Braga

Cidadão propõe a criação de um Conselho Municipal do Ambiente de Braga

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Carlos Dobreira conhecido ativista ambiental de Braga, enviou uma proposta ao Minucípio de Braga para a criação de um Conselho Municipal do Ambiente de Braga.

Fotos: Carlos Dobreira

Email na íntegra:

“O concelho de Braga vive uma tragédia ecológica e ambiental sem precedentes, abafada pela classe política e é, claramente, uma temática a evitar pela imprensa escrita e pela sociedade bracarense em geral.

O concelho precisa urgentemente de ter espaços verdes de fruição da Natureza, em particular nas freguesias urbanas com destaque para Lamaçães, Maximinos e São Vítor, entre outras. É preciso dar vida a áreas verdes como as da antiga Estação Agrária da Quinta da Arcela, da envolvente da Capela de São Gregório ou de antigos parques infantis e de lazer desativados e/ou desmantelados.

Igualmente, as populações residentes nas imediações de parques industriais estão expostas à poluição luminosa, do ar e sonora (de dia e de noite) com perda de qualidade de vida. É preciso dar voz às populações, em particular às de Adaúfe, de Celeirós, de Navarra e de Palmeira.

Estamos a viver tempos de emergência climática e urge intervir na área da educação ambiental, envolvendo os Agrupamentos de Escolas do concelho de Braga, em particular no 1.º Ciclo, através da intensificação da reciclagem de resíduos recicláveis, da introdução da prática do plogging (desde o 1.º ciclo até ao 12.º ano de escolaridade) e da implementação de aulas ao ar livre destinadas ao estudo da biodiversidade, da economia circular e do parque arbóreo do concelho.

É também na área da educação que urge revolucionar as práticas pedagógicas atuais do ensino básico, do ensino secundário e do ensino superior, apostando-se no contacto dos alunos com a Natureza através da criação de projectos-piloto associados à filosofia Forest School.

O concelho vive também um constante abate de árvores, sendo um dos momentos mais chocantes o ocorrido na Avenida dos Lusíadas em julho de 2020. Não é possível continuar a viver num concelho sem um Regulamento Municipal de Gestão do Arvoredo em Meio Urbano (Lei n.º 54/2021, de 18 de agosto) e sem a dinamização de uma cultura de conhecimento do parque arbóreo do concelho de Braga.

Os rios Cávado, Este e Torto estão poluídos e são desrespeitados. As deposições de resíduos abundam em várias freguesias do concelho, com destaque para Adaúfe, Dume, Gualtar, São Vicente, São Mamede d`Este, Mire de Tibães e Palmeira. Urge dinamizar a criação de ecocentros em freguesias estratégicas.

O concelho de Braga, conhecido pelo concelho das festas e festinhas, nao tem sido um exemplo no que respeita à realização de eventos sustentáveis e com forte sensibilização ambiental.

Por fim, a gestão autárquica tem sido pautada por uma relação pouco saudável com activistas, ambientalistas e movimentos de defesa do ambiente e do desenvolvimento sustentável Municipal e regional.

Assim, nesta sexta-feira evocativa do movimento Fridays For Future e à luz do artigo 66.º da Constituição da República Portuguesa e da alínea e) do artigo 4.º da Lei n.º 19/2014, de 14 de abril (a qual define as bases da política de ambiente), venho propor ao Executivo Municipal a criação de um Conselho Municipal do Ambiente de Braga (CMAB).

O Conselho Municipal do Ambiente de Braga, o qual estaria alicerçado em regulamento a aprovar, teria como missão ser um órgão onde caberia a abordagem de todas as matérias municipais de relevo para o desenvolvimento sustentável do concelho, aberto à participação pública, ao esclarecimento cabal das decisões tomadas no que respeita às políticas ambientais e o seu impacto na qualidade de vida, assim como à promoção da colaboração, trabalho em equipa e articulação entre o CMAB e o Município de Braga.

Do Conselho Municipal do Ambiente de Braga poderão fazer parte, entre outros, representantes da CCDR-N, da Quercus, da ASPA, da KATAVUS, do Movimento SOS – Árvores de Braga, para além dos vereadores com pelouros nas áreas do ambiente, urbanismo e mobilidade, representantes das juntas de freguesia e uniões de freguesias e dos grupos com assento na Assembleia Municipal”.

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