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Opinião. O ‘aborto’ ao pensamento de Miguel Milhão, fundador da Prozis

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Miguel Milhão incendiou as redes sociais esta semana, com uma publicação no Linkedin dizendo que “Parece que os bebés que ainda não nasceram têm os seus direitos de volta nos EUA. A natureza está a recuperar.”

Publicação de Miguel Milhão no Linkedin

A publicação do fundador da Prozis surge no seguimento da decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos da América, que reverteu a decisão que protegia o direito ao aborto no país, conhecida como o caso “Roe vs Wade.”

Milhão está a ser alvo de duras críticas em Portugal após declarar-se completamente contra o aborto por uma questão ética, e não religiosa, como fez questão de esclarecer no último episódio do podcast interno da empresa – ‘Conversas do Karalho’, disponível para ver no final deste artigo. Afirma mesmo que “matar um embrião ou matar um feto é a mesma coisa que matar uma criança ou um adulto.”

Parafraseando Miguel Milhão, “esta ditadura das ideias para mim é a pior ditadura que há. Começa-se a pensar que as pessoas devem ser todas iguais, todas formatadas e para mim isso é o princípio do fim das civilizações.”

São vários os que o tentam “cancelar” – a ele e à Prozis – segundo palavras do próprio. Uns são os “influencers” que promovem a marca líder europeia de venda online de produtos de nutrição desportiva, na expectativa de receberem comissão pelas vendas geradas através de si; outros, são opiniomakers avulso, espalhados pelas redes sociais, que debitam ódio ao Miguel e à Prozis. Ambos confundem claramente opinião com ação.

Diz-nos o Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos Das Nações Unidas que “todos os seres humanos têm direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.”

O que esta gente está a tentar implementar – em Portugal e no mundo – é uma ditadura de ideias a lembrar os não tão saudosos ditadores da nossa história recente.

Parece-me ser crucial que para nos desenvolvermos enquanto indivíduos, este direito tem de ser inabalável, sem termos receio de receber e partilhar informação e ideais, quer da vulgarmente apelidada de “justiça popular” como da Justiça propriamente dita de um Estado de Direito Democrático, onde o exercício do poder baseia-se na participação popular.

Os influencers não lhe pouparam. Os internautas também não. E nem a imprensa ficou imune às palavras de Milhão. No entanto, apesar dos bitaites e das manchetes – salvo raríssimos casos – ninguém parece muito interessado em falar na liberdade do pensamento que todos nós nos vangloriamos desde 25 de abril de 1974 de a ter. Olhamos para ela como garantida. Parece que todos, de repente, se esqueceram que o simples facto de pensar e dizer o que se pensa não tem, obrigatoriamente, nenhuma consequência para a vida dos outros – neste caso, garantidamente não a tem.

Será que alguns destes influencers, que são do mundo da televisão, já interrogaram o CEO da sua estação televisiva de qual a sua posição em relação ao aborto? Se for contra as suas ideias, vai-se despedir?

Porquê esta agenda de cancelamento? O que incomoda tanto o que o fundador de uma empresa como a Prozis pensa ou deixa de pensar acerca do aborto ou de outro assunto qualquer, e o que isso influencia a Prozis, os seus funcionários e suas famílias, os seus fornecedores e clientes?

A Amnistia Internacional apela especificamente para que os prisioneiros de consciência em todo o mundo sejam libertos imediatamente e de forma incondicional. Queremos testemunhar apelos semelhantes num Portugal futuro?

Dizem que a Extrema-Direita está a crescer exponencialmente na Europa… Os meus olhos dizem-me diferente. Vejo, silenciosamente, a Extrema-Esquerda a tomar conta de todos nós num ápice e voltarmos ao aprisionamento das ideias, das ações, do pensar, do exigir, do reclamar… Com todos nós a assistir e a aplaudir o “politicamente” correcto.

Não sei se Miguel Milhão estará certo ou não naquilo que pensa. Nem me cabe, tampouco, a mim dizê-lo. Mas está certo em dizer aquilo que pensa. Nisso, nunca estará errado.

O aborto das ideias não está em referendo, mas que parece estar, parece.

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