Braga

EXCLUSIVO. Tudo sobre a guerra de Rodrigues & Névoa. Revelamos as cartas azedas entre os outrora “sócios siameses”

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Está ao rubro e chegou já a Tribunal a guerra sem quartel pela compra da Bragaparques, uma das maiores empresas de estacionamento portuguesas e a “joia da coroa” do Grupo Rodrigues & Névoa, com Domingos Névoa e Manuel Rodrigues, outrora “compagnons de route” e “sócios siameses”, compadres, graças a uma cumplicidade caldeada em terras francesas, ainda a viverem em casas geminadas, mas de candeias às avessas, trocando cartas azedas entre si, cujos principais excertos o Semanário V revela em exclusivo nesta edição.

Na base deste diferendo já de consequências judiciais, está o não cumprimento de uma das partes do acordo de separação patrimonial, assinado a 26 de março de 2018, pelos dois casais, Névoa e Rodrigues, selando uma vontade recíproca de decorridos mais de 40 anos, cada uma das famílias seguir o seu caminho empresarial, até por causa dos diferentes rumos a empreender pelos filhos dos casais, um dos quais, João Serino, filho único de Manuel Rodrigues de Sá Serino e Maria Fernanda de Araújo Vilaça Serino, é afilhado de Névoa, havendo ainda paralelamente um processo crime em que João Serino é acusado de crime de difamação ao padrinho, Domingos Névoa.

Manuel Rodrigues, a mulher e o filho, à entrada do Tribunal, com o advogado – © Semanário V

Das missivas conclui-se que Névoa, nesta fase dos acontecimentos, não abdica de adquirir a outra metade da empresa, além da sua, pelos 65 milhões de euros que assumiu, em carta fechada, bem como a receber os 13 milhões de euros da cláusula penal, por  Rodrigues afinal não lhe ter comprado, por sua vez, a sua metade na Bragaparques, pelo valor que o próprio, Rodrigues, se comprometeu, 102,5 milhões de euros, mas Manuel Rodrigues alega que o negócio só não se realizou porque Domingos Névoa não compareceu na escritura.

Névoa desmente a versão de Rodrigues, com documentos, referindo que a transação das ações, isto é, fazer-se uma escritura do negócio era à data, a 17 de dezembro de 2018, de todo inviável, por haver três ações judiciais em curso, todas movidas pelo Grupo DST, que genericamente se opunha à cisão operada, já que o grupo empresarial liderado por José Teixeira, a par da Bragaparques e do Grupo ABB, detinham, os três, a Geswater (e esta 49% da empresa municipal de Braga AGERE), logo a DST e a ABB teriam de ser ouvidas.

Domingos Névoa e Manuel Rodrigues já na separação que ditou o “divórcio” © Semanário V

Tudo isto porque, segundo os documentos consultados pelo Semanário V, somente a partir de 22 de abril de 2019, o Grupo DST fez um acordo com Domingos Névoa, acordo esse que finalmente libertou a Bragaparques de qualquer impedimento em vender as ações, por outras palavras, desde essa data, Manuel Rodrigues podia e devia pagar 102,5 milhões que se comprometeu com Domingos Nevoa, mas nunca o fez até hoje, pelo que nos termos do acordo ação judicial de execução específica, Névoa alega que face ao incumprimento reiterado de Rodrigues, em pagar o preço dos outros 50% da Bragaparques, o único com direito a comprar é, agora, o próprio Névoa.

Por isso mesmo Domingos Névoa quer que Manuel Rodrigues lhe venda já por 65 milhões de euros os seus 50% do capital social da Bragaparques, mas Rodrigues recusa-se a comparecer em qualquer ato notarial para esse efeito, desde logo argumentando que tinha a qualidade de presidente do conselho de administração da Bragaparques, pelo que nunca deveria ter ficado fora das negociações com o Grupo DST, além de que à data da escritura que queria fazer, em 2018, teria já 21 milhões de euros de garantia bancária para a DST.

Gaspar Borges já é testemunha de Domingos Névoa neste processo principal © Semanário V

Segundo Domingos Névoa afirma no processo judicial que moveu e cujo julgamento foi esta semana marcado para janeiro de 2023, na Grande Instância Cível da Comarca de Braga, Manuel Rodrigues “não conseguiu honrar os seus compromissos”, referindo que em vez de pagar os 102,5 milhões de euros, “tem protelado sucessivamente o pagamento do preço e sempre com delongas”, pelo que para Névoa, “fica claro ser eu o único com o direito de comprar os 50% da Bragaparques a Manuel Rodrigues, que nunca o contrário, isto qualquer pessoa de boa fé percebe, passaram-se mais de três anos sobre o acordo que fiz com a DST e Rodrigues nunca pagou nada”.

Manuel Rodrigues alega no processo em que é réu, movido pelo seu compadre Domingos Névoa, que este terá agido desde o princípio, “sempre movido por má fé”, além de que a proposta de Rodrigues para metade da Bragaparques sendo de 102,5 milhões de euros, iria valorizar a empresa de estacionamentos subterrâneos e à superfície em mais de 200 milhões de euros, dizendo não abdicar nunca de ficar com todas as ações da empresa, é esta no essencial a sua posição na resposta à ação de execução específica que lhe moveu Névoa.

O empreiteiro bracarense Manuel Rodrigues à entrado do Tribunal de Braga © Semanário V

Cartas de Domingos Névoa a Manuel Rodrigues

Manuel, podia responder-te num tom mais jurídico, mas escolhi responder-te numa linguagem que ambos conhecemos, da vida e dos negócios.

Confiei-te a gestão da Bragaparques para te criar condições à compra e afinal o que descubro é que te agarraste ao poder e que o que agora fazes é defender o incumprimento pela Bragaparques dos contratos celebrados comigo, assinados por ti e pela tua mulher, ao mesmo tempo que tu, mesmo sem contrato, retiraste o dinheiro dessa sociedade para a tua esfera pessoal.

Agora basta, afinal tu e a tua mulher não querem comprar a Bragaparques, querem tomá-la de assalto.

Eu atuo com base nos contratos que celebramos, tu abusas: na Rodrigues & Névoa II insistes em esbanjar dinheiro, pagando as nossas dívidas e as dos outros.

Às acusações baratas não respondo de todo: neste momento preocupa-me por um lado evitar uma guerra judicial entre nós, não me preocupa travá-la, preocupam-me os efeitos que podem provocar num património que nos últimos 40 anos lutei para construir.

Manel, tomei conhecimento de que a tua mulher, porque agora já não ages na primeira pessoa, intentou uma ação judicial requerendo a minha destituição, não comento, reagirei na sede própria e extrairei as consequências que caibam.

Como em tudo na vida existem prazos para cumprir e o nosso contrato não era diferente, é bem claro e simples nesse aspeto que foi basilar: tinhas um prazo para honrar o pagamento, o que não se verificando, ficava então eu com o mesmo prazo para honrar a minha proposta.

O teu prazo para tu, Manuel (e lá sabes quem mais e em que condições) comprares a minha participação na Bragaparques, como bem sabes, já esgotou há muito tempo, mas um dia, em muitos casos, é uma eternidade.

Não confundas a longa parceria e amizade que tivemos ao longo de mais de quatro décadas, com fraqueza ou inocência na defesa dos meus interesses e da minha família.

A tua incapacidade para executares a tua proposta no prazo que impuseste consubstanciou o meu direito a substituir, nos termos do contratualmente previsto, a tua proposta de compra da Bragaparques, pela minha proposta, nos termos em que te notifiquei e de que não abdico.

As nossas relações regem-se pelas nossos acordos, estes são para cumprir, será o que reclamarei, caso não seja esse o teu procedimento.

Não aceito as desculpas que invocas para desistires dos compromissos assumidos, em especial obrigação de pagares o preço constante da tua proposta de € 102.775.000,00.

Se nesse dia surgiste no notário acompanhado de um séquito de advogados e representantes de bancos para exibires a “surpresa” da minha ausência, foi por achares que com isso terias algum benefício, ao esclarecer aos bancos a verdade reagi ao teu comportamento e só dele te podes queixar.   

Quanto ao facto de te arrogares como o obreiro dos resultados da Bragaparques, não te reconheço tal mérito, nem atualmente nem no passado, pois aquando da negociações dos contratos e das localizações e das respetivas construções, se bem te recordas, só unicamente ias às inaugurações.

Aliás se afinal és assim tão bom gestor porque é que na Way2B e na Conceito Original, empresas onde só tu és administrador e eu pagador, o único que conseguiste foi trazer prejuízos de cerca de 20M€ ? onde está a tua capacidade de gestão? Aplica aí a tua ciência.

Foi como sabes com base nessa pretensão que me vi obrigado a aceitar condições impostas pela DST, que muito me penalizaram, que não fosse o caráter perentório que me impuseste, de modo, aliás, contraditório, com o que sempre foram os nossos comportamentos no passado, nunca as teria aceite”.

Cartas de Manuel Rodrigues a Domingos Névoa

Em primeiro lugar, cumpre-me esclarecer-te, para a eventualidade de não saberes, que a minha mulher pensa pela sua própria cabeça e não precisa que eu lhe diga o que deve fazer, assim como eu não careço de me esconder atrás das suas atitudes. E se entendeu fazer o que fez, fê-lo para salvaguarda dos interesses, de que é acionista.

Quanto às nossas questões pessoais, não se confundem com as da Bragaparques e devem permanecer separadas. Tu insistes em tratar tudo como se fosse uma única coisa e como se tudo fosse teu, mas não é assim.

De facto, desde que assinamos, em março de 2018,  acordo de princípios e os contratos promessa, tudo tens feito para que eu e a minha família não logremos concretizar a compra das ações que tu e a tu mulher nos prometeste vender na Bragaparques, operação para a qual apresentamos oportunamente uma proposta ganhadora e por ti como aceite como tal.

Diversamente do que dizes, sou eu e não tu, que desde março de 2018 tenho vindo a suportar as tuas absurdas e maliciosas interferências na gestão da empresa, as tuas acusações grosseiras e soezes, os artifícios que continuamente tens engendrado e os entraves que repetidamente tens vindo a criar ao funcionamento da Bragaparques. 

Ao invés do que agora apregoas, sempre procuraste pôr entraves, colocar areias na engrenagem, para inviabilizar a exequibilidade da proposta que no momento e local próprios apresentei para a compra da vossa (tua e da tua mulher) participação no capital da Bragaparques.

O teu email da passada quinta-feira espelha bem a tua postura em todo este negócio da divisão de ativos, pois apesar da operação não se executar por atos e omissões a ti respeitantes, chegas agora ao ponto de pretender dar como executadas as prestações de que és destinatário e não queres realizar aquelas a que estás obrigado, ao jeito de “o que é meu é meu e o que é teu é nosso!!!”.

Se os resultados das sociedades colocadas na esfera da Bragaparques melhoraram, tal ficou a dever-se à minha ação, pois que tudo tens feito para entorpecer, se não mesmo impedir, a sua atividade.

Confundes-te com a Bragaparques e confundes a nossa partilha com a prossecução dos interesses próprios da Bragaparques, o que te dá uma visão absolutamente errada dos factos.

Não é verdade que em momento algum eu tenha declarado incapacidade para celebrar o contrato definitivo dentro de um espaço definido para o efeito de que fosses ou sejas beneficiário.

Porque não te assiste o direito a que te arrogaste de substituir a minha proposta pela tua, não me deslocarei naturalmente onde quer que seja para celebrar um contrato que em nenhum caso estou obrigado a celebrar.

Manuel Rodrigues reclama “dívida” a colega do SC Braga

O construtor civil bracarense Manuel Rodrigues está a reclamar, no Tribunal Cível de Braga, uma “dívida” a um seu colega de direção do Sporting Clube de Braga, o economista Hernâni Portovedo, mas este declarou no julgamento, assim como todas as testemunhas já ouvidas, que pagou tudo, nada deve, nem ao empreiteiro, nem a ninguém, contestando a “fatura” de 94.701,41 €, pois segundo disse, tal documento de débito apenas foi emitido oito anos depois das obras feitas, o que não fazia qualquer sistema contabilístico do mundo.

É mais um caso insólito até por envolver dois vice-presidentes do mesmo clube arsenalista, por uma suposta dívida de menos de 100 mil euros, mas tudo indicando que afinal a questão está relacionada com a guerra sem quartel entre Manuel Rodrigues e Domingos Névoa, ex-sócios do grupo empresarial Rodrigues & Névoa, ambos no Tribunal Cível de Braga ainda a discutir a separação dos bens.

Manuel Rodrigues e Hernâni Portovedo são igualmente ambos administradores da SAD (Sociedade Anónima Desportiva) do Sporting Clube de Braga, a par de também administradores da mesma empresa, a Urbaminho que detém o centro comercial Braga Parque, mas o empreiteiro bracarense exige ao colega, Hernâni Portovedo, que lhe “pague” quase 100 mil euros, estando prevista para a próxima segunda-feira de manhã a sua audição, no Palácio da Justiça de Braga, onde explicará todas as circunstâncias da “dívida” que reclama.

O que está em causa é, “oito anos depois, a Onirodrigues, de Manuel Rodrigues, exigir 95 mil euros a Hernâni Portovedo, diretor financeiro do grupo, que desmente qualquer dívida”, tudo isto depois de outros processos entre os dois empresários, Manuel Rodrigues veio interpor uma ação judicial no Tribunal de Braga contra Hernâni Portovedo, atual diretor financeiro da Bragaparques, a quem vem exigir, oito anos após, o pagamento de uma alegada dívida de 95 mil euros relativamente à realização de obras numa sua propriedade”.

Na ação judicial movida pela Onirodrigues, detida por Manuel Rodrigues, refere-se que “a sociedade comercial Rodrigues & Névoa Ldª no âmbito das obrigações a que vinculou, executou para os dois réus [Hernâni Portovedo e a sua esposa] obras e trabalhos, forneceu materiais, mão-de-obra e equipamentos de construção civil, na remodelação e amplificação da sua habitação”, realizadas em 2014, mas Rodrigues alega não ter recebido os correspondentes 94.701,41 € na empresa, que à data ainda dividia com o então sócio, Névoa.

Hernâni Portovedo afirma ser “perseguido” por Rodrigues

“Eu [Hernâni Portovedo] entendo que nada devo e estou a ser perseguido, sendo colocada a minha honra em causa, pois nunca fiquei a dever nada a ninguém, tanto mais que o sr. Manuel Rodrigues é conjuntamente comigo administrador do SC Braga SAD e ambos vice-presidentes do SC Braga, mas nunca até à data em que me enviou a carta de 06.02.2020 [onde exige o tal pagamento dos cerca de 95 mil euros] me exigiu qualquer pagamento, porque sabia que isso era falso”, ainda segundo as declarações do mesmo economista.

Hernâni Portovedo garante nada ter a pagar à empresa para a qual trabalhou durante anos sem ser remunerado e juntou ao processo um documento assinado por ambos os sócios da Rodrigues & Névoa” [Manuel Rodrigues e Domingos Névoa], em que estes declaram ter recebido 28 mil euros para pagamento das obras, por isso não existe qualquer dívida”, num caso que tem sido alvo da atenção da imprensa nacional fazendo as delícias das últimas edições dos jornais diário “Inevitável” e semanário “Nascer do Sol”, que têm vindo a desfiar os enredos de uma novela, como lhe chama o jornal “i”, enquanto o “Sol” destaca que neste divórcio milionário, não são os “pais”, isto é, os empresários, mas sim os “filhos”, quer dizer, os funcionários, aqueles que mais têm sido prejudicados com a situação.

“O senhor Manuel Rodrigues fez uma interpretação abusiva, quando me incluiu num litígio em que eu não sou parte”, acrescentou Hernâni Portovedo, segundo o qual, já “não é a primeira vez que pessoas individuais sofrem consequências devido ao litígio entre os sócios da Bragaparques, desde uma funcionária vítima de assédio laboral, a um seu irmão [de Manuel Rodrigues], com um filho deficiente, que tentou privar da sua habitação.

Na contestação já apresentada por Hernâni Portovedo, ainda antes de iniciado o julgamento, afirma-se que “na sequência dos litígios e das desavenças surgidos entre os dois acionistas” do Grupo Rodrigues & Névoa, “o administrador da Onirodrigues, o senhor Manuel Rodrigues, passou a considerar como um ‘aliado’ do seu anterior sócio [Domingos Névoa] ou seja como atuava apenas nos interesses e em prol do seu antigo sócio, senhor Domingos Névoa”, sendo esta a única explicação para existir o processo judicial da falsa dívida.

Para Hernâni Portovedo, “neste caso, porque sou, conjuntamente com o senhor Manuel Rodrigues, administrador do Sporting Clube de Braga, também o clube é prejudicado com esta falsa acusação”, como disse ao Semanário V, acrescentando agora aquele economista e gestor de empresas, Hernâni Portovedo, que o empreiteiro Manuel Rodrigues “está assim a instrumentalizar a Justiça só para tentar condicionar o meu livre testemunho”, referindo-se ao processo principal, aquele que opõe Manuel Rodrigues e Domingos Névoa, que esta semana ficou adiado para janeiro de 2023, porque os dois antigos sócios não chegaram a acordo, nem há perspetiva nesse sentido.

Névoa garante “não haver dívida nenhuma”

Domingos Névoa é testemunha de Hernâni Portovedo neste julgamento e enquanto sócio da empresa que prestou os serviços na casa deste economista, foi claro no seu depoimento, segundo o qual “trata-se de uma falsa dívida, porque está tudo pago e bem pago desde a ocasião”, acrescentando “tratar-se de uma situação de má fé, pois bem sabe que nada lhe é devido, vindo agora dez anos depois com uma dívida fantasma, desde logo por se existisse teria necessariamente que entrar em contas pelo menos aquando das nossas partilhas”.

“É um processo de cobrança de falsa dívida pura e simplesmente para prejudicar um funcionário, no caso o seu diretor financeiro, apenas e só para colocar em causa o seu bom nome”, segundo acrescentou ao Semanário V o empresário Domingos Névoa, depois de ter prestado depoimento na audiência cuja sentença será proferida depois das férias judiciais de verão, lamentando “que se trate desta maneira os nossos funcionários, sejam eles quais forem, porque a grande riqueza das empresas são acima de tudo e antes do mais os próprios funcionários, mas Manuel Rodrigues se tivesse memória recordaria o tanto que já demos a funcionários, pois eles mereciam”.

Suspeito de querer casa de irmão carenciado

O empreiteiro Manuel Rodrigues, vice-presidente do Sporting Clube de Braga, que recentemente teve de chegar a acordo, no Tribunal do Trabalho de Braga com uma sua jovem funcionária vítima de assédio sexual, dentro dos escritórios da empresa, por parte de um colega, com idade para ser pai da ofendida, escapou a mais uma ação judicial, desta vez relativa a partilhas em que um seu irmão e cunhada se queixaram, ao Tribunal Judicial de Braga, por enquanto cabeça de casal ter protelado durante quase dois anos e meio documentos para a parte da herança a que tinham direito, uma moradia para sua primeira habitação, já que residiam em casa os sogros.

Os queixosos eram o casal dito pobre da família de Manuel Rodrigues, ganhando ambos o salário mínimo nacional, com dois filhos, de 21 e oito anos de idade, o mais novo dos quais padecendo da síndroma de Klinepelter, residindo há anos com condições precárias, na casa de outros familiares, situada na freguesia de Sezures, em Vila Nova de Famalicão, mas ansiando ir morar para a casa própria.

Alegavam o irmão e a cunhada de Manuel Rodrigues que, ao contrário do acordado entre todos os herdeiros de Domingos de Sá Serino (pai do empreiteiro), que estava escrito e devidamente assinado, Rodrigues fazia depender a entrega do documento de habilitação de herdeiros e à qual estava legalmente obrigado, de uma declaração assinada pelo casal, em que ambos conferiam a Manuel Rodrigues (aconselhados por uma notária e mulher de advogado que sem esperarem estava na sala de reuniões do empreiteiro), caso o empréstimo bancário não lhes fosse concedido, que a sua parte da herança, a casa, ficaria já consignada só para Manuel Rodrigues e mais ninguém,

Estaria estabelecido um pacto de preferência, que nunca esteve previsto e não era sua vontade, pois queriam a casa para si próprios, uma vez que vivendo sempre numa casa compartilhada com familiares por favor, os seus sogros, desde que casaram, tendo-lhe sido destinada por esse mesmo motivo a mesma casa durante a reunião de herdeiros, segundo decisão unânime, em que participou Manuel Rodrigues, aliás, na sua qualidade de cabeça de casal, conforme foi já destacado no processo que correu termos na Comarca de Braga.

Na base da ação judicial estão as partilhas resultantes da herança por morte de Domingos de Sá Serino, depois do falecimento anterior da mulher, Emília de Araújo Rodrigues, que residiam numa moradia da Rua de Santo António, na freguesia de Tebosa, concelho de Braga, sendo que o empreiteiro bracarense ficou como cabeça de casal e segundo o irmão e a cunhada, terá tentado impedir, sempre ficarem com a casa já acordada pelas partilhas, apesar do próprio ter grandes quintas em Braga e dezenas de imóveis em todo o país.

O problema do casal, vivendo com dificuldades financeiras, era conseguir um empréstimo de cerca de 32 mil euros, o montante necessário para compensarem os restantes herdeiros, já que a casa estava avaliada em 87 mil euros e a cada um cabia um quinhão hereditário de 55 mil euros, pelo que era preciso pagar os 32 mil euros, aos outros herdeiros, já como tornas, conforme o Código Civil.

Aquele casal queixou-se de uma situação que consistiria numa “armadilha”, em que o “covil” seria uma sala do escritório de Manuel Rodrigues, a quem, sabendo ser dos homens mais ricos, em Braga, o irmão mais novo pediu um empréstimo, só que o vice-presidente do Sporting Clube de Braga negou tal pretensão, aconselhando-o a pedir a uma instituição bancária, que os bancos existem para isso.

No banco escolhido pelo casal a concessão do empréstimo ficou dependente apenas da entrega da respetiva escritura de habilitação de herdeiros onde constasse os termos das partilhas, designadamente que lhes tivesse sido adjudicada a residência relativa ao pedido.

Como o documento estava na posse de Manuel Rodrigues, o irmão e a cunhada pediram ao empreiteiro que lhes desse esse documento, para obterem um empréstimo bancário, como Manuel Rodrigues os tinha aconselhado, começando aí o longo calvário do casal, que só muito recentemente obteve afinal a escritura da casa, consumada, mas para isso teve de processar aquele famoso empreiteiro, que confrontado com a iminência de uma execução específica do contrato promessa de partilha resultante da herança familiar, isto é, por via judicial, acabou por fazer a escritura, só assim sendo possível ter homologado a desistência desta ação, no Tribunal Cível de Braga.

O casal, na ação interposta, disse que Manuel Rodrigues “tem-nos tratado com desprezo e sobranceria, vivendo tal os demais herdeiros confortavelmente em casas própria e com abundância de meios”, em contraste “com a nossa condição financeira modesta”, acusando também o vice-presidente do Sporting Clube de Braga de “utilizar as mais diversas estratégias no sentido de impedir adjudicação” da casa que lhes pertence por inteiro, segundo decisão de todos os herdeiros, o que Manuel Rodrigues resistiu anteriormente em cumprir.

“Causaram prejuízos económicos, uma vez que a proposta de financiamento aprovada no ano de 2018 acabou por caducar, por falta de entrega, pelo funcionário, Manuel Freitas Fernandes, empregado de Manuel Rodrigues, do documento solicitado pelo banco, obrigando-nos ao pagamento de comissões de estudo, de avaliação, solicitadoria, Iva e Imposto de Selo, tudo no valor de 1.179 euros”, segundo os autos do processo cível, consultados pelo Semanário V, que se encontram agora arquivados no Palácio da Justiça de Braga.

Manuel Freitas Fernandes, um funcionário da OniRodrigues, mas que é mais conhecido por ser presidente da Junta de Freguesia de Covelas, no concelho da Póvoa de Lanhoso, vinha sendo apontado pelos autores da ação judicial, como tentando enganar os familiares mais pobres da família deste empreiteiro bracarense, em conluio com um casal de juristas de Braga, ela notária e ele advogado, todos conotados por fidelidade canina com Manuel Rodrigues, mas o caso acabaria por não ir a julgamento, devido ao acordo entre as partes.

O 2º Juízo da Instância Central Cível de Braga, decidiu, entretanto, condenar o empreiteiro a pagar sozinho todas as custas do processo, ao aceitar, por pedido de ambas as partes, declarar a extinção da lide, por inutilidade superveniente, conforme despachou a magistrada, Paula Cristina Bizarro, até por a juíza o condenar a pagar integralmente as custas do processo, fundamentando, a magistrada, “ser-lhe imputável a inutilidade superveniente”, mas o casal não se mostrou disponível, para falar ao V, alegando que “são coisas de família”.

Manuel Rodrigues, já questionado pelo Semanário V para se pronunciar, não respondeu aos pedidos de comentário, que pretendíamos para fazer o contraditório, mas apuramos que o casal de juristas de Braga também terá levado um pontapé no traseiro, pelo menos o advogado, que agora se lamuria pelos corredores dos tribunais ter sido “corrido” por Manuel Rodrigues, depois de durante décadas se ter prestado a tudo e a mais alguma coisa, de ser inclusivamente um advogado para todo o serviço, tendo servido sempre com bandeja.

Manuel Rodrigues calunia Hernâni Portovedo

Entretanto, já no julgamento desta semana, em Braga, Manuel Rodrigues caluniou Hernâni Portovedo, seu colega na administração da SAD e na direção do Sporting Clube de Braga, com impropérios que são impublicáveis na imprensa, depois do seu funcionário, o engenheiro civil Paulo Loureiro (da Onirodrigues, empresa de Manuel Rodrigues, da mulher Fátima Serino e do filho João Serino) ter tentado descredibilizar o diretor financeiro, Hernâni Portovedo, um economista conhecido como obreiro das contas positivas do clube.

João Serino, filho de Manuel Rodrigues, também está envolvido no processo © Semanário V

Manuel Rodrigues foi mais longe do que o seu empregado, Paulo Loureiro, procurando o empreiteiro bracarense desqualificar mesmo a própria personalidade de Hernâni Portovedo, que naquela ocasião estava fora da sala de audiências, levando de imediato a que o seu advogado, Raposo Subtil, defendesse a honra do economista, sem que fosse necessário a juíza intervir, dizendo o causídico de Lisboa, ser o economista Hernâni Portovedo “um bom pai de família, não deve nada, ao senhor Manuel Rodrigues, nem a nenhuma das suas empresas, aliás, nunca ficou a dever nada ninguém, senão não ocupava os lugares que ocupa, inclusivamente, no Sporting de Braga”.

“O senhor doutor Hernâni Portovedo nem sequer está aqui para se defender, mas se estivesse, teria muita coisa para dizer, mas não o faz, porque é um cavalheiro e filho de boas famílias, ele sim, teve berço” disse depois Raposo Subtil à margem da audiência, que não tivesse sido a mão de ferro da juíza-presidente, poderia ter mesmo descambado numa série unilateral de insultos e ataques de caráter, acabando por ser indeferido pedido de acareação entre Manuel Rodrigues Domingos Névoa, por a magistrada dizer estar já esclarecida.

António Raposo Subtil, figura de proa da advocacia portuguesa e que já foi presidente do Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados, teve ainda que responder ao seu colega, Pedro Ferreira Gomes, que representa Manuel Rodrigues, quando o causídico de Braga insinuou do que a advocacia de Braga era melhor que a advocacia de Lisboa, mas Subtil foi…subtil, não tendo sequer que dizer ali mesmo que a advocacia de Braga tem sido, ao invés, palco dos maiores escândalos envolvendo advogados bracarenses, a começar pelos irmãos Bourbon, passando pelas várias advogadas a contas com a justiça, ou por burlar clientes vendendo-lhes as casas e ficando com todo o dinheiro para si própria, ou introduzindo droga no Estabelecimento Prisional do Norte (Paços de Ferreira), etc. etc. etc…

Hernâni Portovedo seguido por Domingos Névoa e o advogado Raposo Subtil © Semanário V

Insinuações sem fundamento e nada mais

Nas suas alegações finais, Raposo Subtil lamentou que Manuel Rodrigues o tivesse processado, a ele próprio, como advogado, ambas as participações disciplinar e criminal, que não deram em nada, por absoluta falta de fundamento, mas que como disse o procuraram denegrir e perturbar no seu múnus profissional, ele que faz parte da Galeria de Quadros de Fotos de Honra da Ordem dos Advogados, ficando sem contradita por parte de Pedro Ferreira Gomes, que ainda insinuou estar um jornalista ali a fotografar a audiência com um telemóvel, uma observação, mais uma sua, completamente infundada, por isso a própria juíza nem deu qualquer tipo de credibilidade.

Mas Raposo Subtil foi mais longe e chamou a atenção para o facto de Manuel Rodrigues” se acobertar e esconder” atrás de um jovem filho único, João Serino, “porque não teve sequer a coragem para processar o senhor doutor Hernâni Portovedo, pura e simplesmente, porque o senhor Manuel Rodrigues sabe muito bem que nada tem a receber e quais são as verdadeiras motivações desta falsa dívida”, mas Manuel Rodrigues reiterou que “até agora nunca recebi nada do senhor doutor Hernâni Portovedo, ele nunca pagou nada da obra”.

Hernâni Portovedo juntou ao processo um documento, assinado por Manuel Rodrigues e Domingos Névoa, à data os dois proprietários das empresas do entretanto extinto Grupo Rodrigues & Névoa, segundo o qual estava integralmente liquidado o débito das obras, num total de 38 mil euros, mas Manuel Rodrigues disse esta segunda-feira, no Palácio da Justiça de Braga, “tratar-se da devolução de uma verba emprestada a Hernâni Portovedo”, versão negada não só pelo economista processado, como pelo outro patrão, Domingos Névoa.

Hernâni Portovedo declarou ter pago o custo total das obras, descontando diretamente aquilo que teria a receber de prémios anuais de bom desempenho, completando o que faltava entre o que devia receber e o que devia pagar, com 28 mil euros, em dinheiro, explicando “ter pago todo valor das obras através da compensação parcial dos prémios que já me eram devidos, mais 28 mil euros em numerário”.
Entretanto, continua por não se saber do paradeiro dos tais 28 mil euros, em dinheiro vivo, porque não estão lançados nas contas de nenhuma das duas dezenas de empresas do grupo, levando a comentar-se nos bastidores ter havido casos idênticos, como durante anos a fio alguém vender ao seu próprio pai bacalhau oferecido pela empresa Rodrigues & Névoa para os colaboradores aquando do Natal.

João Serino, filho de Manuel Rodrigues, com advogado Pedro Ferreira Gomes © Semanário V

A ideia que fica para o público é como passada quase uma década, se reclama uma alegada dívida, supostamente de menos de 100 mil euros, gastando-se assim muito mais dinheiro nos advogados a intentar a ação cível e a pagar custas judiciais que não são nada baratas, quando o próprio João Serino, filho de Manuel Rodrigues, reconheceu que a empresa Onirodrigues, não perde tempo, nem dinheiro, em créditos a receber que não o justifiquem desde que está na liderança da empresa de construção civil nascida da Rodrigues & Névoa.

De resto, o engenheiro Paulo Loureiro, empregado do empreiteiro Manuel Rodrigues, passou a audiência a afirmar que “aquela obra”, na nova residência de Hernâni Portovedo, “nem sequer era para ganhar dinheiro, segundo indicações que recebi logo do meu patrão, tendo sido debitadas contas muito abaixo dos custos de mercado e da realidade”, tendo em contra tratar-se de um funcionário superior, entre outras, das empresas Rodrigues & Névoa e Bragaparques, num universo empresarial que então envolvia duas dezenas de firmas.

O advogado Pedro Ferreira Gomes alegou que “tal dívida existe mesmo e disso não há dúvida nenhuma”, dizendo “tratar-se afinal de uma coisa muito simples, um deve e haver, que conta que nunca foi liquidada, mas vêm para aqui misturar alhos com bugalhos, para lançar uma onda nebulosa, fazendo deste julgamento um espetáculo mediático”, referindo-se ao julgamento, em Braga, que envolve dois administradores da SAD e vice-presidentes do Sporting Clube de Braga, das maiores coletividades deste país, logo sendo notícia.

Raposo Subtil disse nas suas alegações finais, aquilo que o seu cliente, Hernâni Portovedo, já vem afirmando, de que “esta falsa dívida está relacionada com o facto do meu constituinte ser uma testemunha fulcral no processo principal”, referindo-se ao julgamento, com início previsto para janeiro de 2023, onde se discutem centenas de milhões de euros, por causa da titularidade definitiva da empresa Bragaparques, tendo levado o empresário Domingos Névoa a processar o empreiteiro Manuel Rodrigues, alegando que o seu antigo sócio não terá cumprido, ao não pagar o preço da compra de metade da empresa, exigindo agora que este lhe venda a si a outra metade.

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