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Inferno no país: População desesperada com destruição e sem bombeiros

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“A nossa escolinha ardeu, que tristeza. Foi como se fosse a minha casa. Era a sede da nossa associação. Acabou”, disse em lágrimas Maria Clara, residente na aldeia de Bairrada, em Ansião, em declarações à CMTV.

Um rosto que espelha o drama deste início de semana onde milhares de pessoas viveram com as chamas à porta de suas casas.

Ventos fortes e 45 graus de temperatura espalharam as chamas por aldeias de Leiria, Pombal, Ourém, Ansião e Alvaiázere, onde arderam casas (17), veículos, barracões e culturas agrícolas.

Em Ansião a população queixa-se hoje que não há bombeiros para acorrer a tantas situações.

O incêndio em Ansião está hoje a obrigar à retirada de pessoas em duas aldeias daquele concelho do distrito de Leiria, disse à agência Lusa o presidente da Junta de Freguesia de Santiago da Guarda.

Segundo David Baptista Rodrigues, a situação voltou a “agravar-se” e a freguesia de Santiago de Guarda “está em perigo”.

O autarca informou que às 16:15 estavam a evacuar a aldeia de Lagoa da Parada, depois de terem sido retirados os habitantes de Marquinho, localidades da freguesia de Santiago da Guarda.

David Baptista Rodrigues acrescentou que é expectável que sucedam mais evacuações, tendo em conta o evoluir do incêndio.

Às 16:15 horas, “havia três frentes” de fogo e o vento soprava “muito forte”, com “mudanças constantes de direção”, disse ainda o presidente da junta.

O fogo em Ansião resulta de um incêndio no concelho de Pombal, que deflagrou na sexta-feira, pelas 14:50.

Segundo o sítio na Internet da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, às 16:25, estavam no terreno 422 operacionais, apoiados por 107 viaturas e três meios aéreos.

Dezasseis dos 18 distritos de Portugal continental estão hoje sob aviso vermelho, o mais grave, devido ao tempo quente, com mais de uma centena de concelhos em perigo máximo de incêndio rural, segundo o IPMA.

Os distritos de Braga, Vila Real, Bragança, Guarda, Viseu, Porto, Aveiro, Coimbra, Castelo Branco, Leiria, Santarém, Lisboa, Portalegre, Setúbal, Évora e Beja vão estar até às 00:00 de quinta-feira sob aviso vermelho devido à persistência de valores extremamente elevados da temperatura máxima.

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o aviso vermelho corresponde a “uma situação meteorológica de risco extremo”.

Devido a estas condições meteorológicas e à previsão de valores baixos de humidade relativa do ar, temporariamente inferiores a 20% em vastas áreas do interior, o perigo de incêndio rural apresentará as classes máximo e muito elevado em quase todo o interior norte e centro e no interior do Algarve até ao final desta semana.

Esta situação de tempo muito quente resulta da circulação de uma massa de ar muito quente e seco, originária no norte de África, que irá persistir até sexta-feira, com valores de temperatura acima ou muito acima da média.

Portugal continental está desde segunda-feira em situação de contingência.

Incêndios: Câmara de Alvaiázere pede ajuda e lamenta que concelho esteja a ser “abandonado”

O presidente da Câmara de Alvaiázere, no distrito de Leiria, disse hoje que está cansado de pedir meios para o combate aos incêndios e de ficar sem resposta, e lamentou que o concelho esteja a ser abandonado.

“Sentimo-nos abandonados. Estamos cansados de pedir meios sem resposta”, declarou à agência Lusa João Guerreiro.

Segundo o autarca, que falava à Lusa pelas 16:00, o concelho está “há quase uma semana a apagar fogos e, neste momento, não são disponibilizados mais meios, nem humanos, nem aéreos, que são essenciais”.

“No sábado, ativei o Plano Municipal de Emergência e Proteção Civil e pedimos uma equipa do Exército para a logística da alimentação e não nos foi disponibilizada”, exemplificou.

O presidente do Município de Alvaiázere adiantou àquela hora que “há um reacendimento significativo no fogo em Almoster, do incêndio que está a lavrar em Pombal e Ansião”.

“Habitações já estiveram em perigo neste lado sul do incêndio, sendo que só estão os nossos bombeiros e populares”, acrescentou João Guerreiro.

Este incêndio de Alvaiázere começou na quinta-feira à tarde na União de Freguesias da Freixianda, Ribeira do Fárrio e Formigais, no concelho de Ourém, e alastrou, também, a Ferreira do Zêzere (ambos no distrito de Santarém).

Na segunda-feira, pelas 08:00, este incêndio foi declarado em resolução e reacendeu no dia seguinte, tornando a ser considerado hoje de novo em resolução.

Na terça-feira, o presidente da Câmara de Alvaiázere já tinha lamentado não serem disponibilizados mais meios de combate ao incêndio, no qual “algumas habitações arderam e diversas localidades foram evacuadas”.

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