Guimarães

Adiado acórdão de GNR, esposa e pais acusados de burla de 400 mil euros

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O Tribunal de Guimarães adiou hoje para 01 de julho a leitura do acórdão do processo com quatro arguidos, entre os quais um militar da GNR e a mulher, acusados de burla superior a 400 mil euros.

A leitura da decisão estava marcada para esta tarde, mas a presidente do coletivo de juízes informou que procedeu à alteração não substancial de factos, deu prazo às partes para que se pronunciem sobre as mesmas e agendou nova sessão para as 14:00 de 01 de julho.

A acusação do Ministério Público (MP) refere que os outros dois arguidos são os pais do militar da GNR de Fafe, distrito de Braga, acrescentando que, através de um esquema de burlas, os arguidos conseguiram mais de 400 mil euros, os quais permitiram uma vida de luxo ao GNR e à mulher, auditora de justiça.

A acusação sustenta que o esquema passou por o pai do GNR, “muito conhecido, considerado e com boa reputação na sua área de residência, acolitado pela sua mulher sempre que necessário, pedir dinheiro emprestado a pessoas que nele confiavam, geralmente pessoas de idade, enganando-as com uma simulada situação de urgência e aflição”.

O MP considerou indiciado que o militar da GNR, “tendo, conjuntamente com a sua mulher, rendimentos modestos, mas pretendendo, além do mais, viajar, frequentar hotéis e restaurantes de luxo, adquirir roupas de marcas dispendiosas e viaturas de gama alta, engendrou um esquema” para obter as quantias monetárias necessárias àquela vida de luxo, “à custa de terceiros”.

Ao esquema, segundo o MP, aderiram a mulher e os pais do militar da GNR.

O pai do GNR alegaria uma falsa prisão iminente do seu filho, decorrente de problemas com a justiça e/ou com uma também falsa possível expulsão daquela força policial.

“No contexto da alegação, o dinheiro seria necessário para acudir a pagamentos devidos em tribunal, para evitar os referidos desfechos”, acrescenta a acusação.

Com base naquele argumentário, que sofreria “pequenas variações” conforme a circunstância e o interlocutor, os arguidos conseguiram que 29 ofendidos, nalguns casos marido e mulher, lhes entregassem, de 2016 a 2019, o montante global de 406.999 euros.

O MP diz que “parte substancial” deste montante financiou um “elevado” nível de vida económico do militar da GNR e da mulher.

Os arguidos estão ainda acusados de terem feito circular estas quantias por contas bancárias, com operações para dificultar a sua rastreabilidade, e de as terem reconvertido em inúmeros bens.

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