, à data ainda detido maioritariamente pelas Câmaras Municipais de Vila Verde, de Amares e de Terras de Bouro, denunciando a existência de um “polvo” em Vila Verde.

Na véspera de mais uma sessão do julgamento, que está previsto decorrer durante todo o dia desta quarta-feira, no Palácio da Justiça de Braga, a investigação jornalística, do Porto Canal, salientou que os investigadores criminais da Polícia Judiciária de Braga, apesar de muito experientes, ficaram “boquiabertos” quando detetaram dois “clientes” da EPATV, que só em meados da década de 2010 terão feito passar sete milhões de euros por aquela escola, num período em que apenas terá havido um milhão de euros de venda de prestação de serviços, sendo um desses clientes a República da Guiné Equatorial e uma estrangeira.

A situação ocorreu há cinco anos, aquando das primeiras buscas à Câmara Municipal de Vila Verde, numa ocasião em que João Luís Nogueira e António Vilela pernoitaram nos calabouços da Polícia Judiciária de Braga para serem interrogados no dia seguinte pelos magistrados do Ministério Público e juízes de instrução criminal, já no Tribunal de Braga.

O Porto Canal não poupa nas palavras e referindo-se à empresa “Fomibérica”, criada por João Luís Nogueira, que depois foi usada para adquirir 51% do capital social da EPATV, serviu como “lavandaria para branquear dinheiro”, expressão usada pelo canal televisivo.

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Ao longo do programa, retomaram-se os polémicos “rendimentos incongruentes” dos três arguidos do processo criminal pela suposta venda fraudulenta da EPATV, que continua a ser julgada em Braga, à cabeça dos quais está João Luís Nogueira, com mais de um milhão de euros de proveniência desconhecida, isto é dois terços do seu património mobiliário, a par do ex-deputado do PSD e antigo vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Verde, Rui Silva, este com 300 mil euros por “explicar” e António Vilela, ex-edil de Vila Verde, com 30 mil euros sem suporte contabilístico, como o Semanário V noticiou recentemente.

PS também mete a mão ao tacho

Mas o “polvo” de Vila Verde não será, afinal, simples coutada do PSD, antes um “Bloco Central de Interesses”, que congrega também gente do PS, bastando atentar que quem no início denunciou o caso publicamente agora tem dificuldades em explicar porque é que a dada ocasião tinha “tantas certezas” e agora já só tem “algumas dúvidas”, não se tratando os “esquecidos” de nenhum dos três arguidos, mas sim de testemunhas que até há poucos anos desempenharam altos cargos no Partido Socialista de Vila Verde e até na Vereação.

Em face da “cambalhota” desse mesmo socialista, tudo indica que agora a procuradora da República Joana Piloto, que está a representar o Ministério Público no julgamento, requeira a audição de outro destacado socialista vilaverdense e que deu a cara desde a primeira hora, José Morais, que segundo o V apurou de fontes judiciais, em Braga, ainda nem sequer foi notificado para depor neste mesmo julgamento.
José Morais, recorde-se, sempre se bateu contra a privatização da EPATV, tendo documentos e uma série de contextualização que poderão rebater o ato de “branqueamento” do seu camarada do Partido Socialista.

De resto, o “dono disto tudo” de Vila Verde, o todo-poderoso João Luís Nogueira, é uma figura histórica do PS e que alardeia fotografias suas com António Costa, ambos muito sorridentes, “com o estado a que isto chegou”, quase 50 anos após o 25 de Abril de 1974.

A constatar esta realidade que não é só gente do PSD a meter as mãos ao tacho, basta ver aquilo que denunciou no programa do Porto Canal o comentador residente, Gil Carvalho, que à data das investigações era o diretor da Polícia Judiciária de Braga, lamentando-se a dada ocasião da sua intervenção, de “acessos ilegítimos” ao sistema informático, sempre no Tribunal de Braga, referindo-se “a um magistrado e a um funcionário”, não só no caso da EPATV, como no dos Transportes Urbanos de Braga (TUB), processo este que visava já o Partido Socialista, nunca o PSD, além de o magistrado em causa ser conotado com o PS (mais concretamente com Mesquita Machado) e o tal funcionário judicial com o PSD.

O Semanário V, logo que alertado pelo spot promocional do Porto Canal, contactou então com João Luís Nogueira, para se obter uma reação do homem forte da Escola Profissional Amar Terra Verde (EPATV) após a emissão na noite desta terça-feira, mas não teve até esta quarta-feira qualquer comentário daquele mesmo responsável, acerca das revelações do canal televisivo através das investigações realizadas pela jornalista Liliana Rodrigues.

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